Que seja doce...

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terça-feira, 31 de agosto de 2010


Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.

domingo, 29 de agosto de 2010

Ouça com o coração quando quase lhe parecer silêncio: é o meu amor falando baixinho só pra não acordar o seu medo de amar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010


Além dos meus espinhos eu tenho também muitas flores. E sim, eu posso ser amada. Porque não ter alguém agora, agarrado aos meus pés, não significa não ser um calo persistente até mesmo em solas curtidas e acostumadas com a corrida. Descubro coisas terríveis e maravilhosas a respeito do amor. As coisas são como são. E na hora certa.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Você escreve textos de amor porque, embora diga, ainda não desistiu dele. Eu acho que nunca vai desistir. O mundo caiu na sua cabeça tantas vezes que, você superou os galos e agora anda de capacete, mas continua enxergando os pássaros, o azul do céu e a possibilidade de cura. No fundo, ninguém está e nem vai estar nunca curado; amor é sim, machucado. Mas dói um ardidinho bom, dói profundo aquela dor de chute em quina, que queima por 5 segundos e vem seguida daquele alívio bom, inexplicável que - durante os 5 segundos que durou - o nosso cérebro aguentou porque sabia que ia passar rápido. Talvez devêssemos também usar chuteiras, mas acho que todo mundo vai continuar andando de chinelo.

domingo, 22 de agosto de 2010


O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto.
É quando ninguém bate à nossa porta, não há e-mails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim, você entende a mensagem.
-Ela colocou o braço em volta do meu pescoço e repousou a cabeça no meu ombro. Senti cheiro de sexo nela. E minha única esperança é de que ela sinta cheiro de amor em mim.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Qual a pena pra alguém que entrou na sua vida, na sua casa, nos seus sonhos, nos seus planos e, num piscar de olhos, destruiu tudo como se tivesse esse direito?

domingo, 15 de agosto de 2010

Sinto uma falta absurda de você. Ficou um vazio que ninguém (pre) enche. E penso e repenso e trepenso em você aí. Tá tudo bem assim. Só que me rouba o sentido- entende?- ou a ilusão de sentido que quero ter de vida, e que é essencial para a minha sobrevivencia.
Me sinto o camelo do poema de Cecilia Meireles, mastigando sua imensa solidão.


C.f.a

sábado, 14 de agosto de 2010

Só me empreste seu rascunho, deixe que eu termino o desenho. Me empreste seu contorno, deixa que eu preencho, recheio, enfio coisas aí. Me empreste isso que é você e que vaga por aí. Eu dou nome e dor e limites e histórias. Eu dou tudo. Deixa. Por favor. Se vire. Se quiser ficar por aqui mais um tempo, se vire. Seja nada. Me deixa fazer. Me empresta sua altura para eu subir. Me empresta seu silêncio para eu morrer. Me empresta sua volta para eu viver. Me empresta sua boca para eu me beijar. Me empresta suas maos para eu me dar carinho. Me empresta sua gana para eu gritar.
Me empresta seu sorriso para eu achar graça na vida. A sua língua para eu me engolir. A sua preguiça para eu cansar um pouco de mim, também preciso disso. E o quente do seu colo para eu dormir comigo. E o seu desejo para eu sentir que piso nesse mundo. Esteja aqui para que eu esteja. Por favor. Só isso. Tenha fome para que eu sobreviva. Pense em mim para que eu exista. Me leia para que eu seja.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Eu sou uma luzinha minúscula no meio da multidão, uma luzinha que pertence ao show mas não tem o que celebrar. Eu sou um pontinho enorme de tristeza e desespero no meio das pessoas enlouquecidas cantando “I can’t live, with or without you”. Eu sou uma pequena voz em meio a tantas pessoas que sofrem. Eu sei, são tantos e maiores os sofrimentos, e eu tenho que ter força, para que pelo menos, ainda que pequena e com vontade de queimar, eu continue ao menos acendendo o meu fogo e fazendo parte da expectativa.
Eu sou um fio de esperança, um fio de alegria, um fio de amor. Eu sou todos os fios que deitaram acalmados pelas suas mãos naquele dia da despedida, se você soubesse que sempre foi só daquele carinho que eu tanto precisava, ele não precisaria ter sido o último.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

É como tomar água morna depois de ter engolido um filtro inteiro de água geladinha. Ninguém nem pensa nisso. Muito amor. De um jeito que era mesmo o que eu achava que existia. E é orgânico dentro da gente ainda que vendo de fora não pareça caber. O corpo dá um jeito. Minha casca reclama mas incha. Tudo faz drama dentro de mim, ainda que nada seja realmente de surpresa. Sentir isso era o casaco de frio que sempre carreguei na bolsa. Cansado, abandonado, amassado, sujo, velho. Mas, de repente, tudo isso desistente tem serventia e a vida te abraça. Sentir isso são os trocos que você guarda pra emergência. Amar grande é gastar reservas e ainda assim ter coragem pra dar o que não se tem. Amar grande é ter vertigem no chão mas sentir um chamado pra voar. Amar grande é essa fome enjoada ou esse enjôo faminto. É o soco do bem na barriga. É mostrar os dentes pra se defender mas acaba em sorriso. É o sal que carrego no fundo falso da bolsa pra quando eu não aguentar a vida. É o açúcar que carrego junto. É tudo que pode sair do controle. É meu corpo caindo pra me dizer que pode dar certo. É o desespero aconchegante.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dia 7: Uma semana que eu não recebo céus lindos que você trazia amarrados na sua moto. Faz muita falta. A saudade fica, mas eu vou embora.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

- Tudo na vida é jeito, sabe? E eu sei que você perdeu alguns dos seus pelo tanto de vezes que a vida fez tudo ser tão difícil pra você. Acontece que algumas pessoas servem somente mesmo pra machucar a gente, e nada nunca volta atrás. O que passou pela gente fica parado no tempo, mas marca pra sempre. Eu aceitei o fato de que algumas coisas simplesmente não são certas pra gente e que ninguém morre por isso, e você deveria também. Se ela não gostou de você, não tem pressa, mas faça o caminho inverso e explique pro seu coração que há de haver alguém que goste, nem que seja você mesma. Como eu te disse outro dia: amor próprio não se vende em loja.
Dia 6: Um dia de cada vez que é pra tudo ficar bem. A vida tira da gente tudo o que a gente gosta, mas esse é o caminho natural e todo mundo aprende isso ainda pequeno, quando o amiguinho da escola tem que mudar de cidade, ou seu irmão arranca a cabeça da sua barbie preferida. Força vem com a gente também. Burrice é não querer aprender usá-la.
- Sabe, não tá legal. Não to conseguindo ser feliz, nem fazer ele feliz.

- É... to pensando na minha cachaça de açaí.



Mulher tem que ser assim.

domingo, 8 de agosto de 2010

Porque por alguma razão maluca a felicidade me escraviza, me paralisa, me faz ficar triste. Eu olho para você e tenho tanta, mas tanta alegria em saber que você existe, que sinto ódio. Ódio de eu não mais esperar por você. Você me roubou de mim mesma. E eu sou tão ciumenta que estou com ciumes de mim. Você me tirou da minha vida incompleta. E me transformou numa completa idiota.
O amor é uma doença. Eu sinto náuseas, febres, dores musculares. Eu acordo assustada no meio da noite. Eu choro à toa. E quando você não está por perto, eu caio. Se eu tentar fugir, escorrego no perfume da minha nova vida. A nova vida que não sei viver. A nova vida que quero viver ao seu lado. Ao lado da menina-mulher que eu odeio porque nunca gostei tanto. Agora eu estou aqui, inconformada com o seu passado, querendo matar suas lembranças. Com ciumes do seu silêncio porque ele está com você há mais tempo do que eu e eu tenho medo do quanto ele te consome, com ciumes do seu sono porque ele te leva do meu foco.
Com raiva da sua importância porque ela me congela, com raiva do tempo que não dura para sempre quando você me olha. Agora eu estou aqui, de quatro, de lingua no chão, virando a cara, dando o peito à soco, tudo isso porque não sei lidar com o mundo girando na minha barriga, a tontura do amor, o enjôo do vício em você, a dor do músculo quando me separo.
Toda essa vontade de superar você logo é só medo de não conseguir te deixar ir nunca.
Dia 5: A gente supera quando percebe que o erro não foi nosso. Que a gente foi o máximo que poderia ser. E que pessoas virão dando mais valor, ou não. Viver não é esperar a tempestade passar e sim saber dançar na chuva.

sábado, 7 de agosto de 2010

Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando a pé pra casa, avariada. Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor. Era melhor.
'Te olho nos olhos e você reclama que te olho muito profundamente. Desculpa, tudo que vivi foi profundamente... Eu te ensinei quem sou e você foi me tirando os espaços entre os abraços. Guarda-me apenas uma fresta. Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem. Até onde posso ir para te resgatar? Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade de me inventar de novo. Desculpa, se te olho profundamente, rente à pele a ponto de ver seus ancestrais nos seus traços, a ponto de ver a estrada muito antes dos seus passos. Eu não vou separar as minhas vitórias dos meus fracassos! Eu não vou renunciar a mim, nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser vibrante, errante, sujo, livre, quente. Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente'.

Ana Carolina
Dia 4: A vida voa na sua cara, esbarra no seu rosto, suja sua vaidade, corrompe suas certezas e você não pode fazer nada. A não ser lavar o rosto e começar tudo de novo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Eu não queria ir embora e esperar o dia seguinte. porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo, se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enrroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum aquilibrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.
Dia 3: Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz.
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É perdendo a liberdade que a gente descobre que não se encaixa, é perdendo alguém que a gente descobre que não vale a pena lutar por futilidades, é perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso. Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecida. Hoje eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto. Eu me libertei da culpa e dei de cara com algo novo: não me encaixo, e aceito. Não é justo perder as asas no momento em que se descobre tê-las. É preciso poder voar, é preciso ter uma visão estratégica das janelas. Ver o sol e não poder tê-lo é absurdo.
"- Só sei que nós nos amamos muito...

- Porque você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?

- Não, eu falei no passado!

- Curioso né? É a mesma conjugação.

- Que língua doida! Quer dizer que NÓS estamos condenados a amar para sempre?

- E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações...

- Pensar assim me assusta.

- Porque? Você acha isso ruim?

- É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais...

- Você usou o verbo 'doer' ou 'doar'?

- [Pausa] Pois é, também dá no mesmo..."

(Gian Fabra)
Eu preciso aprender a ser menos. Menos dramática. Menos intensa. Menos exagerada. Alguém já desejou isso na vida: ser menos? Pois é. Estranho. Mas eu preciso. Nesse minuto, nesse segundo, por favor, me bloqueie o coração, me cale o pensamento, me dê uma droga forte para tranqüilizar a alma. Porque eu preciso. E preciso muito. Eu preciso diminuir o ritmo, abaixar o volume, andar na velocidade permitida, não atropelar quem chega, não tropeçar em mim mesma. Eu preciso respirar. Me aperte o pause, me deixe em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito. Eu preciso desatar o nó. Eu preciso sentir menos, sonhar menos, amar menos, sofrer menos ainda. Aonde está a placa de PARE bem no meio da minha frase? Confesso: eu não consigo. Nada em mim pára, nada em mim é morno, nada é pouco, não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre e me chama. E eu vou... Com o coração na mochila, o lápis borrado, o sorriso e a dúvida, a coragem e o medo, mas vou... Não digo: "estou indo", não digo: "daqui a pouco", nada tem hora a não ser agora. Existe aí algum remedinho para não-sentir? Existe alguma terapia, acupuntura, pedras, cores e aromas para me calar a alma e deixar mudo o pensamento? Quer saber? Existe. Existe e eu preciso. Preciso e não quero.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Dia 2: A gente percebe que não tem nada melhor no mundo do que os amigos. Do que conselhos bem dados. Abraços.
E uma coisa eu aprendi nesse tempo, que uma dor pra passar, tem que ser levada a seu limite. Por isso, não vou evitar musicas que me lembrem, não vou evitar chorar, não vou evitar sentir rasgar o peito, não vou evitar olhar, não vou evitar saber, não vou evitar escrever.
Como disse a mulher mais inteligente que conheço: - Similia Similibus Curantur.
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A gente nunca fica satisfeita com os desfechos de nossos relacionamentos: se não conseguimos esquecer alguém, sofremos. Se conseguimos, lamentamos o quão pueril tornou-se o passado. Senti uma fisgada hoje pela manhã que nada mais era do que a dor da perda, mas não a perda de uma pessoa, e sim de uma fase que poderia ser mais longa. Acho que agora compreendo quando, ao subir uma montanha muito íngreme, recomendam que a gente não olhe para baixo.
Já tive torres internas que foram ao chão. Torres altas demais para mim, torres que nem chegaram a ficar concluídas (as de dentro nunca se concluem), torres que me exigiram esforço e que me deram prazer, até que alguém, com uma frase, ou com um gesto, as fez virem abaixo. Tinha gente dentro, tinha eu.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.
'O que quero dizer é justamente o que estou dizendo. Não estou com pena de mim. Tá tudo bem. Tenho tomado banho, cortado as unhas, escovado os dentes, bebido leite. Meu coração continua batendo - taquicárdico, como sempre. Dá licença, Bob Dylan: it’s all right man, I’m just bleeding. Tá limpo. Sem ironias. Sem engano. Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar.'



Caio F. Abreu
"Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança.
Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranóias, mas nada de grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. Estou todo sensível, as coisas me comovem..."



Caio F. Abreu
'Acendi um incenso.
No rádio, Chico canta Vai passar.
Sim, vai passar. Passa. Passará.'



Caio F.
E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.
Porque eu também não entendo às vezes esses caminhos que a vida tece. E nós que morávamos um no outro, ficamos sem casa. Perdoe a falta de abrigo, é que agora eu moro no caminho.


"O que foi vivido mudará.
O que não foi vivido perturbará.
Todo adeus será covarde."
Fabrício Carpinejar.

"Se nos encontramos por acaso, porque insisto, então, em não nos perder também por acaso? (...)
Em que momento teremos nos perdido, em que olhar, em que noite, em que palavra? Em que piada sem graça, em que gozo forçado, em que indelicadeza? Em que desejo mal realizado? Em que exato momento nosso amor foi-se (...)? Que horas marcava o relógio, você viu? Eu não."

(Nilza Rezende)
É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar. É triste lembrar como eu ria com ela. Mas amor, você sabe, amor não se pede.
Vem de longe, vem no escuro, brota que nem mato que dispensa cuidado e cresce com a mais remota chuva. Vem de dentro e fundo e com urgência. Amor vem de amor. Que não cabe, mas assim mesmo a gente guarda. A gente empurra, dobra, faz força, deixa amassado num canto, no peito, no escuro, dentro, ou larga pegando sereno. Amor vem de amor. Vem do pedaço mais feio, do mais sem palavra, do triste, vem de mãos estendidas. É tecido desfeito pelo tempo, amarelecido pelo tempo, pelo cheiro da gaveta fechada, pelo riscado do sol na madeira. Amor vem de amor. Vem de coisa que arrebata, vira chão, terra, cisco, resto, rastro, coisa para sempre varrida. É delicadeza viva forte violenta. Que faz doer, partir, deixar caído. Amor vem de amor. E dói bonito
Dia 1:
- Como você tá?
- Sem chão
- Você já esteve assim antes...sabia como iria ser.
- Mas é sempre diferente... é diferente agora.
- Vai doer, você vai sentir seu corpo todo contrair, você vai sentir falta de ar, seu coração vai bater descompassado, vai lembrar de musicas e vai chorar, vai lembrar de momentos e vai chorar, vai olhar coisas e vai chorar, vai pensar em tudo que poderia ter sido e vai chorar, vai deitar na cama e vai chorar, o final de semana vai vir, e você vai chorar. É o seu luto, uma fase morreu, e eu acho que você tem que realizar seu luto, tem que viver tudo, tem que deixar acabar, deixar ir... E viver isso sem medo é o melhor.
- Eu sei...
- Eu não vou dizer 'você vai superar isso...' porque a gente vai superar isso juntas, eu to aqui!
A canção tocou na hora errada,
E eu que pensei que eu sabia tudo
Mas se é você eu não sei nada,
Quando ouvi a canção, era madrugada
Eu vi você, até senti tua mão e achei até que me caia bem como uma luva
Mas veio a chuva e ficou tudo tão desigual
Mas guardei tuas cartas com letras de fôrma
Mas já não sei de que forma mesmo você foi embora...
Dia 1: É incrivel como meu cachorro é sensivel. Como ele não sai do meu lado nem um segudo e insiste em laber minhas lagrimas. E me olha com uma cara de 'Não fica assim não. Olha, vou abanar meu rabo e vai ficar tudo bem...'. Mais do que nunca tenho a certeza de que escolhi a profissão certa.

[...]
Dia 1 : A gente acorda e mal sabe quem se é...mas já sabe um motivo pra chorar sem antes nem tomar o primeiro ar da manhã.
A gente se desespera por acordar sem aquela injeção de animo, e no lugar dela, um soco no peito e milhões de pensamentos que se embolam, de tantos que são.
A gente percebe que é infinitamente mais doloroso se perder em vida, do que se perder em morte.

[...]

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mas, por quê?
Porque não ensinam às pessoas, desde bem pequenas, que elas são individuos preciosos? Que devem amar não por carencia, acreditando que desta forma a solidão de suas existencias cessará.
Mas amar com o coração em paz, com a ideia de que nem a pessoa mais intima pode compartilhar a sua dor.
O homem deve cultivar a si mesmo com amor e cuidado. Acreditar-se eterno. Ser para si proprio eterno, afinal, é certo que você será aquele quem mais tempo lhe fará companhia. E deixar o amor livre dessa obrigação.

Deve o homem acreditar na durabilidade do amor, mas nunca forçá-lo a isso.
Olá, melhor amigo. Lá vamos nós de novo...