Que seja doce...

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domingo, 24 de outubro de 2010

Sim, eu estou cansada. Não, eu não aguento mais machucar meu coração. Não suporto mais me decepcionar com as pessoas, descobrir que elas não gostavam de mim ou que elas não gostavam sequer delas mesmas. Será que já não gastei toda a minha cota de desilusões pelas próximas dez encarnações? Alguém aí que comanda esse mundo: deve ser a vez de outra pessoa sofrer, não? Na próxima, me pula, por favor. Já não consigo mais me despedir de beijos, ter que apagar telefones, e encontrar tanta gente no mundo que quer tudo, menos viver um amor. Será que o problema sou eu? É tanta pancada que eu já chego a duvidar de mim. Mas não deve ser, ou eu não estaria preocupada com isso, eu não me importaria.
Eu só peço para não perder a esperança, para não deixar de acreditar. E eu peço também para não me iludir tão fácil. Não, eu não posso mais me entregar tão fácil, eu preciso entender que existem pessoas especialmente canalhas no mundo, gente capaz de tudo e que não se importa com nada, muito menos comigo. Então, um último pedido de um coração cansado, por favor, não me leve para sua vida se eu não vou poder ficar, não me leve para a sua casa se eu vou ter que arrumar o lençol para você receber a próxima, não seja carinhosa comigo, se não consegue segurar essa máscara até o final. Me diga a verdade, me mostre quem é você.
Não que eu queira alguém perfeito, mas eu preciso saber se eu aguento o seu defeito. Então, sem truques, somos todos adultos, ou é hora de começarmos a ser. Se quer só se aproveitar de mim, me avisa, quem sabe eu não aceito? Mas me avisa, não seja covarde. Pague o preço, chegue cedo, não tenha medo, eu posso fazer valer a pena. Não precisa ser o dia inteiro, mas na maior parte do tempo, eu imploro, me faça feliz! Ou me informe com antecedência caso não tenha a intenção de fazer. É a minha vida, é o meu coração, eu tenho o direito de saber. Eu preciso contar uma nova história, eu preciso escrever outras palavras, eu preciso mais do que nunca de um final feliz sem fim.

sábado, 23 de outubro de 2010

Bem que podiam vender curativos pra colar corações quebrados. Daqueles bem fortes, a prova d'água. Tantos lugares pra se cuidar do corpo, e ainda não inventaram as benditas pílulas da alma. Poderiam vender assim como vendem mertiolate. "Me veja uma dose de paz por favor". Poderia existir médicos especializados em cada tipo de doença. Um para dor da perda, um para tristeza da partida. Você poderia ver lojas com cartazes com "cansado do egoísmo humano? leve uma dose de altruísmo pela metade do preço". A felicidade seria como um pó mágico que você espalha por onde passa, fazendo felizes as pessoas ao seu redor. Mas como você sabe, as coisas não são bem assim. Talvez os farmacêuticos ainda não tenham descoberto que joelhos ralados, doem menos que corações partidos.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Você nunca pediu mais do que eu podia dar e eu sempre quis mais, quis menos, sempre quis diferente. Você nunca exigiu nada de mim, só queria minha existência e eu não soube nem existir pra você.
Desculpa, eu sei que não faz sentido te escrever agora e já faz tempo desde que esse sentido sumiu. Por minha culpa. Mas é que hoje tem tanta gente aqui e ninguém me vê... Você me viu num momento desses e é do seu olhar que eu sinto falta. Do mundo parando só pra você ser minha.

domingo, 17 de outubro de 2010

Cansei de escrever abobrinhas, de contar como amo e amei... Aff coisa mais deturpada.
Prefiro agora contar como consigo dançar sobre os escombros desse mundo caido. Onde nem os anjos conseguem me protejer de mim mesma. Sabe esse abismo todo que nos cerca cheio de criaturas horrendas e vis?... Sabe essas cicatrizes que ocupam a maior parte do meu corpo? elas não estão aí por acaso, ganhei quando desafiei e andei sobre a linha tenue entre a lucidez e a loucura, querendo me expor aos meus proprios limites consegui essas marcas honradas e legitimas, daqueles que não tem medo de brincar com o fogo de seus sentimentos. Mesmo que essa marca seja eterna, eu sei agora como lutar com os monstros lá fora e estou em vantagem, posto que eles não sabem quase nada sobre mim. Mulher, que para todos é sinomino de fraqueza, não tem medo de usar as armas que a vida lhe condecorou. E é disso que todos esquecem. Que quando uma mulher se torna forte, ela fica increvelmente forte. Estou aqui na beira do abismo, mesmo tendo uma acrofobia consideravel, contemplando o monstro que me contempla e quando ele pisca eu pulo e me jogo de cabeça nesse territorio que varias vezes antes escapei. Não sei se dessa vez serei vitoriosa, mas sei que derrubarei varios antes de cair.

sábado, 16 de outubro de 2010

- Não acho que ele tenha culpa de nada.
-Porque você tem a culpa.
-Para de ficar esfregando a culpa na minha cara.
-Mas não foi não?
- E qual o tesão de ficar esfregando na minha cara? já não falei que me arrependi? eu tenho coragem de voltar atras e você? aaah, então pronto. Aquela desculpa de 'tarde demais', né? deixa a vida passar mesmo, vai que acontece alguma coisa comigo ou alguma coisa com você, minha conciencia ta limpa de que eu tentei de novo.
- Você me magoou demais.
- Eu quero fazer as coisas diferentes. Eu aprendi demais com esse tempo, com tudo que eu fiz. Eu acho que o maior erro da humanidade não é errar em si, mas é nao dar chance pra aqueles que erraram de voltar atras e tentar refazer as coisas. Porque quando a pessoa erra e vê as merdas que dão, ela se empenha mais em fazer o certo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tudo isso dói. Mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque dever ser assim, e virá outro ciclo, depois. Para me dar força, escrevi no espelho do meu quarto:¨Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é? É o que estou tentando vivenciar. Certo, muitas ilusões dançaram mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas. Também não quero dramatizar e fazer dos problemas reais monstros insolúveis,becos-sem-saída. Nada é muito terrível. Só viver, não é? A barra mesmo é ter que estar vivo e ter que desdobrar, batalhar um jeito qualquer de ficar numa boa. O meu tem sido olhar pra dentro, devagar, ter muito cuidado com cada palavra, com cada movimento, com cada coisa que me ligue ao de fora. Até que os dois ritmos naturalmente se encaixem outra vez e passem a fluir. Porque não estou fluindo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Deixe que os outros vivam vidas pequenas, mas não você. Deixe que os outros discutam por coisas pequenas, mas não você. Deixe que os outros chorem por pequenas feridas, mas não você. Deixe que os outros deixem os seus futuros nas
mãos de alguma outra pessoa, mas não você.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cuidado com os olhares de quem não sabe te amar...
Eles costumam te fazer esquecer que você vale à pena.
Mas você continua em mim. Eu posso desligar o computador, posso quebrar a televisão, nunca mais ler jornal, fechar os olhos, apertar os punhos, tapar os ouvidos, encher minha boca de tantas outras palavras, de tantos outros cantos que não falem de você.

Mas não, nada adianta.

Não te cantar não significa não te escrever nas minhas entrelinhas, tapar os ouvidos não significa não te ecoar o tempo todo dentro de mim, no escuro do que é ser eu. Murros ao vento não impedem a dor, olhos fechados também conseguem chorar sua ausência. Jornal, Internet, televisão, fax, rádio, código Morse, sinal de fumaça... como se a nossa sintonia dependesse, mesmo, disso.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata.
Quem tenta ajudar um broto a sair da semente o destrói.
Há certas coisas que não podem ser ajudadas, tem que acontecer de dentro para fora.

domingo, 3 de outubro de 2010

Só quem tem o poder de te fazer sentir viva, pode fazer você se sentir morta. Só quem arrepia cada centímetro do seu corpo e faz você sentir o sangue bombear num ritmo charmoso, é capaz de estragar o mundo quando parte.
Você pensa que é forte sendo moralista, respirando fundo, contando até mil, sumindo da festa, rezando, desviando sua atenção, mas ela está lá. Ela está em todos os lugares.
Ela está no vazio que deixou, na dúvida de como poderia ter sido, na esperança do próximo encontro, na consciência leve pela negação. Pecados existem, não os julgados por Deus, não as pecuinhas julgadas pelos humanos. Pecados existem dentro dos corações traidores. Mas se antes meu coração ardeu e se assustou de pecados, agora ele chora de saudade, de covardia e de aceitação. Ele está puro e nem por isso tranqüilo. Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta.
Você está aqui. Em cada linha que eu escrevo tentando ser boa redatora, em cada momento correto que eu me agarro para não deixar você errar, em cada provocação estratégica para você nunca desistir de insistir em errar. Você está aonde eu quero chegar, em tudo que eu quero negar, muito presente. Não quero uma só uma escapadinha, não quero uma vida ao seu lado. Não quero nunca mais te ver. Queria ter dez minutos com você, o bastante para não mudar minha vida em nada. Quero outra vida. Não estou nem aí pra você. Só penso em você. Você é minha amiga, você é uma conhecida, você foi a melhor noite da minha vida. Mais do que qualquer certeza, confusão é paixão. Quis demais que você fosse embora, quis demais que você ficasse pra sempre, quis não pensar, me agarrei numa lógica fria que berrou no meu ouvido que toda ação tem sua reação. Toda traidora tem seu dia de enganada. Toda vontade negada tem seu dia de câncer. Todo silêncio tem seu dia de grito desesperado. Entenda cada som, de cada letra, de cada palavra, de cada frase, de cada sentença, de cada idéia carregada de desejo, como um grito de cada parte do meu corpo que ficou lacônica quando sua presença física me abandonou.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Amor não tem que ser pra sempre. Como já disse o poeta, que seja eterno enquanto dure. Mas não acreditamos que o amor tenha hora marcada pra acontecer. Que saiba a hora exata de chegar e de ir embora. De repente, amamos. De repente, não amamos mais. Assim mesmo, sem aviso prévio, sem data marcada, sem carta na porta. Amamos por diversas razões que desconhecemos. Deixamos de amar por outras que sabemos menos ainda. Desconhecemos razões.
Amamos porque não sabemos amar. Amar é acreditar. Acreditar que pode dar certo. Acreditar em um futuro juntos apesar de. Amar é não ter a mínima pista ou garantia de que pode mesmo dar certo. Amar é um álbum de figurinhas.