Que seja doce...

...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Madrugada.

E eu fiquei me perguntando hoje às 4 da manhã quando cheguei em casa e peguei nossa foto, porque raios eu nunca te disse que eu amo o seu queixo?
Ele têm um jeitinho quadrado que te dá um ar de mulher madura e na foto você estava sorrindo e apareceu suas covinhas. Como assim suas covinhas nunca mereceram um texto meu?! Eu me derreto por elas, porque ao contrário do queixo quadrado, elas te dão um ar de menina sapeca que adora fazer uma arte. E eu também amo isso em você! Esse seu jeito mulher/menina de ser.
Não sei se mais alguém nesse mundo já reparou, mas você levemente fecha os olhos quando sorri e eles sempre parecem mais claros do que são, nas fotos. E não teve como não reparar em mim, que estou do seu lado na foto, tinha um outdoor nos meus olhos dizendo SOU A MULHER MAIS FELIZ DESSE MUNDO! E sim, isso estava escrito tão claro que eu não conseguia ver mais nada em mim.
Era 4 da manhã e eu fiquei reparando cada partinha de você e sei lá se queria voltar a umas semanas atrás, ou acelerar o tempo uns anos pra frente, mas eu sei que não queria estar ali só olhando para você em uma foto e deu uma saudade grande, sabe?
E eu comecei a pensar no que mais eu amo em você da quais nunca te falei, sabe-se lá Deus o porque eu nunca te falei!!
Eu te disse que amo quando estamos dormindo e você só dorme se tiver encostada em mim? Seja lá com sua mão nas minhas costas ou sua perna na minha, mas precisa me sentir ali do seu lado e precisa também me lembrar que mesmo a gente dormindo você continua tendo o maior carinho do mundo comigo! Te falei que sua cara de sono é linda? Juro é linda! Que eu amo dormir encostada no seu peito e ouvir seu coração?! Que você faz uma massagem que devia ser patenteada? Acho que nunca te falei que ela me deixa mole, bamba, boba, sua...
Era 4h15 da manhã e eu peguei meu ipod pra ouvir qualquer coisa que me fizesse melhor companhia do que aquele vazio de você, do que aquele apertinho no coração e a vontade de chorar por precisar de você naquele momento. Teria sido uma boa idéia se a primeira música não tivesse sido "Wish You Were Here", chorei... não deu pra segurar, porque de fato tudo o que eu queria (e precisava) naquele momento era você aqui, podia ser pra esfregar a mão nas minhas costas ou pra fazer sua perna pesar sobre a minha ou mesmo pra fazer coisa nenhuma mesmo.
E pensei em mil coisas sobre a gente enquanto Emerson Nogueira cantava baixinho " How I wish, how I wish you were here, we're just two lost souls swimming in a fish bowl year after year. Running over the same old ground what have we found? The same old fears.Wish you were here".
Eu nem sabia de mais nada, só sabia que ainda precisava de você.
Amo, pensei... e dormi.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Há de sentir saudades.

Dos pequenos gestos, do sorriso, do barulho dos meus passos pelo corredor. Há de sentir saudade quando perceber que o travesseiro molinho do lado não tem mais dona e nem cheiro. Vai sentir saudade de não ter ninguém para reclamar do ar condicionado e mudando as estações do rádio, ninguém para fechar a janela da cozinha. Há de sentir saudade do amor...
Ninguém para comer sushi às quintas. Ninguém mais vai censurar esses milhares de barulho tecnológicos que seu telefone faz só para me lembrar de que há outras importâncias.
Nenhum perfume, nenhuma vela acesa( elas ainda estão na pia e embrulhadas), nenhum incenso pela casa, nenhuma outra roupa não sua espalhada.
Vai sentir falta de ter alguém que deixe o cheiro na sua blusa de frio preta que você sempre deixa no banco de tras do carro.
Vai sentir saudade quando outra pessoa pedir um suco de laranja sem gelo e sem açúcar ou então quando dizer que prefere carne à salada.
Vai sentir saudade do peso da mão na perna, do carinho no cabelo, de fazer você virar do avesso. Dos jogos de quarta-feira... porque ninguém mais assistiria futebol com você tomando uma cerveja gelada com tanto amor nos olhos...
E eu desejo, desejo como nunca, que tenha insônia essa noite e perceba que eu tinha toda a razão quando eu falava que passava o entregador de jornas às 5 da manhã, justamente na hora em que eu te acordava e mostrava com os dedos que já era hora.
Vai sentir saudade porque as coisas são assim... são assadas... só não são do meu jeito! E eu tenho me sentido uma criança por chorar de saudade também! E choro porque não aceito, não compreendo e muito mais que isso... a bolha de ansiedade que vive dentro de mim não me deixa ter calma. E eu chorei... e choro... e sei lá que raios eu ainda tô esperando. Sei lá porque raios eu estou te esperando.
Pára com isso, vai, me liga logo e me diz que não passou de uma brincadeira sem graça, que você só queria testar minha saudade, que você quis ser uma dessas pessoas que diz "vou morrer só pra saber quem vai chorar por mim". Pronto, chega, já chorei, agora volta a viver!Por favor!
Passe de madrugada aqui de novo como na noite passada, e me diga novamente que sente saudade, que gosta de mim, que sente minha falta e que quer ficar comigo. Eu quero ouvir de novo! Eu preciso ouvir de novo... diga e me beije como fez, e diga que você não vai me deixar ir embora, que você não vai esperar a vida dar merda pra colocar culpa na vida depois.
Vem, não aguento mais, sou criança que não sabe brincar e já quer logo desistir por não saber esperar nada... NADA... vença tudo isso, deixa todos para trás, destruia e reconstrua um novo caminho. Vem, eu sempre vou estar te esperando no final.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ruas de outono

Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar

;)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lição de Moral por Rafael F. S. Antunes.

A aranha, A mosca e O ventilador

A dona aranha subia pela parede, quando inusitadamente surgiu uma mosca, zumbindo em sua orelha. A mosca perguntou:

— O que está tentando fazer dona aranha?

A aranha imediatamente respondeu:

— Estou tentando subir o mais alto possível, minha cara amiga mosca.

A mosca gabou-se:

— Eu tenho asas, não preciso escalar coisa alguma para atingir o topo. Sou um ás do céu, meu lema é “Ao infinito e além”.

A aranha um pouco chateada com o escrupuloso comentário da amiga mosca deixou de lado sua ânsia de atirar sua teia na mosca e devorá-la, e continuou a subir. De repente veio um vento forte e derrubou a aranha. A mosca como sempre muito incentivadora disse:

— Aranha, pare com isso sua tonta, você não tem asas não pode voar e tampouco atingirá o topo.

A aranha rispidamente respondeu:

— Eu sou uma Caranguejeira e não desisto nunca. Vou alcançar o topo a todo custo.

A mosca riu ironicamente e continuou a supervisionar a incessante escalada de sua amiga.

Por diversas vezes a senhora aranha caiu; e por diversas vezes se reergueu e continuou a subir. E por diversas vezes a pentelha da mosca a perturbava. Cansada de estar sempre cercada de energia negativa – A mosca – a aranha resolveu escalar um lugar diferente. Insaciadamente a senhora mosca continuou a perturbar sua amiga aranha. Depois de uma longa e árdua escalada a aranha escutou um rápido barulho: TIZzZ. Muito preocupada olhou ao redor procurando pela amiga mosca, foi quando avistou a mesma caindo em um vôo frenético e alucinado em direção ao chão. A aranha então percebeu que a mosca bateu no ventilador de teto e perdeu suas tão preciosas asas.

Moral da história (1): Nunca desista, por mais que ao seu redor existam “amigos” te desmotivando.

Moral da história (2): Não seja chato e petulante, pois, no final você sempre se ferra.

Moral da história (3): Fique longe do ventilador. Ele machuca.


Notas do Autor:

Essa fábula é dedicada a todas as pentelhas crianças que nos cercam, nos pedindo para brincar e enxugar meleca, e brincar, e jogar video-game, e brincar, e limpar o catarro das mesmas, e brincar, e por ai vai; infinitas coisas que nos enchem o saco. Enfim se essa fábula não te serviu de nada, vai lá coloca o dedo na porra do ventilador depois vem aqui e me deixa um comentário. Se não for o suficiente pega um garfo e coloca naqueles dois furinhos atraentes que tem na parede da sua casa e que você não sabe para que serve que você vai ver "luzinha" é bem legal.


Atenciosamente aos meus incrédulos leitores. Resumindo eu, eu mesmo e a Luly.


Abraços.

Quadro de picasso.

Só eu conheci uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos agulha, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente. Só ela viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser o bastante. Só para ela eu me desmontei inteira porque confiei que ela continuaria gostando de mim mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso

domingo, 22 de novembro de 2009

ir.ficar.

- Sabe, eu não queria estar fazendo você passar por essa situação. sabe o cliché: 'o problema não é você, sou eu' ? então, é esse o caso.
- Eu sei...
- Você é uma menina especial, se você tivesse me aparecido há uns 3 anos atrás, talvez a gente tivesse dado muito certo... afinal, a gente tem tudo a ver. mas agora minha realidade é outra.
- E o que eu faço com tudo isso que você fez eu sentir?
- Guarda, se recorde! tudo vira história.
- Mas eu quero você!
- Mas eu amo outra menina! A gente já conversou muito sobre isso.
- Eu sei. Mas o tempo dela já passou!
- Mas eu ainda amo! e não tenho condição de assumir nada com ninguém agora. Tenta entender que namoro pra mim não é brincadeira, eu não quero brincar de ter relacionamento de ter cumplicidade, namorar é coisa séria, cara.
- E agora, como vai ser sem você?
- Eu vou estar sempre aqui. Mas não quero te sacanear te fingindo um namoro.
- Você tá certa. Sua sinceridade é linda e me dá mais vontade de ficar aqui com você.
- Fica então, não te mandando embora!
- Vou ficar!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Insistencia.

Mais uma sexta-feira que você me liga. Igual faz a alguns meses. Você beija a sua mãe depois do churrasco, dá um oi carinhoso e finalmente pensa sem culpa nos problemas da sua vida, cheira sua camiseta pra ver se a coisa tá muito feia e descobre que sua vida está prestes a ficar vazia: chegou a hora de me ligar.
Você não sabe ao certo o que vê em mim, mas também não sabe ao certo o que não vê. Você sabe que pode ter uma mulher mais gostosa do que eu, mas por alguma razão prefere a gostosa garantida, aquela que ainda ri das suas piadas. Mesmo sendo as mesmas piadas de alguns meses atrás.
Aí você me liga, com aquele ar de descompromissada e meiga de quem só quer ir no cinema com uma velha amiga. Eu não faço a menor idéia do que vejo em você, mas também não faço idéia do que não vejo. Eu posso ter um garota mais gostosa, como de fato já tive milhares de vezes. Mas por alguma razão prefiro suas piadas velhas e seu jeito mulher de ser. Você é uma idiota, uma criança, uma boba alegre, uma deslumbrada, uma chata. Mas você é mulher. E talvez seja só por isso que eu ainda te aguente: você pode ter todos os defeitos do mundo, mais ainda é melhor do que o resto do mundo.
Aí a gente, sem saber ao certo o que está fazendo ali, mas sem lugar melhor para estar, acaba pulando o cinema que nunca existiu e indo direto ao assunto. O mesmo assunto de alguns meses atrás, que assim como as suas piadas, nunca cansam ou enjoam.
E aí acontece um fenômeno muito estranho comigo. Mesmo quando não é bom, mesmo quando cansada e egoísta você não espera por mim e vira pro lado pra dormir ou pra voltar à sua bolha egocêntrica de tudo o que é seu, eu sempre me apaixono por você.
Todas as vezes que te vi, nesses últimos meses, eu sempre me apaixonei por você. Eu sempre estive pronta pra começar algo, pra tomar um café de verdade, pra passear de mãos dadas no claro, pra poder te apresentar ao sol sem receber mensagens de gente louca ou olhares curiosos, pra escutar uma piada nova. E você sempre ignorou esse fato, seguindo seu caminho que sempre é interrompida pela incrivel e inexplicável falta que eu faço a você.
Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja uma ao lado da outra.
Eu só sei que agora eu vou tomar um banho, vou esfregar a bucha o mais forte possível na minha pele e vou me dizer pela milésima vez que essa foi a última vez que vou ficar sem entender nada. Mas aí, daqui uns dias, igual faz há uns meses, você vai me ligar. Querendo pegar aquele cineminha, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O contrato.

Combinamos que não era amor. Escapou ali um abraço no meio da noite, mas aquilo ali foi sono, não sei o que foi aquilo, talvez tenha sido inércia do amor que está no ar mas não necessariamente dentro de nós.
Só estamos aqui, reunidas nesse momento, porque temos duas coisas muito simples em comum: nada melhor pra fazer. Só isso. É o que está no contrato. E eu assino embaixo. Melhor assim. Muito melhor assim. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não me olha assim e diz que vai refazer o contrato. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é boba. Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque você faz com que eu me sinta única. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto encanto porque seu cabelo fica lindo molhado. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso.
Combinamos que não era amor e realmente não é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. E aquela menina mais nova, e aquela outra mais velha, e aquela outra que escreve, e aquela outra da ligação, e aquela outra divertida, e aquela outra do bar, e aquela outra amiga daquela outra. E todas aquelas outras viram formiguinhas de nariz vermelho. E eu tenho vontade de ligar pra todas elas e falar: putz, cara, e você acha mesmo que eu (um dia) me interessaria por você?! Coitada.
Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você. Porque essas coitadas todas só serviram pra me lembrar o quão sagrado é não querer tomar banho depois. O quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo.
Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre.
E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de 'pegadora', só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor. E eu vou rir quando você me contar das suas histórias. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: não existe ninguém aqui dentro.
Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão na minha coxa, só para me enganar que você é minha dona. Só para enganar a garota da mesa ao lado que você é minha dona. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita.

domingo, 15 de novembro de 2009

Human Nature.


Did I say something wrong?
Did I stay too long?
Oops, I didn't know I couldn't speak my mind
You are the problem. Can't you see that?


I'm not your bitch. Don't hang your shit on me.

Tudo diferente.


O detalhe que o coração atenta:
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, né?

Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta:
Você passa, eu paro.
Você faz, eu falo.
Mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem.
Não sei, mas sinto, uma força que embala tudo.

Falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Flashes do nosso segredo.

É incrível como você anima os meus dias, todos eles!
Hoje eu estava cheia de coisas pra fazer, mexer com papelada, documentos, autenticações e fotos 3x4. Eu te avisei que estaria ocupada, mas mesmo assim, você insistiu. E quer saber de uma coisa? ainda bem que você insistiu e apareceu trazendo esse sorriso engraçadinho e essa sua voz forte. Ainda bem, apesar de dispersar a atenção do meu foco.
De repente. De repente. Eu deitada no sofá. Faço que estou dormindo. E você faz que está dormindo no chão. Ao mesmo tempo a gente dá a mão. E dá a outra. E daria uma terceira se ela existisse. E você fala com a voz mais baixa do mundo que não queria ter de ir embora. E eu te peço, com a voz mais baixa do mundo, pra você ficar. Daí fingimos que é sono. E dá vontade de rir porque nem era a hora e nem era pra isso.
Tenho que ir no cartório autenticar meia dúzia de documentos. Tenho que pagar as empregadas e ir no banco pra checar se o dinheiro do aluguel chegou certinho na conta. Tenho que tirar foto 3x4. Tenho que imprimir boletos bancários e botá-los em ordem. É sempre assim entre o dia 10 e o dia 15. E você me segurando pela cintura e me pedindo pra ver pela enesima vez o dvd da Ana carolina. Minha garganta dói muito. Tá quente, tá abafado. Preciso ver as coisas e fazer mais e mais e mais. Hoje tem a festa da tia Fernanda. Minha mãe tá indo viajar amanhã e eu nem liguei. Preciso buscar as fotos, almoçar, trocar de celular, ler vinte e cinco páginas de Diadorim, Diadorim. Mas você ainda quer que o meu mundo pare, só pra você ficar me olhando. Acho isso lindo!
Você me abraça e pede pra eu ficar só mais um pouco, pra que eu esqueça das obrigações só por 2 horas e te beije como se nunca mais fosse a beijar na vida. Você beija minha nuca e me alivia das tensões que eu achei que fosse as levar pro resto da vida. Você me trás água na cama e até me pergunta se eu quero que você faça algo para eu comer. Você tira fotos à milímetros de distância do meu rosto e com o flash ligado e diz que 'fotos assim são realistas, e eu tenho muito interesse de saber se você é real mesmo.'. Você coça muito forte os olhos, quase arranca, eu sei que dói mas pra mim também. E diz que tem preguiça, do Diadorim. E diz que tem medo, de coisas como essa nossa. E eu penso, que no fundo, nem tão fundo, tenho também, demais.
E lá vou eu, a cada cinco minutos, namorar os flashes que você espalhou pela minha casa. Ainda que tudo não dê nem meia foto nossa, mal tirada. Se até o Natal você ainda gostar de mim eu prometo gostar de você também.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Porque eu sei que é amor.

Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova
Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
E eu peço somente
O que eu puder dar
Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta
Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo
Porque eu sei que é amor

- Titãs

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quando a gente tem tudo, temos tudo a perder.

E quando a gente acha que já não tem mais coração, este então dá sinais de que ainda pulsa, de que ainda tem compaixão.
Eu posso ser a pessoa mais fria do mundo, mas meu coração dá vestígios de que ainda existe mim, depois de toda essa maratona pra extrair esse corpo estranho, que na verdade, não merecia ter nascido comigo, não sei usá-lo.
Eu realmente acho que o ser humano deveria ter sua fé recompensada e seus bom-feitos também tanto quanto os mau-feitos. Nunca suportei ver injustiça, e isso ainda não mudou. Me roo de raiva e vontade de ir distribuindo meus socos para as parcelas erradas, mas sei também que um problema solucionado com classe é um tapa de luvas.
Às vezes é bom partir para fulga e acreditar que os errados de hoje vão pagar amanhã, e que os que sofreram hoje, vão ser mais felizes e realizados amanhã, isso sempre acontece.
Dizem que deus sabe o que faz e que ele só dá a cruz que a pessoa é capaz de carregar, e eu, por mais cética que sou, ainda vejo lógica na prática disso. A gente sempre aguenta.
Nós sempre conseguimos ir mais longe quando a gente acha que não pode mais.

domingo, 8 de novembro de 2009

Coração vazio.

Você não está lendo um texto. Você está dormindo numa rede, atravessando um farol, comprando um porta-clipes, fazendo arroz integral, prendendo os cabelos, assistindo doctor House, vendo sua cachorra espreguiçar. Sei lá, qualquer coisa. Mas você não está lendo esse texto.
Eu também não estou escrevendo pela trigésima vez sobre gostar de alguém. E tentando entender todos os 567 contras e 876 a favor. E tentando metaforizar um cheiro, um olhar, uma frase. E tentando descrever minha dor só para dar a ela algum patamar mais interessante do que a simplicidade de uma simples dor. E tentando supervalorizar minha alegria, só para dar a ela um gosto de vitória como se jamais fosse cotidiano ser feliz.
Eu não estou de frente para uma folha em branco. Tentando tornar meus personagens mais interessante e meus sentimentos mais nobres. Eu estou de frente para eles, vendo que meu personagem pode ser sem graça e meu sentimento pode estar morrendo.
Este é um não texto porque cansei da minha covardia em me contar um mundo que eu invento para viver melhor. Cansei de me contar um personagem só para que suspirar não seja um simples movimento involuntário. Cansei de me contar uma história linda, só para que os dias não corram sem magia e sem a certeza de um grande final de filme.
Imagina só que vida chata se eu, ao invés de escrever um texto de amor, cheio de esperança, profundidade, dor, maluquice, estivesse escrevendo um texto assim: e ninguém é interessante e eu, pra ser sincera, não gosto de ninguém.
Triste, muito triste. Chato. E pior do que tudo isso: anti-literário. Como é que um escritor vai se sustentar com um coração vazio?
Mas chega. Hoje decidi que estou prestes a assumir meu coração vazio. Não decidi isso movida por uma grande coragem ou por um momento de iluminação. Nada grandioso aconteceu. Apenas sinto que dei um pequeno, quase imperceptível, passo para uma vida mais madura. Eu simplesmente não suporto mais pintar o céu de cor-de-rosa para achar que vale a pena sair da cama.
Não posso mais emprestar mistério ao vazio, vida ao oco, esperança ao defunto, saliva ao seco. Não posso mais emprestar meus desejos para que pessoas se tornem desejáveis. E, finalmente, não posso mais inventar amor só para poder falar dele.
Pelo menos hoje quero me desafiar a fazer algo muito mais difícil. Quero não sentir nada. Quero descansar meu coração de saco cheio das minhas invenções e precisando se preparar para viver algo de verdade.
Como será que é acordar e não esperar nada com o toque do celular, da campainha, do messenger, do e-mail, do ar, do chão? Como será que é sentir e gostar da vida pela sua calmaria e banalidade? Como será que é viver a banalidade sem achar que isso é banal?
Este é um não texto. Pra falar de um não amor. Pra falar de uma não fantasia, invenção, personagem. Esse é um texto a favor da vida, pra falar da vida. A vida com seus defeitos, cinzas, brancos, estagnações, paradas, frios, silêncios, amenidades. A vida que pode não acelerar o peito e deixar tudo com estrelinhas de purpurina. Mas que é incrível por ser real.
A vida que não se escreve mas se vive, mesmo que isso, muitas vezes, seja ainda mais difícil que qualquer regra gramatical ou construção literária.

sábado, 7 de novembro de 2009

Apologize.

I take another chance,
take a fall, take a shot for you,
i need you like a heart needs a beat,
But it's nothing new, yeahhh yeahhh
I loved you with the fire red,
Now it's turning blue, and you said
Sorry like the angel,
Heaven let me think was you,
But I'm afraid

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Para menina do sorriso sincero.

O centro da cidade vibra meu pânico de multidão. São pessoas esbarrando em mim e gesticulando palavras que eu não entendo. Meus fones de ouvido protegem minha cabeça de toda a dor acústica e me vendem decibéis mais ternos. Minha vida não importa pra esses humanos que me atropelam sem rodas. São todos viventes de seu próprio caminho e cruzam o meu por destino ou precisão. Se por acaso eu parasse, seria somente por minhas pernas perderem seu sentido entre tantas outras.
Eu posso ver - por todos os lados, por todos os poros.
Respirações longas e curtas, afobadas, vivas - mas não enxergo. Exatamente à minha frente, focaliza uma imagem, apenas uma. Eu jamais me esqueceria de tal visão. Se por acaso eu dormisse, seria apenas por não ter forças em manter meus olhos fixos.
Mesmo depois de conhecer vários e novos sorrisos, o dela ainda é o meu preferido. Eu e a minha mania com dentes e caráter. Tenho certeza que ela é boa porque sorri de verdade. Entre tantos medos e mortes da solidão em meio à todos, alguém sorri sorrindo.
No meio de tudo, alguém pareceu se importar e demonstrar caráter. Ainda que eu parasse no tempo e buscasse a razão, seria só por não encontrar opções de fuga quando me prendo na hipnose dos olhos sorrindo.
Devolvo o olhar por não saber o próximo segundo e pela vontade de estender o momento pela eternidade. Parecemos mútuos no desejo de viver pra sempre no agora só pela companhia extraordinária. Se eu viro as costas e entro no carro, é porque assim havia de ser e porque a força humana me empurra na direção contrária ao impulso inicial. Por quê?
Talvez fosse a exata sintonia, do exato alinhamento, da exata fração de segundo que motivasse duas presenças tocadas dessa maneira. E se existir um próximo encontro, por mais breve e estático que seja, será só pelo encanto do sorriso mais sincero do meu caminho.

A dona da culpa.

Vamos jogar aberto. A culpa é minha. Eu dei meu coração. Eu criei expectativas. Então, com sua licença. A culpa é minha. Minha culpa. Minha feia culpa que é minha e de mais ninguém. Minha culpa de sete pontas. Minha culpa que me faz olhar a vida e me sentir personagem principal de uma página triste. E não é só triste. É uma culpa boa. Porque também me faz exercitar um sentimento maior (e mais brilhante que o mundo): o perdão. Se eu pudesse escolher um verbo hoje, eu escolheria "perdoar". Assim, conjugado na primeira pessoa, com objeto direto e ponto final:- eu me perdôo. Não, eu não te perdôo porque não tenho porque te perdoar. Tenho que perdoar a mim. A mim, que me ferrei. Me iludi. Me fudi. Me refiz. Me encantei. A culpa é minha. Minhas e das minhas expectativas. Minha e das minhas lamentáveis escolhas. Minha e do meu coração lerdo. Minha e da minha imaginação pra lá de maluca. Então, com sua licença, deixe eu e minha culpa em paz. Eu e meu delicioso perdão por mim mesma. Eu só te peço uma coisa. Pare de culpar a vida. Pare de ter pena de você. Se assuma. Se aceite. Se culpe. Se estrepe. Se mate. Mas se perdoe. Pelo amor de Deus, se perdoe.

A cor do meu sorriso.

Tá difícil esconder a dor...
A cor do meu sorriso se escondeu...não!!!
não e mesmo sem querer, não foi dessa vez
E antes que você perceba, eu vou estar lá
Não!! não volto a olhar para trás
O meu lugar é longe do seu passado
Me toca,me tenta e me deixar para trás
não foi por querer, não te quero mais

Não e mesmo sem querer, não foi dessa vez
E antes que você perceba, eu vou estar lá.

-Canto dos malditos na terra do nunca.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Intensidade.

Eu preciso aprender a ser menos. Menos dramática. Menos intensa. Menos exagerada. Alguém já desejou isso na vida: ser menos? Pois é. Estranho. Mas eu preciso. Nesse minuto, nesse segundo, por favor, me bloqueie o coração, me cale o pensamento, me dê uma droga forte para tranqüilizar a alma. Porque eu preciso. E preciso muito. Eu preciso diminuir o ritmo, abaixar o volume, andar na velocidade permitida, não atropelar quem chega, não tropeçar em mim mesma. Eu preciso respirar. Me aperte o pause, me deixe em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito. Eu preciso desatar o nó. Eu preciso sentir menos, sonhar menos, amar menos, sofrer menos ainda. Aonde está a placa de PARE bem no meio da minha frase? Confesso: eu não consigo. Nada em mim pára, nada em mim é morno, nada é pouco, não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre e me chama. E eu vou... Com o coração na mochila, o lápis borrado, o sorriso e a dúvida, a coragem e o medo, mas vou... Não digo: "estou indo", não digo: "daqui a pouco", nada tem hora a não ser agora. Existe aí algum remedinho para não-sentir? Existe alguma terapia, acupuntura, pedras, cores e aromas para me calar a alma e deixar mudo o pensamento? Quer saber? Existe. Existe e eu preciso. Preciso e não quero.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Não era amor, era chocolate.

"(...) Não me venha falar de intensidade, isso sempre acaba e dá lugar a alguma outra coisa. Amor, talvez? Pois é, não conseguimos chegar neste nível. A gente busca estabilidade, mas quando encontra fica de saco bem cheio. A analogia é simples. Pensa naquilo que você mais gosta de comer. Chocolate, quem sabe? Pois bem. Eu estava lá, ávida por um pedaço enorme de chocolate. Você me deu só uma lasquinha. E eu fiquei sonhando com o restante, desenhando momentos, com um eterno gosto doce na boca. Mas se você tivesse me dado a barra toda, certamente eu teria enjoado. Porque eu sei, agora eu sei, que não era amor, era chocolate."

Mila - One Last Cigarette

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Desejos.

Só quem tem o poder de te fazer sentir viva, pode fazer você se sentir morta. Só quem arrepia cada centímetro do seu corpo e faz você sentir o sangue bombear num ritmo charmoso, é capaz de estragar o mundo quando parte. Só quem tem o poder de tornar o mundo leve e fazê-la flutuar, também pode afundar sua noite e fazer com que seu corpo se arraste pelos restos que sobraram da festa. Aonde está a força de negar um desejo se enquanto ele não é saciado continua existindo? Desejos nascem, ocupam lugares interessantes do seu corpo, e não morrem antes de um formigamento exausto de prazer, uma manhã suja de arrependimentos, hálitos estragados de amargura e clicks que a vida nos dá, também chamados de momentos de verdade, que em muito se parecem com toques de mágica para você sair do estado encantado e falso da imaginação. Você pensa que é forte sendo moralista, respirando fundo, contando até mil, sumindo da festa, rezando, desviando sua atenção, mas ela está lá, num bar com as amigas, te olhando de longe. E ela continua lá mesmo depois que o táxi a levou, meio embreagada, para casa. Ela está no vazio que deixou, na dúvida de como poderia ter sido, na esperança do próximo encontro, na consciência leve pela negação e pesada pela cobrança de um tesão ainda latente. Pecados existem, não os julgados por Deus, não as pecuinhas julgadas pelos humanos.
Pecados existem dentro dos corações traidores. Mas se antes meu coração ardeu e se assustou de pecados, agora ele chora de saudade, de covardia e de aceitação. Ele está puro e nem por isso tranqüilo. Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final nele se for até o fim. E o fim pode ser um simples enjôo ou, na pior das hipóteses, a morte. Mas você viveu. Para matar um desejo é preciso viver, nem que depois você morra junto com ele. Indo embora para casa, segurei o peito, que parecia solto, e abafei uma lágrima. Como eu queria agora estar com ela. Por aqueles segundos de esquecimento, mais meses de lembrança. Por algumas palavras idiotas, mais muitas contidas para não parecer idiota. O desejo me acompanhou até em casa. Muito , muito mais forte que minha nobreza em ter dito não. Ela está lá. No seu coração, na sua mente, no cheiro que você carrega junto com seu passado. Ela está em cada batimento cardíaco contraído, em cada torção contraída do seu estômago, em cada momento descontraído de seus hormônios. Você está aqui. Em cada linha que eu escrevo, em cada momento correto que eu me agarro para não deixar você errar, em cada provocação estratégica para você nunca desistir de insistir em errar. Você está aonde eu quero chegar, em tudo que eu quero negar, muito presente. Não quero uma só uma escapadinha, não quero uma vida ao seu lado. Não quero nunca mais te ver.
Queria ter dez minutos com você, o bastante para não mudar minha vida em nada. Quero outra vida. Não estou nem aí pra você. Só penso em você. Você é minha amiga, você é uma conhecida, você foi a melhor noite da minha vida. Mais do que qualquer certeza, confusão é paixão. Quis demais que você fosse embora, quis demais que você ficasse pra sempre, quis não pensar, me agarrei numa lógica fria que berrou no meu ouvido que toda ação tem sua reação. Toda traidora tem seu dia de enganada. Toda vontade negada tem seu dia de câncer. Todo silêncio tem seu dia de grito desesperado. Entenda cada som, de cada letra, de cada palavra, de cada frase, de cada sentença, de cada idéia carregada de desejo, como um grito de cada parte do meu corpo que ficou lacônica quando sua presença física abandonou a festa. O desejo era tanto, que travei. Tive medo da hora de ir embora. Tive medo da sua pressa, que sempre me ofende tanto. Tive medo da sua fidelidade. Você sempre me satisfez muito bem, mas nunca me emprestou sem ombro, seu colo, sua mão, seu olhar carinhoso, seu suspiro, seu sono, sua fragilidade. Tive medo de ser só desejo, porque para mim sempre foi mais. Prefiro ser perseguida pelo meu desejo, que não tem dia para acabar, do que ser abandonada mais uma vez pelo seu, que dura no máximo uma noite.