Que seja doce...

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domingo, 24 de outubro de 2010

Sim, eu estou cansada. Não, eu não aguento mais machucar meu coração. Não suporto mais me decepcionar com as pessoas, descobrir que elas não gostavam de mim ou que elas não gostavam sequer delas mesmas. Será que já não gastei toda a minha cota de desilusões pelas próximas dez encarnações? Alguém aí que comanda esse mundo: deve ser a vez de outra pessoa sofrer, não? Na próxima, me pula, por favor. Já não consigo mais me despedir de beijos, ter que apagar telefones, e encontrar tanta gente no mundo que quer tudo, menos viver um amor. Será que o problema sou eu? É tanta pancada que eu já chego a duvidar de mim. Mas não deve ser, ou eu não estaria preocupada com isso, eu não me importaria.
Eu só peço para não perder a esperança, para não deixar de acreditar. E eu peço também para não me iludir tão fácil. Não, eu não posso mais me entregar tão fácil, eu preciso entender que existem pessoas especialmente canalhas no mundo, gente capaz de tudo e que não se importa com nada, muito menos comigo. Então, um último pedido de um coração cansado, por favor, não me leve para sua vida se eu não vou poder ficar, não me leve para a sua casa se eu vou ter que arrumar o lençol para você receber a próxima, não seja carinhosa comigo, se não consegue segurar essa máscara até o final. Me diga a verdade, me mostre quem é você.
Não que eu queira alguém perfeito, mas eu preciso saber se eu aguento o seu defeito. Então, sem truques, somos todos adultos, ou é hora de começarmos a ser. Se quer só se aproveitar de mim, me avisa, quem sabe eu não aceito? Mas me avisa, não seja covarde. Pague o preço, chegue cedo, não tenha medo, eu posso fazer valer a pena. Não precisa ser o dia inteiro, mas na maior parte do tempo, eu imploro, me faça feliz! Ou me informe com antecedência caso não tenha a intenção de fazer. É a minha vida, é o meu coração, eu tenho o direito de saber. Eu preciso contar uma nova história, eu preciso escrever outras palavras, eu preciso mais do que nunca de um final feliz sem fim.

sábado, 23 de outubro de 2010

Bem que podiam vender curativos pra colar corações quebrados. Daqueles bem fortes, a prova d'água. Tantos lugares pra se cuidar do corpo, e ainda não inventaram as benditas pílulas da alma. Poderiam vender assim como vendem mertiolate. "Me veja uma dose de paz por favor". Poderia existir médicos especializados em cada tipo de doença. Um para dor da perda, um para tristeza da partida. Você poderia ver lojas com cartazes com "cansado do egoísmo humano? leve uma dose de altruísmo pela metade do preço". A felicidade seria como um pó mágico que você espalha por onde passa, fazendo felizes as pessoas ao seu redor. Mas como você sabe, as coisas não são bem assim. Talvez os farmacêuticos ainda não tenham descoberto que joelhos ralados, doem menos que corações partidos.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Você nunca pediu mais do que eu podia dar e eu sempre quis mais, quis menos, sempre quis diferente. Você nunca exigiu nada de mim, só queria minha existência e eu não soube nem existir pra você.
Desculpa, eu sei que não faz sentido te escrever agora e já faz tempo desde que esse sentido sumiu. Por minha culpa. Mas é que hoje tem tanta gente aqui e ninguém me vê... Você me viu num momento desses e é do seu olhar que eu sinto falta. Do mundo parando só pra você ser minha.

domingo, 17 de outubro de 2010

Cansei de escrever abobrinhas, de contar como amo e amei... Aff coisa mais deturpada.
Prefiro agora contar como consigo dançar sobre os escombros desse mundo caido. Onde nem os anjos conseguem me protejer de mim mesma. Sabe esse abismo todo que nos cerca cheio de criaturas horrendas e vis?... Sabe essas cicatrizes que ocupam a maior parte do meu corpo? elas não estão aí por acaso, ganhei quando desafiei e andei sobre a linha tenue entre a lucidez e a loucura, querendo me expor aos meus proprios limites consegui essas marcas honradas e legitimas, daqueles que não tem medo de brincar com o fogo de seus sentimentos. Mesmo que essa marca seja eterna, eu sei agora como lutar com os monstros lá fora e estou em vantagem, posto que eles não sabem quase nada sobre mim. Mulher, que para todos é sinomino de fraqueza, não tem medo de usar as armas que a vida lhe condecorou. E é disso que todos esquecem. Que quando uma mulher se torna forte, ela fica increvelmente forte. Estou aqui na beira do abismo, mesmo tendo uma acrofobia consideravel, contemplando o monstro que me contempla e quando ele pisca eu pulo e me jogo de cabeça nesse territorio que varias vezes antes escapei. Não sei se dessa vez serei vitoriosa, mas sei que derrubarei varios antes de cair.

sábado, 16 de outubro de 2010

- Não acho que ele tenha culpa de nada.
-Porque você tem a culpa.
-Para de ficar esfregando a culpa na minha cara.
-Mas não foi não?
- E qual o tesão de ficar esfregando na minha cara? já não falei que me arrependi? eu tenho coragem de voltar atras e você? aaah, então pronto. Aquela desculpa de 'tarde demais', né? deixa a vida passar mesmo, vai que acontece alguma coisa comigo ou alguma coisa com você, minha conciencia ta limpa de que eu tentei de novo.
- Você me magoou demais.
- Eu quero fazer as coisas diferentes. Eu aprendi demais com esse tempo, com tudo que eu fiz. Eu acho que o maior erro da humanidade não é errar em si, mas é nao dar chance pra aqueles que erraram de voltar atras e tentar refazer as coisas. Porque quando a pessoa erra e vê as merdas que dão, ela se empenha mais em fazer o certo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tudo isso dói. Mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque dever ser assim, e virá outro ciclo, depois. Para me dar força, escrevi no espelho do meu quarto:¨Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é? É o que estou tentando vivenciar. Certo, muitas ilusões dançaram mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas. Também não quero dramatizar e fazer dos problemas reais monstros insolúveis,becos-sem-saída. Nada é muito terrível. Só viver, não é? A barra mesmo é ter que estar vivo e ter que desdobrar, batalhar um jeito qualquer de ficar numa boa. O meu tem sido olhar pra dentro, devagar, ter muito cuidado com cada palavra, com cada movimento, com cada coisa que me ligue ao de fora. Até que os dois ritmos naturalmente se encaixem outra vez e passem a fluir. Porque não estou fluindo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Deixe que os outros vivam vidas pequenas, mas não você. Deixe que os outros discutam por coisas pequenas, mas não você. Deixe que os outros chorem por pequenas feridas, mas não você. Deixe que os outros deixem os seus futuros nas
mãos de alguma outra pessoa, mas não você.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cuidado com os olhares de quem não sabe te amar...
Eles costumam te fazer esquecer que você vale à pena.
Mas você continua em mim. Eu posso desligar o computador, posso quebrar a televisão, nunca mais ler jornal, fechar os olhos, apertar os punhos, tapar os ouvidos, encher minha boca de tantas outras palavras, de tantos outros cantos que não falem de você.

Mas não, nada adianta.

Não te cantar não significa não te escrever nas minhas entrelinhas, tapar os ouvidos não significa não te ecoar o tempo todo dentro de mim, no escuro do que é ser eu. Murros ao vento não impedem a dor, olhos fechados também conseguem chorar sua ausência. Jornal, Internet, televisão, fax, rádio, código Morse, sinal de fumaça... como se a nossa sintonia dependesse, mesmo, disso.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata.
Quem tenta ajudar um broto a sair da semente o destrói.
Há certas coisas que não podem ser ajudadas, tem que acontecer de dentro para fora.

domingo, 3 de outubro de 2010

Só quem tem o poder de te fazer sentir viva, pode fazer você se sentir morta. Só quem arrepia cada centímetro do seu corpo e faz você sentir o sangue bombear num ritmo charmoso, é capaz de estragar o mundo quando parte.
Você pensa que é forte sendo moralista, respirando fundo, contando até mil, sumindo da festa, rezando, desviando sua atenção, mas ela está lá. Ela está em todos os lugares.
Ela está no vazio que deixou, na dúvida de como poderia ter sido, na esperança do próximo encontro, na consciência leve pela negação. Pecados existem, não os julgados por Deus, não as pecuinhas julgadas pelos humanos. Pecados existem dentro dos corações traidores. Mas se antes meu coração ardeu e se assustou de pecados, agora ele chora de saudade, de covardia e de aceitação. Ele está puro e nem por isso tranqüilo. Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta.
Você está aqui. Em cada linha que eu escrevo tentando ser boa redatora, em cada momento correto que eu me agarro para não deixar você errar, em cada provocação estratégica para você nunca desistir de insistir em errar. Você está aonde eu quero chegar, em tudo que eu quero negar, muito presente. Não quero uma só uma escapadinha, não quero uma vida ao seu lado. Não quero nunca mais te ver. Queria ter dez minutos com você, o bastante para não mudar minha vida em nada. Quero outra vida. Não estou nem aí pra você. Só penso em você. Você é minha amiga, você é uma conhecida, você foi a melhor noite da minha vida. Mais do que qualquer certeza, confusão é paixão. Quis demais que você fosse embora, quis demais que você ficasse pra sempre, quis não pensar, me agarrei numa lógica fria que berrou no meu ouvido que toda ação tem sua reação. Toda traidora tem seu dia de enganada. Toda vontade negada tem seu dia de câncer. Todo silêncio tem seu dia de grito desesperado. Entenda cada som, de cada letra, de cada palavra, de cada frase, de cada sentença, de cada idéia carregada de desejo, como um grito de cada parte do meu corpo que ficou lacônica quando sua presença física me abandonou.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Amor não tem que ser pra sempre. Como já disse o poeta, que seja eterno enquanto dure. Mas não acreditamos que o amor tenha hora marcada pra acontecer. Que saiba a hora exata de chegar e de ir embora. De repente, amamos. De repente, não amamos mais. Assim mesmo, sem aviso prévio, sem data marcada, sem carta na porta. Amamos por diversas razões que desconhecemos. Deixamos de amar por outras que sabemos menos ainda. Desconhecemos razões.
Amamos porque não sabemos amar. Amar é acreditar. Acreditar que pode dar certo. Acreditar em um futuro juntos apesar de. Amar é não ter a mínima pista ou garantia de que pode mesmo dar certo. Amar é um álbum de figurinhas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente. Me lembrei de vários lugares. Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”. E se não tiver mês que vem? Finalmente chorei todos os meus amores que acabaram, todas as portas que eu deixei entreabertas (porque sou péssima em fechá-las) e que se fecharam pela vida: a maioria sumiu, nem sei por onde anda. Alguém quis fazer desses amores perdidos moradias e eu mais uma vez fiquei sem minha placa de “aluga-se”. Enfim chorei o fim de tudo, assim é a vida, uma morte a cada dia. Depois, como sempre, limpei o rosto e continuei.

Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo.
Você teria sido só mais um dos chicletes que masco pra distrair a vida, se não tivesse a capacidade incrivel de recuperar o sabor o tempo todo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eu tenho vontade de matar as pessoas que colocam TUDO no orkut, exemplos: ‘Aiii poque você me deixou! Estou triste’; ‘Feliz porque ele me ama’; ‘Eu não quero mais você’; ‘Minha mãe brigou comigo’; ‘Meu peixe morreu’… etc. Eu tenho vontade de esfregar a cara delas no chão. Tem que sofrer muito, minha filha, tem que ser largada por um milhão de mulheres e vê se aprende que amor não se implora. Vê se aprende que se ela gosta, uma frase no orkut não significa nada. Vê se aprende que se ela não gosta, você pode escrever até o RG dela no seu orkut, ela nem vai ter a capacidade de ler. Aprende. Aprende. Aprende que dói menos.
Eu sei como é se segurar e deixar para chorar só quando ligar o chuveiro, assim ninguém percebe. Eu sei como é refletir sobre a vida antes de dormir e se certificar de que ninguém está ouvindo para começar a soluçar. Eu sei como é sofrer tão dolorosamente que as vezes você precisa fingir que vai ao banheiro, ou beber água, apenas para lavar o rosto e se recompor. Eu sei como é ter os olhos úmidos. Eu sei como é sentir aquele nó enorme na garganta, que se sufoca, até que você cede e chora. Eu sei como é sentar na cama, pegar o travesseiro e chorar tanto, mas tanto, que se surpreende com o rio que voce tem que esconder da sua família. Acredite, eu sei como é tudo isso.

- Porque nos apaixonamos por uma pessoa mesmo sabendo que ela é errada?

- Essa eu sei a resposta. Porque você espera estar enganada, e sempre que ela faz uma coisa que mostra que ela não é boa, você ignora, e sempre que ela age bem e te surpreende, ela te reconquista. E aí você esquece a idéia de que ela não serve pra você.

domingo, 26 de setembro de 2010

“Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Daqui há pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo. Antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer sim, por favor, chegue mais perto

. Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar a minha fragilidade escondida no meu mau-humor.
Eu chorei porque vez ou outra ela ainda bate na minha porta e eu a deixo entrar, e eu sei que isso é medo do tanto que você habita todos os lugares.
Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar, o meu medo de me mostrar pra você tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito.
E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei depois cinco anos escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato.

domingo, 19 de setembro de 2010


Chegarei em casa cansada e, como fazem os imprudentes, por esquecimento, deixarei a porta aberta. Não tenho medo de ladrão. Tenho medo de que você não entre no segundo seguinte. Tenho medo que não tenha sido você a me seguir agora há pouco, no caminho, como medo tenho de que, com a porta aberta, sem você entrar, o telefone não toque depois da próxima respiração.

sábado, 11 de setembro de 2010

Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo. Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelada de bungee jump. Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito.
Mas amor não se pede, imagine só:

-Ei, sua tonta, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença?
Não, não dá pra dizer isso.

Ei, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença?
Não, você não pode dizer isso.

Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença?
Definitivamente, não, melhor não. Amor não se pede, é uma pena.

É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira. É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinha sonhos. Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pra dita cuja e dizer:
-Ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei.

Raiva dela ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dela fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta. Raiva dela ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar. Ela roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia. Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pra menina, porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem.
É triste gostar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar.
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ela sabe.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010


Eu tenho essa urgência de viver, essa pressa de qualquer coisa que ultrapasse a inércia. É isso que me faz jogar dados ao acaso e me atirar de carros em movimento, é por isso que ando longe de viadutos. Meu suicídio diário não é uma forma de morrer. É uma tentativa desesperada de encontrar essa vida, testar minha capacidade de quase ir e voltar, descobrir se eu mereço estar aqui e se existe mesmo um deus. Afinal, ele concorda ou não com a minha maneira de encarar as coisas? Por que não me castiga por ser tão estupidamente desapegada? É minha necessidade de viver que me mata.
Tenho a impressão de ter atingido o auge da minha maturidade, mas não tenho espaço físico ou moral pra existir nessa condição. Estou pronta pra largar tudo pra trás todos os dias, mas algo finca meus pés no chão sem eviso prévio. É preciso ser coerente pra ser aceito, mas como não me contradizer tentando achar um equilíbrio? Como não ser um pouco louca nesse mundo tão absurdo?
Não adianta me oferecer o discurso de faculdade-emprego-família como verdade absoluta. A gente não aprende a viver sentado numa carteira de colégio. Não é a fórmula de Pitágoras ou a definição de pronome oblíquo que vai fazer com que eu seja mais ou menos inteligente. Saber organizar informações burocráticas em série e ser programado roboticamente não faz de ninguém um ser humano repleto. Isso tudo só rende uma possível colocação relevante numa prova de vestibular, um êxtase momentâneo. A vida se aprende nas perdas. É perdendo a liberdade que a gente descobre que não se encaixa, é perdendo alguém que a gente descobre que não vale a pena lutar por futilidades, é perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso. Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecida. Hoje eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto. Eu me libertei da culpa e dei de cara com algo novo: não me encaixo, e aceito. Não é justo perder as asas no momento em que se descobre tê-las. É preciso poder voar, é preciso ter uma visão estratégica das janelas. Ver o sol e não poder tê-lo é absurdo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro. Acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso.
"Quando eu te vi, que te conheci,
Não quis acreditar na solidão e nem demais em nós dois,
pra nao encanar...
Por que você nao olha cara a cara?
fica nesse passa ou não passa...
O que falta é coragem."

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim.

C.F.A
Quando você estiver preparado para fazer uma coisa nova, de uma maneira nova, você fará, com pessoas novas. Há gente à espera da pessoa em que você está se transformando. Se você espera um amor, um emprego, um alguém distante, uma saudade, a eternidade. Ele ou ela, chega, acredite. Mas, você precisa ser forte até lá e estar preparado, pra perceber e para receber isto. Não adianta lamentar, lamentar não é progredir, não é fazer a lição de casa. E ela não se faz sozinha, acredite em mim. Uma vez eu li, em algum lugar, algo assim: "Quando o aluno está pronto, o mestre aparece". Na época, eu não entendia muito bem, hoje faz todo sentido. A pessoa certa, o emprego certo, a chance certa só está esperando você ficar pronto, para aparecer na sua vida. O que você precisa, mais do que o que você quer, vai chegar. Mas, você precisa aceitar isso: Não será do jeito que você quer. Será na medida que você agir, do jeito que você merecer. O amor chega, ele chega. Enquanto isso, não descanse de crescer, aprenda a ser sozinho, é o que acelera a sua vinda. Hoje eu sei. O amor chega pra aqueles que estão cansados, cheios de si mesmos e precisam, não por necessidade, mas por prazer, dar-se a alguém. Você NÃO PRECISA de ninguém, nem ninguém precisa de você. Mas, vocês vão se encontrar, justamente por não se precisarem. E vai ser gostoso estar junto, sem o peso da necessidade. Será leve, e bonito.

domingo, 5 de setembro de 2010

Pensamento vem de fora e pensa que vem de dentro, pensamento que expectora e que no meu peito penso. Pensamento a mil por hora, tormento a todo momento. Por que é que eu penso agora sem o meu consentimento? Se tudo que comemora tem o seu impedimento e tudo aquilo que chora, cresce com o seu fermento; pensamento, dê o fora, saia do meu pensamento. Pensamento, vá embora, desapareça no vento. E não jogarei sementes em cima do seu cimento.

- Arnaldo Antunes.
O importante não é quantas pessoas telefonam pra você, nem com quem você saiu ou está saindo. Também não importa se você nunca namorou ou com quem namorou. O importante não é quem você conhece. O importante não são seus sapatos, nem seus cabelos, nem a cor da sua pele, nem onde você mora, que academia você freqüenta ou o colégio que freqüentou. Na verdade, o importante nunca foram suas notas, seu dinheiro, suas roupas ou se passou na faculdade. O que importa é que você goste do que faz e se valorize por isso. Ninguém paga suas contas além de você mesmo. Na vida, o importante não é ser aceito ou não pelos outros. O importante na vida é quem você ama e quem você fere. É como você se sente em relação a você mesmo. É poder confiar em alguém. É ter do lado amigos de verdade e substituir o ódio por amor. Se tiver inimigos, que isso seja uma escolha deles. O importante na vida é evitar a inveja, não querer o mal dos outros, superar sua própria ignorância e construir uma história bonita. Importante é o que você diz e o significado de suas palavras. É gostar das pessoas pelo que elas são e não pelo que têm. Isso é importante. Poucos ainda sorriem sinceramente e olham nos olhos. Sorria e seja verdadeiro assim mesmo, com você.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010


Prometeu a si mesma:
Não me caberá mais nenhum drama. Só terei esperanças e perspectivas.
Quando algo ensaiar doer, sentirei sono porque acordo cedo no dia seguinte.
Quando um amor ameaçar acabar, lavarei a louça enquanto espero a champagne gelar.
Sempre haverá essa espera por finais:
De semana, de campeonatos, de novelas.
Tudo será esperança de um final eterno desse drama.

(E seguiu comendo os louros que deveria apenas colher...)

Marla de Queiroz

quinta-feira, 2 de setembro de 2010


"Tá vendo aquela lua que brilha lá no céu?
Se você me pedir eu vou buscar só pra te dar.
Se bem que o brilho dela nem se compara ao seu.
Deixa eu te dar um beijo, vou mostrar o tempo que perdeu.
Que coisa louca, eu já sabia, enquanto eu me arrumava algo me dizia:
- Você vai encontrar alguém que vai mudar a sua vida inteira da noite pro dia."

terça-feira, 31 de agosto de 2010


Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.

domingo, 29 de agosto de 2010

Ouça com o coração quando quase lhe parecer silêncio: é o meu amor falando baixinho só pra não acordar o seu medo de amar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010


Além dos meus espinhos eu tenho também muitas flores. E sim, eu posso ser amada. Porque não ter alguém agora, agarrado aos meus pés, não significa não ser um calo persistente até mesmo em solas curtidas e acostumadas com a corrida. Descubro coisas terríveis e maravilhosas a respeito do amor. As coisas são como são. E na hora certa.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Você escreve textos de amor porque, embora diga, ainda não desistiu dele. Eu acho que nunca vai desistir. O mundo caiu na sua cabeça tantas vezes que, você superou os galos e agora anda de capacete, mas continua enxergando os pássaros, o azul do céu e a possibilidade de cura. No fundo, ninguém está e nem vai estar nunca curado; amor é sim, machucado. Mas dói um ardidinho bom, dói profundo aquela dor de chute em quina, que queima por 5 segundos e vem seguida daquele alívio bom, inexplicável que - durante os 5 segundos que durou - o nosso cérebro aguentou porque sabia que ia passar rápido. Talvez devêssemos também usar chuteiras, mas acho que todo mundo vai continuar andando de chinelo.

domingo, 22 de agosto de 2010


O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta, não há e-mails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim, você entende a mensagem.
-Ela colocou o braço em volta do meu pescoço e repousou a cabeça no meu ombro. Senti cheiro de sexo nela. E minha única esperança é de que ela sinta cheiro de amor em mim.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Qual a pena pra alguém que entrou na sua vida, na sua casa, nos seus sonhos, nos seus planos e, num piscar de olhos, destruiu tudo como se tivesse esse direito?

domingo, 15 de agosto de 2010

Sinto uma falta absurda de você. Ficou um vazio que ninguém (pre) enche. E penso e repenso e trepenso em você aí. Tá tudo bem assim. Só que me rouba o sentido- entende?- ou a ilusão de sentido que quero ter de vida, e que é essencial para a minha sobrevivencia.
Me sinto o camelo do poema de Cecilia Meireles, mastigando sua imensa solidão.


C.f.a

sábado, 14 de agosto de 2010

Só me empreste seu rascunho, deixe que eu termino o desenho. Me empreste seu contorno, deixa que eu preencho, recheio, enfio coisas aí. Me empreste isso que é você e que vaga por aí. Eu dou nome e dor e limites e histórias. Eu dou tudo. Deixa. Por favor. Se vire. Se quiser ficar por aqui mais um tempo, se vire. Seja nada. Me deixa fazer. Me empresta sua altura para eu subir. Me empresta seu silêncio para eu morrer. Me empresta sua volta para eu viver. Me empresta sua boca para eu me beijar. Me empresta suas maos para eu me dar carinho. Me empresta sua gana para eu gritar.
Me empresta seu sorriso para eu achar graça na vida. A sua língua para eu me engolir. A sua preguiça para eu cansar um pouco de mim, também preciso disso. E o quente do seu colo para eu dormir comigo. E o seu desejo para eu sentir que piso nesse mundo. Esteja aqui para que eu esteja. Por favor. Só isso. Tenha fome para que eu sobreviva. Pense em mim para que eu exista. Me leia para que eu seja.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Eu sou uma luzinha minúscula no meio da multidão, uma luzinha que pertence ao show mas não tem o que celebrar. Eu sou um pontinho enorme de tristeza e desespero no meio das pessoas enlouquecidas cantando “I can’t live, with or without you”. Eu sou uma pequena voz em meio a tantas pessoas que sofrem. Eu sei, são tantos e maiores os sofrimentos, e eu tenho que ter força, para que pelo menos, ainda que pequena e com vontade de queimar, eu continue ao menos acendendo o meu fogo e fazendo parte da expectativa.
Eu sou um fio de esperança, um fio de alegria, um fio de amor. Eu sou todos os fios que deitaram acalmados pelas suas mãos naquele dia da despedida, se você soubesse que sempre foi só daquele carinho que eu tanto precisava, ele não precisaria ter sido o último.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

É como tomar água morna depois de ter engolido um filtro inteiro de água geladinha. Ninguém nem pensa nisso. Muito amor. De um jeito que era mesmo o que eu achava que existia. E é orgânico dentro da gente ainda que vendo de fora não pareça caber. O corpo dá um jeito. Minha casca reclama mas incha. Tudo faz drama dentro de mim, ainda que nada seja realmente de surpresa. Sentir isso era o casaco de frio que sempre carreguei na bolsa. Cansado, abandonado, amassado, sujo, velho. Mas, de repente, tudo isso desistente tem serventia e a vida te abraça. Sentir isso são os trocos que você guarda pra emergência. Amar grande é gastar reservas e ainda assim ter coragem pra dar o que não se tem. Amar grande é ter vertigem no chão mas sentir um chamado pra voar. Amar grande é essa fome enjoada ou esse enjôo faminto. É o soco do bem na barriga. É mostrar os dentes pra se defender mas acaba em sorriso. É o sal que carrego no fundo falso da bolsa pra quando eu não aguentar a vida. É o açúcar que carrego junto. É tudo que pode sair do controle. É meu corpo caindo pra me dizer que pode dar certo. É o desespero aconchegante.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dia 7: Uma semana que eu não recebo céus lindos que você trazia amarrados na sua moto. Faz muita falta. A saudade fica, mas eu vou embora.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

- Tudo na vida é jeito, sabe? E eu sei que você perdeu alguns dos seus pelo tanto de vezes que a vida fez tudo ser tão difícil pra você. Acontece que algumas pessoas servem somente mesmo pra machucar a gente, e nada nunca volta atrás. O que passou pela gente fica parado no tempo, mas marca pra sempre. Eu aceitei o fato de que algumas coisas simplesmente não são certas pra gente e que ninguém morre por isso, e você deveria também. Se ela não gostou de você, não tem pressa, mas faça o caminho inverso e explique pro seu coração que há de haver alguém que goste, nem que seja você mesma. Como eu te disse outro dia: amor próprio não se vende em loja.
Dia 6: Um dia de cada vez que é pra tudo ficar bem. A vida tira da gente tudo o que a gente gosta, mas esse é o caminho natural e todo mundo aprende isso ainda pequeno, quando o amiguinho da escola tem que mudar de cidade, ou seu irmão arranca a cabeça da sua barbie preferida. Força vem com a gente também. Burrice é não querer aprender usá-la.
- Sabe, não tá legal. Não to conseguindo ser feliz, nem fazer ele feliz.

- É... to pensando na minha cachaça de açaí.



Mulher tem que ser assim.

domingo, 8 de agosto de 2010

Porque por alguma razão maluca a felicidade me escraviza, me paralisa, me faz ficar triste. Eu olho para você e tenho tanta, mas tanta alegria em saber que você existe, que sinto ódio. Ódio de eu não mais esperar por você. Você me roubou de mim mesma. E eu sou tão ciumenta que estou com ciumes de mim. Você me tirou da minha vida incompleta. E me transformou numa completa idiota.
O amor é uma doença. Eu sinto náuseas, febres, dores musculares. Eu acordo assustada no meio da noite. Eu choro à toa. E quando você não está por perto, eu caio. Se eu tentar fugir, escorrego no perfume da minha nova vida. A nova vida que não sei viver. A nova vida que quero viver ao seu lado. Ao lado da menina-mulher que eu odeio porque nunca gostei tanto. Agora eu estou aqui, inconformada com o seu passado, querendo matar suas lembranças. Com ciumes do seu silêncio porque ele está com você há mais tempo do que eu e eu tenho medo do quanto ele te consome, com ciumes do seu sono porque ele te leva do meu foco.
Com raiva da sua importância porque ela me congela, com raiva do tempo que não dura para sempre quando você me olha. Agora eu estou aqui, de quatro, de lingua no chão, virando a cara, dando o peito à soco, tudo isso porque não sei lidar com o mundo girando na minha barriga, a tontura do amor, o enjôo do vício em você, a dor do músculo quando me separo.
Toda essa vontade de superar você logo é só medo de não conseguir te deixar ir nunca.
Dia 5: A gente supera quando percebe que o erro não foi nosso. Que a gente foi o máximo que poderia ser. E que pessoas virão dando mais valor, ou não. Viver não é esperar a tempestade passar e sim saber dançar na chuva.

sábado, 7 de agosto de 2010

Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando a pé pra casa, avariada. Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor. Era melhor.
'Te olho nos olhos e você reclama que te olho muito profundamente. Desculpa, tudo que vivi foi profundamente... Eu te ensinei quem sou e você foi me tirando os espaços entre os abraços. Guarda-me apenas uma fresta. Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem. Até onde posso ir para te resgatar? Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade de me inventar de novo. Desculpa, se te olho profundamente, rente à pele a ponto de ver seus ancestrais nos seus traços, a ponto de ver a estrada muito antes dos seus passos. Eu não vou separar as minhas vitórias dos meus fracassos! Eu não vou renunciar a mim, nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser vibrante, errante, sujo, livre, quente. Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente'.

Ana Carolina
Dia 4: A vida voa na sua cara, esbarra no seu rosto, suja sua vaidade, corrompe suas certezas e você não pode fazer nada. A não ser lavar o rosto e começar tudo de novo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Eu não queria ir embora e esperar o dia seguinte. porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo, se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enrroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum aquilibrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.
Dia 3: Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz.
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É perdendo a liberdade que a gente descobre que não se encaixa, é perdendo alguém que a gente descobre que não vale a pena lutar por futilidades, é perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso. Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecida. Hoje eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto. Eu me libertei da culpa e dei de cara com algo novo: não me encaixo, e aceito. Não é justo perder as asas no momento em que se descobre tê-las. É preciso poder voar, é preciso ter uma visão estratégica das janelas. Ver o sol e não poder tê-lo é absurdo.
"- Só sei que nós nos amamos muito...

- Porque você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?

- Não, eu falei no passado!

- Curioso né? É a mesma conjugação.

- Que língua doida! Quer dizer que NÓS estamos condenados a amar para sempre?

- E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações...

- Pensar assim me assusta.

- Porque? Você acha isso ruim?

- É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais...

- Você usou o verbo 'doer' ou 'doar'?

- [Pausa] Pois é, também dá no mesmo..."

(Gian Fabra)
Eu preciso aprender a ser menos. Menos dramática. Menos intensa. Menos exagerada. Alguém já desejou isso na vida: ser menos? Pois é. Estranho. Mas eu preciso. Nesse minuto, nesse segundo, por favor, me bloqueie o coração, me cale o pensamento, me dê uma droga forte para tranqüilizar a alma. Porque eu preciso. E preciso muito. Eu preciso diminuir o ritmo, abaixar o volume, andar na velocidade permitida, não atropelar quem chega, não tropeçar em mim mesma. Eu preciso respirar. Me aperte o pause, me deixe em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito. Eu preciso desatar o nó. Eu preciso sentir menos, sonhar menos, amar menos, sofrer menos ainda. Aonde está a placa de PARE bem no meio da minha frase? Confesso: eu não consigo. Nada em mim pára, nada em mim é morno, nada é pouco, não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre e me chama. E eu vou... Com o coração na mochila, o lápis borrado, o sorriso e a dúvida, a coragem e o medo, mas vou... Não digo: "estou indo", não digo: "daqui a pouco", nada tem hora a não ser agora. Existe aí algum remedinho para não-sentir? Existe alguma terapia, acupuntura, pedras, cores e aromas para me calar a alma e deixar mudo o pensamento? Quer saber? Existe. Existe e eu preciso. Preciso e não quero.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Dia 2: A gente percebe que não tem nada melhor no mundo do que os amigos. Do que conselhos bem dados. Abraços.
E uma coisa eu aprendi nesse tempo, que uma dor pra passar, tem que ser levada a seu limite. Por isso, não vou evitar musicas que me lembrem, não vou evitar chorar, não vou evitar sentir rasgar o peito, não vou evitar olhar, não vou evitar saber, não vou evitar escrever.
Como disse a mulher mais inteligente que conheço: - Similia Similibus Curantur.
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A gente nunca fica satisfeita com os desfechos de nossos relacionamentos: se não conseguimos esquecer alguém, sofremos. Se conseguimos, lamentamos o quão pueril tornou-se o passado. Senti uma fisgada hoje pela manhã que nada mais era do que a dor da perda, mas não a perda de uma pessoa, e sim de uma fase que poderia ser mais longa. Acho que agora compreendo quando, ao subir uma montanha muito íngreme, recomendam que a gente não olhe para baixo.
Já tive torres internas que foram ao chão. Torres altas demais para mim, torres que nem chegaram a ficar concluídas (as de dentro nunca se concluem), torres que me exigiram esforço e que me deram prazer, até que alguém, com uma frase, ou com um gesto, as fez virem abaixo. Tinha gente dentro, tinha eu.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.
'O que quero dizer é justamente o que estou dizendo. Não estou com pena de mim. Tá tudo bem. Tenho tomado banho, cortado as unhas, escovado os dentes, bebido leite. Meu coração continua batendo - taquicárdico, como sempre. Dá licença, Bob Dylan: it’s all right man, I’m just bleeding. Tá limpo. Sem ironias. Sem engano. Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar.'



Caio F. Abreu
"Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança.
Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranóias, mas nada de grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. Estou todo sensível, as coisas me comovem..."



Caio F. Abreu
'Acendi um incenso.
No rádio, Chico canta Vai passar.
Sim, vai passar. Passa. Passará.'



Caio F.
E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.
Porque eu também não entendo às vezes esses caminhos que a vida tece. E nós que morávamos um no outro, ficamos sem casa. Perdoe a falta de abrigo, é que agora eu moro no caminho.


"O que foi vivido mudará.
O que não foi vivido perturbará.
Todo adeus será covarde."
Fabrício Carpinejar.

"Se nos encontramos por acaso, porque insisto, então, em não nos perder também por acaso? (...)
Em que momento teremos nos perdido, em que olhar, em que noite, em que palavra? Em que piada sem graça, em que gozo forçado, em que indelicadeza? Em que desejo mal realizado? Em que exato momento nosso amor foi-se (...)? Que horas marcava o relógio, você viu? Eu não."

(Nilza Rezende)
É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar. É triste lembrar como eu ria com ela. Mas amor, você sabe, amor não se pede.
Vem de longe, vem no escuro, brota que nem mato que dispensa cuidado e cresce com a mais remota chuva. Vem de dentro e fundo e com urgência. Amor vem de amor. Que não cabe, mas assim mesmo a gente guarda. A gente empurra, dobra, faz força, deixa amassado num canto, no peito, no escuro, dentro, ou larga pegando sereno. Amor vem de amor. Vem do pedaço mais feio, do mais sem palavra, do triste, vem de mãos estendidas. É tecido desfeito pelo tempo, amarelecido pelo tempo, pelo cheiro da gaveta fechada, pelo riscado do sol na madeira. Amor vem de amor. Vem de coisa que arrebata, vira chão, terra, cisco, resto, rastro, coisa para sempre varrida. É delicadeza viva forte violenta. Que faz doer, partir, deixar caído. Amor vem de amor. E dói bonito
Dia 1:
- Como você tá?
- Sem chão
- Você já esteve assim antes...sabia como iria ser.
- Mas é sempre diferente... é diferente agora.
- Vai doer, você vai sentir seu corpo todo contrair, você vai sentir falta de ar, seu coração vai bater descompassado, vai lembrar de musicas e vai chorar, vai lembrar de momentos e vai chorar, vai olhar coisas e vai chorar, vai pensar em tudo que poderia ter sido e vai chorar, vai deitar na cama e vai chorar, o final de semana vai vir, e você vai chorar. É o seu luto, uma fase morreu, e eu acho que você tem que realizar seu luto, tem que viver tudo, tem que deixar acabar, deixar ir... E viver isso sem medo é o melhor.
- Eu sei...
- Eu não vou dizer 'você vai superar isso...' porque a gente vai superar isso juntas, eu to aqui!
A canção tocou na hora errada,
E eu que pensei que eu sabia tudo
Mas se é você eu não sei nada,
Quando ouvi a canção, era madrugada
Eu vi você, até senti tua mão e achei até que me caia bem como uma luva
Mas veio a chuva e ficou tudo tão desigual
Mas guardei tuas cartas com letras de fôrma
Mas já não sei de que forma mesmo você foi embora...
Dia 1: É incrivel como meu cachorro é sensivel. Como ele não sai do meu lado nem um segudo e insiste em laber minhas lagrimas. E me olha com uma cara de 'Não fica assim não. Olha, vou abanar meu rabo e vai ficar tudo bem...'. Mais do que nunca tenho a certeza de que escolhi a profissão certa.

[...]
Dia 1 : A gente acorda e mal sabe quem se é...mas já sabe um motivo pra chorar sem antes nem tomar o primeiro ar da manhã.
A gente se desespera por acordar sem aquela injeção de animo, e no lugar dela, um soco no peito e milhões de pensamentos que se embolam, de tantos que são.
A gente percebe que é infinitamente mais doloroso se perder em vida, do que se perder em morte.

[...]

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mas, por quê?
Porque não ensinam às pessoas, desde bem pequenas, que elas são individuos preciosos? Que devem amar não por carencia, acreditando que desta forma a solidão de suas existencias cessará.
Mas amar com o coração em paz, com a ideia de que nem a pessoa mais intima pode compartilhar a sua dor.
O homem deve cultivar a si mesmo com amor e cuidado. Acreditar-se eterno. Ser para si proprio eterno, afinal, é certo que você será aquele quem mais tempo lhe fará companhia. E deixar o amor livre dessa obrigação.

Deve o homem acreditar na durabilidade do amor, mas nunca forçá-lo a isso.
Olá, melhor amigo. Lá vamos nós de novo...

sábado, 31 de julho de 2010


Intimidade é quando a vida da gente relaxa diante de outra vida e respira macio. Não há porque se defender de coisa alguma nem porque se esforçar para o que quer que seja. O coração pode espalhar os seus brinquedos. Cantar a música que cada instante compõe. Bordar cada encontro com as linhas do seu próprio novelo. Contar as paisagens que vê enquanto cria o caminho. Andar descalço, sem medo de ferir os pés.
Então ela perguntou, assustada:
- Você pode segurar o meu medo um instante?

E ele respondeu:
- Um instante é muito no lugar de onde você vem?
- Porque eu pretendo passar a noite, a vida inteira, aqui, com você.

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ver além dos olhos, de ouvir além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio, tão clara, no próprio coração. Essa sensação, às vezes, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói ser ferido. Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, de fazer a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe. Essa possibilidade de experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a idéia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.
Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

"E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."
C.F.A

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
C.F.A

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"Mas eu gostava dela, dia mais dia, mais gostava. Digo ao senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ela estar perto de mim, e nada me faltava. Era ela fechar a cara e estar tristonha, e eu perdia meu sossego."
"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca,
para sempre.
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando
passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira"

terça-feira, 27 de julho de 2010

- Eu nunca consegui entender como você consegue ser assim!
- Porque quem tem a melhor intenção, o melhor no coração, cedo, tarde, amanhã, algum dia, recebe tudo em troca, em dobro.
Quando algo começar a te enlouquecer, enfernizar ou surtar, use a técnica dos grandes admiradores de arte: recue diante da tela, mude de ângulo em relação a ela, observe as cores, os traços e os detalhes que, na correria, sempre passam despercebidos. Então notará que ela é muito mais do que aquele ponto preto que ficava, insistente, diante dos seus olhos. Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É questão de perspectiva.
Desejo que o seu melhor sorriso, esse aí tão lindo, aconteça incontáveis vezes pelo caminho.
Que cada um deles crie mais espaço em você. Que cada um deles cure um pouco mais o que ainda lhe dói. Que cada um deles cante uma luz que, mesmo que ninguém perceba, amacie um bocadinho as durezas do mundo.
É preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida. A música. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os reis magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza.

segunda-feira, 26 de julho de 2010


Eu nunca quis tanto ser o futuro de alguém. Eu nunca quis tanto valer a pena. Eu nunca quis tanto fazer o certo. Eu nunca quis tanto ser perfeita. Eu nunca quis tanto alguém tão perto. Eu nunca quis tanto esperar. Eu nunca quis tanto entender. Eu nunca quis tanto fazer por onde. Eu nunca quis tanto me dar. Eu nunca quis tanto receber. Talvez porque eu nunca tive alguém por quem valesse tanto a pena.

"Minhas páginas podem ser repetitivas e vezenquando monótonas, só quero que você não largue o livro na metade. Insista, resista, persista. Mesmo que o sono chegue ou o tédio se instale siga em frente com o livro em mãos. E se faltar luz, por favor, pegue uma lanterna e vá até o fim. Mas vá! Preste atenção em cada linha, no que foi dito e no que ficou por dizer..."

domingo, 18 de julho de 2010

Mudei porque amadureci, mudei porque passei por tantas e tão diversas experiências, que consegui aprender com meus próprios erros. Mudei porque me decepcionei com alguns que se diziam amigos, mudei porque me decepcionei com amores. Mudei porque conheci pessoas tão especiais que fui capaz de me inspirar por elas e me espelhar nelas para me tornar uma pessoa diferente, melhor. O tempo passou, eu mudei e nem tudo, nem todos, me acompanharam.

sábado, 17 de julho de 2010

Ela é a dona das cores e palavras doces. De cores e palavras doces, eu gosto. Ela é a dona do sorriso e olhar mais lindos desse mundo. Não, acho que ela não sabe que é dona do sorriso e do olhar mais ternos desse mundo, que tem um abraço que dá vontade de morar dentro e que eu não queria que ela fosse embora nunca mais. Mas sinto que ela percebe. E quando eu olhei pra ela, deitada na minha cama, fazendo parte de mim, senti um daqueles instantes de felicidade que enchem o peito de um não sei quê de ternura e desanuvia a confusão dos dias. Aí pensei que podia passar horas ali sem nenhum movimentos mais, mesmo com a vida correndo lá fora. Porque a pressa que mora aqui dentro, desacelerou. Eu começava e terminava naquele exato momento, sabe como é? Asiim: sem antes, nem depois. Ela é o sorriso dos meus dias mais azuis e amarelos e rodas e verdinhos. A palavra mais doce de sentir, o tão doce de olhar. Então quando aconteceu de não saber o que sentia por ela, fechei os olhos e sorri bobo, me sentindo tão boba e não me importando porque acho que bobo é quem não se deixa levar assim. Eu me entrego.

domingo, 11 de julho de 2010

Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tenho, é seu.
Domingo é o meu inferno astral. Duvido que haja algo mais entediante. É dia de descansar, de almoço em familia, de ir ao parque: o domingo é benevolente demais. Não tem a malicia do sabado nem a determinação da segunda. É um dia em cima do muro, não é dia de festa e nem de trabalho. Nem lá, nem cá. Nem mais, nem menos. Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estavamos mas ainda não chegamos onde queremos. Viajar de avião, por exemplo. Tem coisa que nos deixe mais sem chão, literalmente? Estrada tem ao menos a paisagem pra distrair, e quem quiser sair do carro, sai. Mas você não pode sair de um avião. Nem de um domingo.

sábado, 10 de julho de 2010

Eu escrevo teu nome nessas pedras, que vou jogando por onde passo. No fundo, espero que você me siga, mas não tenho coragem de pedir. Aí, tem gente que vem, sem nem ser chamado, sem nem se importar com o fato do nome escrito ali, ser outro. As pessoas não ligam pra essas coisas, não ligam para essas 'pequenezas', sabe? Eu ligo. Ligo pra tudo. Sou mais detalhes, que do todo. Sempre fui. O fato é que fico olhando pra trás pra ver se você tá vindo e já tropecei umas quantas vezes. Esses dias mais. Isso porque não sinto teu cheiro no ar, não ouço teu riso passeando pelas horas. E sinto falta. E sinto um quase-medo. Embora, não tenha a menor ideia de quê. Sabe quando você pressente o monstro no escuro, mesmo sem poder vê-lo? É assim. Não sei se você entende, não sei se alguém entende e, realmente, não me importo. Não me importo mais com um monte de coisas. Dos benefícios do tempo. Hoje, parei e sentei bem aqui na beira desse rio que me atravessa. Só pra te sentir bem forte e te fazer sentir amor do lado de lá. Sim, porque você ainda não atravessou a ponte, bem sei. Tenho andado demais, jogado pedras demais, esperando demais que você me alcance. Não te peço pressa. Porque sabe, né? É a inimiga da perfeição.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde.Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados na sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Você agüentaria conhecer minha verdade? Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser louca, estranha, linda, chata! Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Tenho uma tpm horrivel. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir. Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir... Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome. (Meu coração é minha razão. Essa é a lógica que inventei pra mim).

terça-feira, 6 de julho de 2010


A felicidade entrou com o pé na porta e sentou ao meu lado. O dia meio cinzento, vai-não-vai e de repente ela surge amarela e esquenta a vida. Ela mora numa gaveta cheia de bobeirinhas lá em casa. Ela toma banho comigo quando a água leva embora coisa ruim e renova a alma e dorme ao meu lado quando eu descanso.

segunda-feira, 5 de julho de 2010




Desde que você chegou, me tornei um relicário dos seus beijos soprados. Meu coração só registra carinhos.
Meu amor é conjugado no infinito. Minhas orações já não se subordinam. E há noites em que o único sentido que encontro, é o de te observar. Me torno sua plateia. Vejo várias de você, e me perco naquela que você é.
Você é mais que um sorriso timido, daqueles de canto de boca. Você é mais do que os movimentos delicados. Você é a mais do que a inteligencia aflorada. Você é a sensibilidade de alguém que não entende o que veio fazer nessa vida, mas mesmo assim, vive.

Você existe em mim do jeito mais lindo que alguém poderia existir.
Não me importa o quanto vai durar. É infinito agora.

sábado, 3 de julho de 2010

Quando a minha face tiver dobrinhas, quero alguém que ainda assim me ache bonita, quando eu sequer enxergar nitidamente, quero alguém que diga que a culpa não é minha, quando eu me sentir fraca e andar vagarosamente quero alguém que me diga que ''a pressa é inimiga da perfeição'', quando eu não puder subir uma escada quero alguém que me diga que ja vivi muito, já subi muito... Quando eu perceber os meus olhos fundos, o meu corpo ondulatório, minha pele com rugas, não quero entristecer. Quando a juventude me faltar, quero ter ao meu lado alguém como eu, que este me ache bela e que a imagem que os seus olhos verão seja a verdadeira. Quero alguém que diga que o meu espelho é que começou a falhar.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Todo o meu corpo pede você. Com alma, dentes e palavras. Quem seria tão delicada com minhas intimidades? Quem seria tão íntima de minhas delicadezas? Quem seria tão mulher pra me roubar do mundo? Quem seria tão menina pra entrar no meu mundo encantado? Quem seria tão sonhadora pra voar junto comigo? Quem seria tão pé no chão pra me fazer sentir segura? Quem seria assim tão de verdade quanto eu? Quem se encaixaria tão bem na minha vida? E nos meus abraços? Quem estaria nos meus sonhos? Quem seria da cor do meu desejo, do tamanho que me completa e do gosto que me agrada? Quem teria a temperatura do corpo sempre ao contrário da minha? Quem teria esse jeito que só você tem? Quem eu gotaria tanto assim? Pra quem eu diria tudo sem medo? Encontrei minha paz no teu sorriso. E deixei que o meu sorriso te inspirasse paz.

domingo, 27 de junho de 2010


Queria poder te dar muito mais que você tem, te oferecer toda estabilidade..

Me fazer simples, pra me tornar clara pra você..

Te fazer entender tudo o que está aqui dentro e que por algum motivo não consigo transparecer...

Mas embora pareça difícil garantir tudo isso, nos mais puros gestos, de alguma forma ou de outra, te digo e te proporciono muito mais.

Aprenda a ler as entrelinhas do meu sorriso, a enxergar o que os meus olhos realmente querem te mostrar, olhe e veja não só o material, mas tudo o que te rodeia, tudo que embora não seja concreto, existe e proporciona a harmonia que torna os nossos momentos perfeitos.

sábado, 26 de junho de 2010

- Devíamos ter mais opções de escolha.
- Como assim?
- Escolher de quem gostar, por exemplo...
- Isso não dá.
- E se desse, o que você faria?
- Ainda assim escolheria você.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

E sem motivo algum ou explicação, você deixou o posto de mais uma no meio de tantos e passou a ser a ‘única’, aquela capaz de roubar todos os espaços.. de me tomar por completa pra você e da fim a tudo que por um motivo ou outro nos criam distâncias. Distancias estas que provocam dor, saudade, vontade de estar ainda mais próxima.. e assim, poder completar todos os seus momentos, e suprir todas suas expectativas..

Cuidar de você e te mostrar a cada dia a importância que você tem e a real falta que você faz!

“Saber que você existe, me faz seguir em frente..”

"E no meio de tanta gente eu encontrei você"

Você cresceu em mim de um jeito completamente inesperado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressiva não, esperava de você apenas coisas assim, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num vaso pequeno, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mas eu precisava, de algum jeito, mostrar com palavras minhas, tudo o que eu tenho aqui dentro e não consigo porque a felicidade aguda me emudeceu de uma forma que eu nunca tinha presenciado antes. Eu fico muda pensando em todas as coisas que eu queria dizer e não consigo e acabo meio que asfixiada no turbilhão de sentimentos que estão aqui dentro desse coração e tão estampados na minha cara que só alguém bem idiota não conseguiria perceber. Eu tento me aliviar do seu cheiro, da sua forma e da sua presença pra ver se encho meus pulmões de ar, oxigenando meu cérebro, pra conseguir a explicação plausível pra tanta felicidade.
Eu que sempre fui tão racional.
Mas aí eu percebo que você está em toda parte e respirar você é muito mais perfeito do que qualquer suspiro forçado seria na sua ausência. Eu não quero nunca a sua ausência. E, se esse for um pré-requisito, também não quero nunca minha inspiração de volta.
Obrigada por ter feito dessa hipotética mulher, uma mulher irritantemente feliz de verdade.
Não sei, deixo rolar...
Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração eu sigo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Quando ela sorri desarmada, limitada e impotente, para todas as minhas dúvidas, inconstâncias e chatices, eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisa. Ela não faz muito pela minha angústia existencial, até por não saber. E consegue tudo de mim. Consegue até o que ninguém nunca conseguiu: me deixar leve. Ai voce se pergunta: Te faz se sentir leve como?!
Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para a sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe ter fome de mundo segundos depois de falar com ela? Sabe não aguentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e tudo que pode dar errado? É, ela me faz sentir tudo isso de um jeito "leve".


terça-feira, 15 de junho de 2010

É você a pequena que enxergo grande. É você na delicadeza que me envolve. É você na manhã, no ‘bom dia’. É você no meu colo. É você comigo na cama. É você no cheiro do meu quarto. É você na minha sala. É você. É você nas caretas. É você na parede. É você no suor, no sorriso cansado. É você. É você na pele e no arrepio do toque. É você. É você no carinho calado. É você no pensamento, sempre. É você. É você no quarto escuro. É você que me aquece. É você que me faz rir. É você . É você me deixando boba. É você que me refresca. É você nas madrugadas acordadas. É você. É você no filme com pipoca. É você o que eu quero. É você, só você.
"...Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar..."

segunda-feira, 14 de junho de 2010

E nada tira da minha cabeça que valeu a pena esperar esse tanto, e que, se fosse preciso, eu esperaria tudo de novo.
A gente se apaixona pelo jeito da pessoa. Não é porque ela cita Camões, não é porque ela tem olhos azuis. É o jeito dela de dizer versos em voz alta como se ela mesmo os tivesse escrito pra nós; é o jeito dela de piscar demorado seus olhos, como se estivesse em câmera lenta. O jeito de caminhar. O jeito de passar a mão no cabelo. O jeito de suspirar no final das frases. O jeito de beijar. O jeito de sorrir. Vá tentar explicar isso!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituosa. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseira e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escrava minha, nem filha minha, nem minha mãe. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.


Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música. Goste de um esporte não muito banal. Olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

terça-feira, 8 de junho de 2010


Tempo de dar colo, tempo de decolar. O que há é o que é, e o que será nascerá, nascerá.

domingo, 6 de junho de 2010

Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doce os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. Que sejam doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. Que seja doce. Que sejamos doce. E seremos; eu sei.