Que seja doce...

...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Tudo que eu quero.

Livrai-me dos minúsculos e suas minúcias ridículas.
Livra-me desta dor que me ofusca os sentidos; dai-me doses diárias de paz.
Livrai-me desta cobrança do que jamais serei. Desta eterna busca do que não sei.
Perdoai-me por este contrário que insisto em permanecer.
Perdoai-me se sou cruel aos teus olhos: sou humana.
Resgatai-me a extinta fé, resgatai-me a esperança infantil de quem um dia creu.
Livrai-me dos amores sofridos e das noites pálidas e caladas de remorso.
Dai-me coragem para enfrentar-me e enfrentar-te.
Perdoai-me se sou pecadora. Creio que o pecado está nos olhos dos minúsculos.
Perdoai-me se desejo mais. Sou inesgotável com meu querer.
Dai-me braços e abrigo.
Livrai-me dos exageros que me envenenam.
Resgatai-me o gosto pelo simples e imaterial.

Tudo que eu quero pro ano novo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Eu.


Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?

domingo, 27 de dezembro de 2009

Superior.

- Você é foda. Você é encantadora demais, conquistadora demais. Mas você não percebeu ainda que você não prende as pessoas? Você é reservada demais, quer sempre ser superior numa relação, mostrar que não sente nada, que não se importa. Você não liga pra pessoa, literalmente, não liga no dia seguinte. E se você sente ciumes você não demonstra, se ama, não fala. Você é encatadoramente linda, mas você não prende ninguém.

- Nunca percebi.

- Lógico, você não liga! tá vendo?

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Gênio.

Nem sempre a minha boca consegue dizer para você o que quero, ainda bem que tenho dedos. Se o gênio da lâmpada aparecesse pra mim e dissesse que só posso fazer um pedido pra minha vida, presta atenção, seria esse: nunca me perder de você. Porque nem sempre eu sei pra onde ir, mas sempre, sempre mesmo, sei pra onde eu quero voltar.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sã.

Eu não sei o que me enloquece e essa é a maior loucura pra gente que precisa estar no controle. Essa necessidade de ser vista, de estar perto de você, de interpretar todos os seus movimentos em favor de não me deixar desistir. Quão louca eu tenho que ser pra encontrar minha sanidade? Minha razão se foi. Não me sinto mais morrendo por segundos não vividos, estou vivendo pra não te deixar morrer em mim. Apesar dos mil motivos que eu tenho pra te esquecer e seguir em frente, encontro outros pra não te deixar passar na minha vida sem uma história de verdade. Estou fixa e me arrasto. Você não se move e eu corro, em círculos, atrás de você.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Se...

Se sua partida é mesmo inevitável, se seu sonho é mesmo indispensável, se sua vida é mesmo impenetrável, vá logo de uma vez. Não permita que eu me apegue e faça planos, não me deixe crer no que não há verdade. Vá antes de borrar minha maquiagem, ferir minha coragem, antes que eu jogue meus instintos de sobrevivência definitivamente pela janela do prédio como se não me importassem mais sentimentos próprios. Não provoque meus medos, não confunda meu discernimento e não destrua meu equilíbrio. Apenas vá. Leve tudo o que é seu para que a lembrança não perfure meu sorriso cheio de lágrimas. Não me deixe criar um relacionamento individual onde eu sou todos os personagens e nenhum enquanto você é a plateia, única, que faz questão de não aplaudir minhas fragilidades teatrais. Você que preenche minhas lacunas de medo e cinco minutos de vida, deve ter um longo caminho de volta pro seu ser, enquanto eu sobrevivo de te esquecer daqui a pouco. Se minhas palavras embaralhadas confundem sua mente, nem peço lucidez. Já sei o quanto você gosta de estar entorpecida pra esquecer seus problemas ao invés de resolvê-los. Mas não ignore o que eu sou por não ter forças em me decifrar, não fuja antes de saber o que eu posso fazer pra te dar uma vida. Seu medo é de ser feliz? Então dividimos esse pavor doentio da alegria, podemos partilhar o pânico de sorrir até que a tristeza não faça mais sentido a dois.

Se sua partida é mesmo inevitável, se seu sonho é mesmo indispensável, se sua vida é mesmo impenetrável, ao menos arrisque me carregar junto de você.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Quarto de dormir.

-Bem abraçada no lençol da cama vai chorar por nós, pensando no escuro ter ouvido o som da minha voz, vai acariciar seu próprio corpo e na imaginação fazer de conta que a sua agora é a minha mão, mas eu não vou saber de nada do que você vai sentir.

domingo, 20 de dezembro de 2009

V

- When it falls apart and your feeling lost, all your hope is gone, don't forget to hold on.

sábado, 19 de dezembro de 2009

IV

- Don't give up, stand till the end, cause there's more to life than just to live.

III

- One single smile, a helping hand... It's not that hard to be a friend.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

II

- We don't have time left to regret, it will take more than common sense. So stop your wondering, take a stan.

I

- When you love someone and they break your heart, don't give up on love. Have faith, restart.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Desculpa.

- Você não devia ter feito isso, cara. Ela era minha amiga. Qual o seu problema?
- Eu não sei!!! eu não pensei isso na hora, eu não raciocinei... eu tava bebada, foi no calor da situação, não tinha como não acontecer. Desculpa!
- Cadê o seu carater?
- Eu nunca falei que eu tinha.
- Você sempre demonstrou!!!
- Pronto, provei o contrário, não foi?
- Não sei bem. Não me olha assim. Não era pra eu ter pena de você, era pra eu ter raiva, ou algum derivado disso.
- Mas eu já te expliquei o que aconteceu... Eu posso ser uma cafajeste, mas eu fiz sem pensar. Já pedi desculpas, ?
- Por que com você é assim, hein?
- Assim como?
- Assim, você me desarma! Eu tava nervosa com você, agora, o que eu mais quero, é te dar um abraço.
- Sabe, seria bom... um abraço.
- Não posso.
- Por quê?
- Porque você sabe que eu não vou querer ficar só nisso.
- Tá certa! melhor então.
- Eu acho que amo você.
- Desculpa... não era a minha intenção
- Por isso que eu acho que é amor.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Invisivel

- Quem é você?! PÁRA DE ME PERSEGUIR. Você não existe. NÃO É REAL!!!
- Eu?! eu sou você.
- Eu?
- É, eu sou o que você é. Eu sou solidão em busca de companhia, alguém pra dividir o mistério que é essa vida.
- Mas não dá. Você é perfeita pra mim!
- Isso é porque eu sou você.
- Mas você é gostosa!
- Talvez você também seja.

.
.
.

- Eu? Eu só sou uma pessoa que amou alguém que nunca existiu. No fim, amei a mim naquela realidade inventada. Apenas a mim. Na verdade, era só eu.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vinicius de Morais

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos me encaminham prá você
Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver
Não há você sem mim, eu não existo sem você

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Isn't it ironic.

Hoje eu joguei tanta coisa fora e necessitava arrumar aquela gaveta.
Comecei tirando desde papéis até pessoas, essas sim ocupavam grande espaço!
A gaveta já fechava com mais facilidade, parece que a casa acabou ficando melhor assim!
Tirar a poeira não foi fácil, uma lágrima escorria daqui, outra dalí, mas precisava continuar minha faxina! Estava decidida, determinada, querendo me livrar de todas aquelas coisa que não eram minha e nunca foram, mas ocupavam espaços como se fossem.
Até ontem alegava falta de tempo, de coragem, de vontade, preguiça...
A verdade é: - precisava dessa mudança.
Para facilitar a tarefa comecei a cantar, mas toda música me parecia triste.
Outra lágrima escorreu, mas tinha de ser forte.
Precisava organizá-la a meu modo, por tons, cores, ordem alfabética, todas etiquetadas...
Tenho horror a bagunça, e me pergunto como permiti que revirassem e ocupassem minha gaveta desta forma! Já não me parece adiantar os lamentos.
Quando tudo aparentemente estava em seu lugar um colorido diferente chamou minha atenção. Era um daqueles retratos antigos, e nós com sorriso de borboleta!
Estávamos fielmente apaixonados, e me apertou o coração, porque o bom mesmo daquele momento já tinha passado e eu nem sei se tinha me dado conta disso naquela hora em que tirávamos a foto juntas.
Olhei atrás do retrato e havia algo dizendo *Que seja eterno*. E o eterno perdurou por poucos meses mais. Hoje em dia, só peço *Que seja doce...*
Voltei a realidade, estava ali, de joelhos sozinha arrumando minha gaveta, e eu podia ver o mar em meus olhos e em meu pensamento eu podia ouvir Alanis cantando baixinho... "Isn't it ironic... don't you think?".


domingo, 6 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Vida.

Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara, tem que tentar e não conseguir, achar que vai dar e ver que não dá, querer muito e não alcançar.
Ter e perder, tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente gosta e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente gosta e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida.
A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai, dói... e eu sei como dói, mas passa (e como passa!).

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Heartbreaker

Remember when I caught your eye,
you gave me rainbows and butterflies
we did enjoy our happiness?
when our love was over
I was such a mess
I smiled at you
and you smiled back
that's when I knew
there's no turning back
you said you loved me
and I did too
now though it's over
I still love you
you're in my mind
you're in my heart
I wish I knew right from the start
all my friends said you break my heart
a heartbreaker right from the start
I tried to fight it
I tried so hard
and everyday
I pray to god
that you and me were meant to be
but you had another
you had a lover
And now is gone
I don't know why
I feel like crying
just want to die
I can't look at you
and you know why
no, I tried so hard
to catch your eye
all my friends said you break my heart
a heartbreaker right from the start

http://www.youtube.com/watch?v=C973XMYaNB0

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Madrugada.

E eu fiquei me perguntando hoje às 4 da manhã quando cheguei em casa e peguei nossa foto, porque raios eu nunca te disse que eu amo o seu queixo?
Ele têm um jeitinho quadrado que te dá um ar de mulher madura e na foto você estava sorrindo e apareceu suas covinhas. Como assim suas covinhas nunca mereceram um texto meu?! Eu me derreto por elas, porque ao contrário do queixo quadrado, elas te dão um ar de menina sapeca que adora fazer uma arte. E eu também amo isso em você! Esse seu jeito mulher/menina de ser.
Não sei se mais alguém nesse mundo já reparou, mas você levemente fecha os olhos quando sorri e eles sempre parecem mais claros do que são, nas fotos. E não teve como não reparar em mim, que estou do seu lado na foto, tinha um outdoor nos meus olhos dizendo SOU A MULHER MAIS FELIZ DESSE MUNDO! E sim, isso estava escrito tão claro que eu não conseguia ver mais nada em mim.
Era 4 da manhã e eu fiquei reparando cada partinha de você e sei lá se queria voltar a umas semanas atrás, ou acelerar o tempo uns anos pra frente, mas eu sei que não queria estar ali só olhando para você em uma foto e deu uma saudade grande, sabe?
E eu comecei a pensar no que mais eu amo em você da quais nunca te falei, sabe-se lá Deus o porque eu nunca te falei!!
Eu te disse que amo quando estamos dormindo e você só dorme se tiver encostada em mim? Seja lá com sua mão nas minhas costas ou sua perna na minha, mas precisa me sentir ali do seu lado e precisa também me lembrar que mesmo a gente dormindo você continua tendo o maior carinho do mundo comigo! Te falei que sua cara de sono é linda? Juro é linda! Que eu amo dormir encostada no seu peito e ouvir seu coração?! Que você faz uma massagem que devia ser patenteada? Acho que nunca te falei que ela me deixa mole, bamba, boba, sua...
Era 4h15 da manhã e eu peguei meu ipod pra ouvir qualquer coisa que me fizesse melhor companhia do que aquele vazio de você, do que aquele apertinho no coração e a vontade de chorar por precisar de você naquele momento. Teria sido uma boa idéia se a primeira música não tivesse sido "Wish You Were Here", chorei... não deu pra segurar, porque de fato tudo o que eu queria (e precisava) naquele momento era você aqui, podia ser pra esfregar a mão nas minhas costas ou pra fazer sua perna pesar sobre a minha ou mesmo pra fazer coisa nenhuma mesmo.
E pensei em mil coisas sobre a gente enquanto Emerson Nogueira cantava baixinho " How I wish, how I wish you were here, we're just two lost souls swimming in a fish bowl year after year. Running over the same old ground what have we found? The same old fears.Wish you were here".
Eu nem sabia de mais nada, só sabia que ainda precisava de você.
Amo, pensei... e dormi.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Há de sentir saudades.

Dos pequenos gestos, do sorriso, do barulho dos meus passos pelo corredor. Há de sentir saudade quando perceber que o travesseiro molinho do lado não tem mais dona e nem cheiro. Vai sentir saudade de não ter ninguém para reclamar do ar condicionado e mudando as estações do rádio, ninguém para fechar a janela da cozinha. Há de sentir saudade do amor...
Ninguém para comer sushi às quintas. Ninguém mais vai censurar esses milhares de barulho tecnológicos que seu telefone faz só para me lembrar de que há outras importâncias.
Nenhum perfume, nenhuma vela acesa( elas ainda estão na pia e embrulhadas), nenhum incenso pela casa, nenhuma outra roupa não sua espalhada.
Vai sentir falta de ter alguém que deixe o cheiro na sua blusa de frio preta que você sempre deixa no banco de tras do carro.
Vai sentir saudade quando outra pessoa pedir um suco de laranja sem gelo e sem açúcar ou então quando dizer que prefere carne à salada.
Vai sentir saudade do peso da mão na perna, do carinho no cabelo, de fazer você virar do avesso. Dos jogos de quarta-feira... porque ninguém mais assistiria futebol com você tomando uma cerveja gelada com tanto amor nos olhos...
E eu desejo, desejo como nunca, que tenha insônia essa noite e perceba que eu tinha toda a razão quando eu falava que passava o entregador de jornas às 5 da manhã, justamente na hora em que eu te acordava e mostrava com os dedos que já era hora.
Vai sentir saudade porque as coisas são assim... são assadas... só não são do meu jeito! E eu tenho me sentido uma criança por chorar de saudade também! E choro porque não aceito, não compreendo e muito mais que isso... a bolha de ansiedade que vive dentro de mim não me deixa ter calma. E eu chorei... e choro... e sei lá que raios eu ainda tô esperando. Sei lá porque raios eu estou te esperando.
Pára com isso, vai, me liga logo e me diz que não passou de uma brincadeira sem graça, que você só queria testar minha saudade, que você quis ser uma dessas pessoas que diz "vou morrer só pra saber quem vai chorar por mim". Pronto, chega, já chorei, agora volta a viver!Por favor!
Passe de madrugada aqui de novo como na noite passada, e me diga novamente que sente saudade, que gosta de mim, que sente minha falta e que quer ficar comigo. Eu quero ouvir de novo! Eu preciso ouvir de novo... diga e me beije como fez, e diga que você não vai me deixar ir embora, que você não vai esperar a vida dar merda pra colocar culpa na vida depois.
Vem, não aguento mais, sou criança que não sabe brincar e já quer logo desistir por não saber esperar nada... NADA... vença tudo isso, deixa todos para trás, destruia e reconstrua um novo caminho. Vem, eu sempre vou estar te esperando no final.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ruas de outono

Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar

;)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lição de Moral por Rafael F. S. Antunes.

A aranha, A mosca e O ventilador

A dona aranha subia pela parede, quando inusitadamente surgiu uma mosca, zumbindo em sua orelha. A mosca perguntou:

— O que está tentando fazer dona aranha?

A aranha imediatamente respondeu:

— Estou tentando subir o mais alto possível, minha cara amiga mosca.

A mosca gabou-se:

— Eu tenho asas, não preciso escalar coisa alguma para atingir o topo. Sou um ás do céu, meu lema é “Ao infinito e além”.

A aranha um pouco chateada com o escrupuloso comentário da amiga mosca deixou de lado sua ânsia de atirar sua teia na mosca e devorá-la, e continuou a subir. De repente veio um vento forte e derrubou a aranha. A mosca como sempre muito incentivadora disse:

— Aranha, pare com isso sua tonta, você não tem asas não pode voar e tampouco atingirá o topo.

A aranha rispidamente respondeu:

— Eu sou uma Caranguejeira e não desisto nunca. Vou alcançar o topo a todo custo.

A mosca riu ironicamente e continuou a supervisionar a incessante escalada de sua amiga.

Por diversas vezes a senhora aranha caiu; e por diversas vezes se reergueu e continuou a subir. E por diversas vezes a pentelha da mosca a perturbava. Cansada de estar sempre cercada de energia negativa – A mosca – a aranha resolveu escalar um lugar diferente. Insaciadamente a senhora mosca continuou a perturbar sua amiga aranha. Depois de uma longa e árdua escalada a aranha escutou um rápido barulho: TIZzZ. Muito preocupada olhou ao redor procurando pela amiga mosca, foi quando avistou a mesma caindo em um vôo frenético e alucinado em direção ao chão. A aranha então percebeu que a mosca bateu no ventilador de teto e perdeu suas tão preciosas asas.

Moral da história (1): Nunca desista, por mais que ao seu redor existam “amigos” te desmotivando.

Moral da história (2): Não seja chato e petulante, pois, no final você sempre se ferra.

Moral da história (3): Fique longe do ventilador. Ele machuca.


Notas do Autor:

Essa fábula é dedicada a todas as pentelhas crianças que nos cercam, nos pedindo para brincar e enxugar meleca, e brincar, e jogar video-game, e brincar, e limpar o catarro das mesmas, e brincar, e por ai vai; infinitas coisas que nos enchem o saco. Enfim se essa fábula não te serviu de nada, vai lá coloca o dedo na porra do ventilador depois vem aqui e me deixa um comentário. Se não for o suficiente pega um garfo e coloca naqueles dois furinhos atraentes que tem na parede da sua casa e que você não sabe para que serve que você vai ver "luzinha" é bem legal.


Atenciosamente aos meus incrédulos leitores. Resumindo eu, eu mesmo e a Luly.


Abraços.

Quadro de picasso.

Só eu conheci uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos agulha, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente. Só ela viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser o bastante. Só para ela eu me desmontei inteira porque confiei que ela continuaria gostando de mim mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso

domingo, 22 de novembro de 2009

ir.ficar.

- Sabe, eu não queria estar fazendo você passar por essa situação. sabe o cliché: 'o problema não é você, sou eu' ? então, é esse o caso.
- Eu sei...
- Você é uma menina especial, se você tivesse me aparecido há uns 3 anos atrás, talvez a gente tivesse dado muito certo... afinal, a gente tem tudo a ver. mas agora minha realidade é outra.
- E o que eu faço com tudo isso que você fez eu sentir?
- Guarda, se recorde! tudo vira história.
- Mas eu quero você!
- Mas eu amo outra menina! A gente já conversou muito sobre isso.
- Eu sei. Mas o tempo dela já passou!
- Mas eu ainda amo! e não tenho condição de assumir nada com ninguém agora. Tenta entender que namoro pra mim não é brincadeira, eu não quero brincar de ter relacionamento de ter cumplicidade, namorar é coisa séria, cara.
- E agora, como vai ser sem você?
- Eu vou estar sempre aqui. Mas não quero te sacanear te fingindo um namoro.
- Você tá certa. Sua sinceridade é linda e me dá mais vontade de ficar aqui com você.
- Fica então, não te mandando embora!
- Vou ficar!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Insistencia.

Mais uma sexta-feira que você me liga. Igual faz a alguns meses. Você beija a sua mãe depois do churrasco, dá um oi carinhoso e finalmente pensa sem culpa nos problemas da sua vida, cheira sua camiseta pra ver se a coisa tá muito feia e descobre que sua vida está prestes a ficar vazia: chegou a hora de me ligar.
Você não sabe ao certo o que vê em mim, mas também não sabe ao certo o que não vê. Você sabe que pode ter uma mulher mais gostosa do que eu, mas por alguma razão prefere a gostosa garantida, aquela que ainda ri das suas piadas. Mesmo sendo as mesmas piadas de alguns meses atrás.
Aí você me liga, com aquele ar de descompromissada e meiga de quem só quer ir no cinema com uma velha amiga. Eu não faço a menor idéia do que vejo em você, mas também não faço idéia do que não vejo. Eu posso ter um garota mais gostosa, como de fato já tive milhares de vezes. Mas por alguma razão prefiro suas piadas velhas e seu jeito mulher de ser. Você é uma idiota, uma criança, uma boba alegre, uma deslumbrada, uma chata. Mas você é mulher. E talvez seja só por isso que eu ainda te aguente: você pode ter todos os defeitos do mundo, mais ainda é melhor do que o resto do mundo.
Aí a gente, sem saber ao certo o que está fazendo ali, mas sem lugar melhor para estar, acaba pulando o cinema que nunca existiu e indo direto ao assunto. O mesmo assunto de alguns meses atrás, que assim como as suas piadas, nunca cansam ou enjoam.
E aí acontece um fenômeno muito estranho comigo. Mesmo quando não é bom, mesmo quando cansada e egoísta você não espera por mim e vira pro lado pra dormir ou pra voltar à sua bolha egocêntrica de tudo o que é seu, eu sempre me apaixono por você.
Todas as vezes que te vi, nesses últimos meses, eu sempre me apaixonei por você. Eu sempre estive pronta pra começar algo, pra tomar um café de verdade, pra passear de mãos dadas no claro, pra poder te apresentar ao sol sem receber mensagens de gente louca ou olhares curiosos, pra escutar uma piada nova. E você sempre ignorou esse fato, seguindo seu caminho que sempre é interrompida pela incrivel e inexplicável falta que eu faço a você.
Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja uma ao lado da outra.
Eu só sei que agora eu vou tomar um banho, vou esfregar a bucha o mais forte possível na minha pele e vou me dizer pela milésima vez que essa foi a última vez que vou ficar sem entender nada. Mas aí, daqui uns dias, igual faz há uns meses, você vai me ligar. Querendo pegar aquele cineminha, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O contrato.

Combinamos que não era amor. Escapou ali um abraço no meio da noite, mas aquilo ali foi sono, não sei o que foi aquilo, talvez tenha sido inércia do amor que está no ar mas não necessariamente dentro de nós.
Só estamos aqui, reunidas nesse momento, porque temos duas coisas muito simples em comum: nada melhor pra fazer. Só isso. É o que está no contrato. E eu assino embaixo. Melhor assim. Muito melhor assim. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não me olha assim e diz que vai refazer o contrato. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é boba. Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque você faz com que eu me sinta única. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto encanto porque seu cabelo fica lindo molhado. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso.
Combinamos que não era amor e realmente não é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. E aquela menina mais nova, e aquela outra mais velha, e aquela outra que escreve, e aquela outra da ligação, e aquela outra divertida, e aquela outra do bar, e aquela outra amiga daquela outra. E todas aquelas outras viram formiguinhas de nariz vermelho. E eu tenho vontade de ligar pra todas elas e falar: putz, cara, e você acha mesmo que eu (um dia) me interessaria por você?! Coitada.
Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você. Porque essas coitadas todas só serviram pra me lembrar o quão sagrado é não querer tomar banho depois. O quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo.
Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre.
E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de 'pegadora', só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor. E eu vou rir quando você me contar das suas histórias. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: não existe ninguém aqui dentro.
Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão na minha coxa, só para me enganar que você é minha dona. Só para enganar a garota da mesa ao lado que você é minha dona. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita.

domingo, 15 de novembro de 2009

Human Nature.


Did I say something wrong?
Did I stay too long?
Oops, I didn't know I couldn't speak my mind
You are the problem. Can't you see that?


I'm not your bitch. Don't hang your shit on me.

Tudo diferente.


O detalhe que o coração atenta:
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, né?

Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta:
Você passa, eu paro.
Você faz, eu falo.
Mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem.
Não sei, mas sinto, uma força que embala tudo.

Falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Flashes do nosso segredo.

É incrível como você anima os meus dias, todos eles!
Hoje eu estava cheia de coisas pra fazer, mexer com papelada, documentos, autenticações e fotos 3x4. Eu te avisei que estaria ocupada, mas mesmo assim, você insistiu. E quer saber de uma coisa? ainda bem que você insistiu e apareceu trazendo esse sorriso engraçadinho e essa sua voz forte. Ainda bem, apesar de dispersar a atenção do meu foco.
De repente. De repente. Eu deitada no sofá. Faço que estou dormindo. E você faz que está dormindo no chão. Ao mesmo tempo a gente dá a mão. E dá a outra. E daria uma terceira se ela existisse. E você fala com a voz mais baixa do mundo que não queria ter de ir embora. E eu te peço, com a voz mais baixa do mundo, pra você ficar. Daí fingimos que é sono. E dá vontade de rir porque nem era a hora e nem era pra isso.
Tenho que ir no cartório autenticar meia dúzia de documentos. Tenho que pagar as empregadas e ir no banco pra checar se o dinheiro do aluguel chegou certinho na conta. Tenho que tirar foto 3x4. Tenho que imprimir boletos bancários e botá-los em ordem. É sempre assim entre o dia 10 e o dia 15. E você me segurando pela cintura e me pedindo pra ver pela enesima vez o dvd da Ana carolina. Minha garganta dói muito. Tá quente, tá abafado. Preciso ver as coisas e fazer mais e mais e mais. Hoje tem a festa da tia Fernanda. Minha mãe tá indo viajar amanhã e eu nem liguei. Preciso buscar as fotos, almoçar, trocar de celular, ler vinte e cinco páginas de Diadorim, Diadorim. Mas você ainda quer que o meu mundo pare, só pra você ficar me olhando. Acho isso lindo!
Você me abraça e pede pra eu ficar só mais um pouco, pra que eu esqueça das obrigações só por 2 horas e te beije como se nunca mais fosse a beijar na vida. Você beija minha nuca e me alivia das tensões que eu achei que fosse as levar pro resto da vida. Você me trás água na cama e até me pergunta se eu quero que você faça algo para eu comer. Você tira fotos à milímetros de distância do meu rosto e com o flash ligado e diz que 'fotos assim são realistas, e eu tenho muito interesse de saber se você é real mesmo.'. Você coça muito forte os olhos, quase arranca, eu sei que dói mas pra mim também. E diz que tem preguiça, do Diadorim. E diz que tem medo, de coisas como essa nossa. E eu penso, que no fundo, nem tão fundo, tenho também, demais.
E lá vou eu, a cada cinco minutos, namorar os flashes que você espalhou pela minha casa. Ainda que tudo não dê nem meia foto nossa, mal tirada. Se até o Natal você ainda gostar de mim eu prometo gostar de você também.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Porque eu sei que é amor.

Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova
Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
E eu peço somente
O que eu puder dar
Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta
Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo
Porque eu sei que é amor

- Titãs

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quando a gente tem tudo, temos tudo a perder.

E quando a gente acha que já não tem mais coração, este então dá sinais de que ainda pulsa, de que ainda tem compaixão.
Eu posso ser a pessoa mais fria do mundo, mas meu coração dá vestígios de que ainda existe mim, depois de toda essa maratona pra extrair esse corpo estranho, que na verdade, não merecia ter nascido comigo, não sei usá-lo.
Eu realmente acho que o ser humano deveria ter sua fé recompensada e seus bom-feitos também tanto quanto os mau-feitos. Nunca suportei ver injustiça, e isso ainda não mudou. Me roo de raiva e vontade de ir distribuindo meus socos para as parcelas erradas, mas sei também que um problema solucionado com classe é um tapa de luvas.
Às vezes é bom partir para fulga e acreditar que os errados de hoje vão pagar amanhã, e que os que sofreram hoje, vão ser mais felizes e realizados amanhã, isso sempre acontece.
Dizem que deus sabe o que faz e que ele só dá a cruz que a pessoa é capaz de carregar, e eu, por mais cética que sou, ainda vejo lógica na prática disso. A gente sempre aguenta.
Nós sempre conseguimos ir mais longe quando a gente acha que não pode mais.

domingo, 8 de novembro de 2009

Coração vazio.

Você não está lendo um texto. Você está dormindo numa rede, atravessando um farol, comprando um porta-clipes, fazendo arroz integral, prendendo os cabelos, assistindo doctor House, vendo sua cachorra espreguiçar. Sei lá, qualquer coisa. Mas você não está lendo esse texto.
Eu também não estou escrevendo pela trigésima vez sobre gostar de alguém. E tentando entender todos os 567 contras e 876 a favor. E tentando metaforizar um cheiro, um olhar, uma frase. E tentando descrever minha dor só para dar a ela algum patamar mais interessante do que a simplicidade de uma simples dor. E tentando supervalorizar minha alegria, só para dar a ela um gosto de vitória como se jamais fosse cotidiano ser feliz.
Eu não estou de frente para uma folha em branco. Tentando tornar meus personagens mais interessante e meus sentimentos mais nobres. Eu estou de frente para eles, vendo que meu personagem pode ser sem graça e meu sentimento pode estar morrendo.
Este é um não texto porque cansei da minha covardia em me contar um mundo que eu invento para viver melhor. Cansei de me contar um personagem só para que suspirar não seja um simples movimento involuntário. Cansei de me contar uma história linda, só para que os dias não corram sem magia e sem a certeza de um grande final de filme.
Imagina só que vida chata se eu, ao invés de escrever um texto de amor, cheio de esperança, profundidade, dor, maluquice, estivesse escrevendo um texto assim: e ninguém é interessante e eu, pra ser sincera, não gosto de ninguém.
Triste, muito triste. Chato. E pior do que tudo isso: anti-literário. Como é que um escritor vai se sustentar com um coração vazio?
Mas chega. Hoje decidi que estou prestes a assumir meu coração vazio. Não decidi isso movida por uma grande coragem ou por um momento de iluminação. Nada grandioso aconteceu. Apenas sinto que dei um pequeno, quase imperceptível, passo para uma vida mais madura. Eu simplesmente não suporto mais pintar o céu de cor-de-rosa para achar que vale a pena sair da cama.
Não posso mais emprestar mistério ao vazio, vida ao oco, esperança ao defunto, saliva ao seco. Não posso mais emprestar meus desejos para que pessoas se tornem desejáveis. E, finalmente, não posso mais inventar amor só para poder falar dele.
Pelo menos hoje quero me desafiar a fazer algo muito mais difícil. Quero não sentir nada. Quero descansar meu coração de saco cheio das minhas invenções e precisando se preparar para viver algo de verdade.
Como será que é acordar e não esperar nada com o toque do celular, da campainha, do messenger, do e-mail, do ar, do chão? Como será que é sentir e gostar da vida pela sua calmaria e banalidade? Como será que é viver a banalidade sem achar que isso é banal?
Este é um não texto. Pra falar de um não amor. Pra falar de uma não fantasia, invenção, personagem. Esse é um texto a favor da vida, pra falar da vida. A vida com seus defeitos, cinzas, brancos, estagnações, paradas, frios, silêncios, amenidades. A vida que pode não acelerar o peito e deixar tudo com estrelinhas de purpurina. Mas que é incrível por ser real.
A vida que não se escreve mas se vive, mesmo que isso, muitas vezes, seja ainda mais difícil que qualquer regra gramatical ou construção literária.

sábado, 7 de novembro de 2009

Apologize.

I take another chance,
take a fall, take a shot for you,
i need you like a heart needs a beat,
But it's nothing new, yeahhh yeahhh
I loved you with the fire red,
Now it's turning blue, and you said
Sorry like the angel,
Heaven let me think was you,
But I'm afraid

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Para menina do sorriso sincero.

O centro da cidade vibra meu pânico de multidão. São pessoas esbarrando em mim e gesticulando palavras que eu não entendo. Meus fones de ouvido protegem minha cabeça de toda a dor acústica e me vendem decibéis mais ternos. Minha vida não importa pra esses humanos que me atropelam sem rodas. São todos viventes de seu próprio caminho e cruzam o meu por destino ou precisão. Se por acaso eu parasse, seria somente por minhas pernas perderem seu sentido entre tantas outras.
Eu posso ver - por todos os lados, por todos os poros.
Respirações longas e curtas, afobadas, vivas - mas não enxergo. Exatamente à minha frente, focaliza uma imagem, apenas uma. Eu jamais me esqueceria de tal visão. Se por acaso eu dormisse, seria apenas por não ter forças em manter meus olhos fixos.
Mesmo depois de conhecer vários e novos sorrisos, o dela ainda é o meu preferido. Eu e a minha mania com dentes e caráter. Tenho certeza que ela é boa porque sorri de verdade. Entre tantos medos e mortes da solidão em meio à todos, alguém sorri sorrindo.
No meio de tudo, alguém pareceu se importar e demonstrar caráter. Ainda que eu parasse no tempo e buscasse a razão, seria só por não encontrar opções de fuga quando me prendo na hipnose dos olhos sorrindo.
Devolvo o olhar por não saber o próximo segundo e pela vontade de estender o momento pela eternidade. Parecemos mútuos no desejo de viver pra sempre no agora só pela companhia extraordinária. Se eu viro as costas e entro no carro, é porque assim havia de ser e porque a força humana me empurra na direção contrária ao impulso inicial. Por quê?
Talvez fosse a exata sintonia, do exato alinhamento, da exata fração de segundo que motivasse duas presenças tocadas dessa maneira. E se existir um próximo encontro, por mais breve e estático que seja, será só pelo encanto do sorriso mais sincero do meu caminho.

A dona da culpa.

Vamos jogar aberto. A culpa é minha. Eu dei meu coração. Eu criei expectativas. Então, com sua licença. A culpa é minha. Minha culpa. Minha feia culpa que é minha e de mais ninguém. Minha culpa de sete pontas. Minha culpa que me faz olhar a vida e me sentir personagem principal de uma página triste. E não é só triste. É uma culpa boa. Porque também me faz exercitar um sentimento maior (e mais brilhante que o mundo): o perdão. Se eu pudesse escolher um verbo hoje, eu escolheria "perdoar". Assim, conjugado na primeira pessoa, com objeto direto e ponto final:- eu me perdôo. Não, eu não te perdôo porque não tenho porque te perdoar. Tenho que perdoar a mim. A mim, que me ferrei. Me iludi. Me fudi. Me refiz. Me encantei. A culpa é minha. Minhas e das minhas expectativas. Minha e das minhas lamentáveis escolhas. Minha e do meu coração lerdo. Minha e da minha imaginação pra lá de maluca. Então, com sua licença, deixe eu e minha culpa em paz. Eu e meu delicioso perdão por mim mesma. Eu só te peço uma coisa. Pare de culpar a vida. Pare de ter pena de você. Se assuma. Se aceite. Se culpe. Se estrepe. Se mate. Mas se perdoe. Pelo amor de Deus, se perdoe.

A cor do meu sorriso.

Tá difícil esconder a dor...
A cor do meu sorriso se escondeu...não!!!
não e mesmo sem querer, não foi dessa vez
E antes que você perceba, eu vou estar lá
Não!! não volto a olhar para trás
O meu lugar é longe do seu passado
Me toca,me tenta e me deixar para trás
não foi por querer, não te quero mais

Não e mesmo sem querer, não foi dessa vez
E antes que você perceba, eu vou estar lá.

-Canto dos malditos na terra do nunca.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Intensidade.

Eu preciso aprender a ser menos. Menos dramática. Menos intensa. Menos exagerada. Alguém já desejou isso na vida: ser menos? Pois é. Estranho. Mas eu preciso. Nesse minuto, nesse segundo, por favor, me bloqueie o coração, me cale o pensamento, me dê uma droga forte para tranqüilizar a alma. Porque eu preciso. E preciso muito. Eu preciso diminuir o ritmo, abaixar o volume, andar na velocidade permitida, não atropelar quem chega, não tropeçar em mim mesma. Eu preciso respirar. Me aperte o pause, me deixe em stand by, eu não dou conta do meu coração que quer muito. Eu preciso desatar o nó. Eu preciso sentir menos, sonhar menos, amar menos, sofrer menos ainda. Aonde está a placa de PARE bem no meio da minha frase? Confesso: eu não consigo. Nada em mim pára, nada em mim é morno, nada é pouco, não existe sinal vermelho no meu caminho que se abre e me chama. E eu vou... Com o coração na mochila, o lápis borrado, o sorriso e a dúvida, a coragem e o medo, mas vou... Não digo: "estou indo", não digo: "daqui a pouco", nada tem hora a não ser agora. Existe aí algum remedinho para não-sentir? Existe alguma terapia, acupuntura, pedras, cores e aromas para me calar a alma e deixar mudo o pensamento? Quer saber? Existe. Existe e eu preciso. Preciso e não quero.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Não era amor, era chocolate.

"(...) Não me venha falar de intensidade, isso sempre acaba e dá lugar a alguma outra coisa. Amor, talvez? Pois é, não conseguimos chegar neste nível. A gente busca estabilidade, mas quando encontra fica de saco bem cheio. A analogia é simples. Pensa naquilo que você mais gosta de comer. Chocolate, quem sabe? Pois bem. Eu estava lá, ávida por um pedaço enorme de chocolate. Você me deu só uma lasquinha. E eu fiquei sonhando com o restante, desenhando momentos, com um eterno gosto doce na boca. Mas se você tivesse me dado a barra toda, certamente eu teria enjoado. Porque eu sei, agora eu sei, que não era amor, era chocolate."

Mila - One Last Cigarette

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Desejos.

Só quem tem o poder de te fazer sentir viva, pode fazer você se sentir morta. Só quem arrepia cada centímetro do seu corpo e faz você sentir o sangue bombear num ritmo charmoso, é capaz de estragar o mundo quando parte. Só quem tem o poder de tornar o mundo leve e fazê-la flutuar, também pode afundar sua noite e fazer com que seu corpo se arraste pelos restos que sobraram da festa. Aonde está a força de negar um desejo se enquanto ele não é saciado continua existindo? Desejos nascem, ocupam lugares interessantes do seu corpo, e não morrem antes de um formigamento exausto de prazer, uma manhã suja de arrependimentos, hálitos estragados de amargura e clicks que a vida nos dá, também chamados de momentos de verdade, que em muito se parecem com toques de mágica para você sair do estado encantado e falso da imaginação. Você pensa que é forte sendo moralista, respirando fundo, contando até mil, sumindo da festa, rezando, desviando sua atenção, mas ela está lá, num bar com as amigas, te olhando de longe. E ela continua lá mesmo depois que o táxi a levou, meio embreagada, para casa. Ela está no vazio que deixou, na dúvida de como poderia ter sido, na esperança do próximo encontro, na consciência leve pela negação e pesada pela cobrança de um tesão ainda latente. Pecados existem, não os julgados por Deus, não as pecuinhas julgadas pelos humanos.
Pecados existem dentro dos corações traidores. Mas se antes meu coração ardeu e se assustou de pecados, agora ele chora de saudade, de covardia e de aceitação. Ele está puro e nem por isso tranqüilo. Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final nele se for até o fim. E o fim pode ser um simples enjôo ou, na pior das hipóteses, a morte. Mas você viveu. Para matar um desejo é preciso viver, nem que depois você morra junto com ele. Indo embora para casa, segurei o peito, que parecia solto, e abafei uma lágrima. Como eu queria agora estar com ela. Por aqueles segundos de esquecimento, mais meses de lembrança. Por algumas palavras idiotas, mais muitas contidas para não parecer idiota. O desejo me acompanhou até em casa. Muito , muito mais forte que minha nobreza em ter dito não. Ela está lá. No seu coração, na sua mente, no cheiro que você carrega junto com seu passado. Ela está em cada batimento cardíaco contraído, em cada torção contraída do seu estômago, em cada momento descontraído de seus hormônios. Você está aqui. Em cada linha que eu escrevo, em cada momento correto que eu me agarro para não deixar você errar, em cada provocação estratégica para você nunca desistir de insistir em errar. Você está aonde eu quero chegar, em tudo que eu quero negar, muito presente. Não quero uma só uma escapadinha, não quero uma vida ao seu lado. Não quero nunca mais te ver.
Queria ter dez minutos com você, o bastante para não mudar minha vida em nada. Quero outra vida. Não estou nem aí pra você. Só penso em você. Você é minha amiga, você é uma conhecida, você foi a melhor noite da minha vida. Mais do que qualquer certeza, confusão é paixão. Quis demais que você fosse embora, quis demais que você ficasse pra sempre, quis não pensar, me agarrei numa lógica fria que berrou no meu ouvido que toda ação tem sua reação. Toda traidora tem seu dia de enganada. Toda vontade negada tem seu dia de câncer. Todo silêncio tem seu dia de grito desesperado. Entenda cada som, de cada letra, de cada palavra, de cada frase, de cada sentença, de cada idéia carregada de desejo, como um grito de cada parte do meu corpo que ficou lacônica quando sua presença física abandonou a festa. O desejo era tanto, que travei. Tive medo da hora de ir embora. Tive medo da sua pressa, que sempre me ofende tanto. Tive medo da sua fidelidade. Você sempre me satisfez muito bem, mas nunca me emprestou sem ombro, seu colo, sua mão, seu olhar carinhoso, seu suspiro, seu sono, sua fragilidade. Tive medo de ser só desejo, porque para mim sempre foi mais. Prefiro ser perseguida pelo meu desejo, que não tem dia para acabar, do que ser abandonada mais uma vez pelo seu, que dura no máximo uma noite.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cartola.

Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Presta atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

É isso que acontece.

"Aquele menino ali, andando de bicicleta, ele acabou de pedir pro seu pai, tirar as rodinhas traseiras, que lhe proporcionavam o equilíbrio exato, em todos os momentos, pra assim poder correr, correr mais além.
Agora, pare essa cena, e pense que se ele tentar andar, e cair, se machucar bastante, ele não vai querer tentar novamente tão cedo, e quando tentar ele vai ter todo o cuidado, pra não cair no mesmo lugar, e repetir o mesmo erro, com o mesmo machucado e a mesma dor.
Agora volte e pense que esse menino não caiu, ele conseguiu! E foi espetacular, na próxima vez que ele tentar, será breve e tão empolgante, como ele não conhece a dor, ele não vai temer o cair...
É isso que faz as pessoas serem tão amorosas ou tão geladas. É isso que acontece com o coração de cada um, "sempre serve de exemplo, o primeiro fracasso ou a primeira vitória".
É isso que faz as pessoas terem assim, tanto receio de errar denovo ou terem tanta esperança que vai ser tão lindo e espetacular quanto foi antes."

domingo, 25 de outubro de 2009

Romantizar.

Eu cansei de ser assim, por que não consigo ver as garotas como diversão se elas conseguem tão facilmente me ver assim? Por que não posso aceitar que nem tudo é romance?
Por que a droga da chuva me lembra todas as vezes que eu voltei para casa sonhando e no dia seguinte me deparei com a frieza do dia seguinte?
Aonde está você pelo amor de Deus! Aonde está você? Não vê que estou cansada de pertencer a todos e não ser de ninguém? Não vê que minha devolução me enfraquece cada vez mais em me entregar?
Não vê que na loucura de te encontrar não meço as entregas? E elas nunca são entregas porque elas nunca são você.
Porque comecei este texto tão bem e mais uma vez esqueci de ser a mulher moderna que eu tanto gostaria de ser para lembrar a mulher romântica que espera por você a cada esquina, a cada riso nervoso que solto em forma de grito à espera do seu socorro.
Eu vou continuar vendo você em todos essas vadias que fingem ser você para vulgarizar o meu amor. Eu vou continuar cheirando você em todos esses suores fugazes que me querem num conto pequeno. Eu vou continuar lendo a nossa história em contos pequenos.
Cadê você que some a cada som que não me procura? Cadê você que parece ser e nunca é porque desaparece no cansaço das relações?
O meu amor acaba por todas, a minha espera cansa por todas, a minha raiva ameniza por todas. Mas a minha fé por você cresce a cada dia.
Eu posso aceitar que você nunca me leve de mãos dadas a um cinema. Eu posso ser uma noite e nada demais. Eu posso ser um banheiro e nada mais. Eu posso ser nada mais.
Mas eu nunca, em nenhum momento, deixo de romantizar a vida, cada segundo, por mais podre que seja, dela. Eu nunca deixo de procurar você. E eu nunca deixo de acreditar que você faz o mesmo a minha espera.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

I'll be miss you.

Life ain't always what it seem to be
Words can't express what you mean to me!
Even though you're gone we still a team
In the future can't wait to see if you'll
Open up the gates for me
When it's real feelings hard to conceal
Can't imagine all the pain I feel
Give anything to hear half your breath
I know you still livin' your life after death
Every step I take
Every move I make
Every single day
Everytime I pray
I'll be missing you
Thinking of the day
When you went away
What a life to take
What a bond to break
I'll be missing you
It's kinda hard wit you not around
Know you in Heaven smilin' down
Watching us while we pray for you
Everyday we pray for you
Till the day we meet again
In my heart is where I keep you
Wish I could turn back the hands of time
Still can't believe you're gone
Give anything to hear half your breath
I know you still livin' your life after death
One that morning
When this life is over
I know, I'll see your face
Every night I pray
Every step I take
Every move I make
Every single day
Every night I pray
I'll be miss you.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Não desista.

Eu não sei guardar coisas. Se eu compro chocolates, como todos no mesmo dia.
Se eu compro balas, chicletes, devoro todos em minutos, compulsivamente.
Detesto saber que algo me espera, quero acabar logo com aquilo.
Não sei lidar com a responsabilidade da felicidade.
Eu tenho uma menina linda me esperando essa hora, e eu quero com todas as células do meu corpo ir ao encontro dela. Mas eu não sei lidar com tanta felicidade, por isso estou planejando a morte dela.
Estou planejando matá-la com minha estupidez, quero que ela morra fulminado pelas minhas armas de boicote.
Quero que ela perceba o quanto sou chata, ciumenta, louca e doente. E que ela enjoe logo da minha cara abatida de intensidade.

Morra e me liberte dessa alegria incontrolável. Passe desta para uma melhor, porque eu sou um lixo.
Eu lembro daquele conto da Clarice em que a garotinha ruiva guardava os contos para ler depois, porque queria prolongar o mistério da felicidade.
Pois eu quero mais é botar fogo em todos os contos de felicidade que a vida escreve para mim, porque por alguma razão maluca a felicidade me escraviza, me paralisa, me faz ficar triste.
Eu olho para você e tenho tanta, mas tanta alegria em saber que você existe, que sinto ódio. Ódio de eu não mais esperar por você.
O sentido da minha vida era encontrar você. O motivo para eu seguir adiante nos corredores escuros e bater em portas obscuras, era a sua busca.
Você me roubou de mim mesma. E eu sou tão ciumenta que estou com ciumes de mim. Você me tirou da minha vida incompleta. E me transformou numa completa idiota.
O amor é uma doença. Eu sinto náuseas, febres, dores musculares. Eu acordo assustada no meio da noite. Eu choro à toa.
E esse mundo é tão novo pra mim, que eu te odeio. Que eu estou pequena nele, e preciso de você o tempo todo para me abraçar e dizer que está tudo bem.
E quando você não está por perto, eu caio. Porque não sei nada desse mundo de alegrias e coisas bonitas.
Se eu tentar fugir, escorrego no perfume da minha nova vida. A nova vida que não sei viver. A nova vida que quero viver ao seu lado. Ao lado da mulher que eu odeio porque nunca amei tanto.
Ao lado da felicidade que eu odeio porque se ela acabar, não sei mais se consigo voltar pra casa. E nem se quero.
Sim, o mundo é imperfeito, as pessoas traem, o amor não existe.
Agora eu estou aqui, inconformada com o seu passado, querendo matar suas lembranças. Com ciumes do seu silêncio porque ele está com você a mais tempo do que eu e eu tenho medo do quanto ele te consome, com ciumes do seu sono porque ele te leva do meu foco.
Com raiva da sua importância porque ela me congela, com raiva do tempo que não dura para sempre quando você me olha sabendo das minhas loucuras e ainda assim me amando.
Agora eu estou aqui, querendo que todos os amores do mundo durem para sempre, e que nenês nasçam, e que árvores cresçam e que garotas vagabundas não nos invejem e que os desejos das nossas sombras não nos traia.
Agora eu estou aqui, de lingua no chão, te odiando muito, virando a cara, socando você, cuspindo em você, te tratando mal, tudo isso porque não sei lidar com o mundo girando na minha barriga, a tontura do amor, o enjôo do vício em você, a dor do músculo quando me separo.
Pode parecer maluco, mas todas as minhas súplicas para que você desista de mim, é um jeito maluco de pedir que você não desista NUNCA, pelo amor de
Deus.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mais uma dose. Dupla, por favor.

E se eu mudasse meu destino num passe de mágica?
Estranho, mas é sempre como se houvesse por trás do livre-arbítrio um roteiro fixo, pré-determinado, que não pode ser violado.
Eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha – e tenho – pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.

E eu continuo nesse bar, ouvindo Marisa Monte baixinho, e me lembrei que a pulsação é involuntária, mas percebi que, ainda que eu pudesse escolher, o meu músculo pulsaria por você.

- Garçon, trás mais uma dose dupla de wisky e um amor sem gelo, por favor.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Remembering Sunday

Forgive me, I'm trying to find
My calling, I'm calling at night
I don't mean to be a bother
But have you seen this girl?
She's been running through my dreams
And it's driving me crazy, it seems
I'm gonna ask her to marry me
And even though she doesn't believe in love
He's determined to call her bluff
Who could deny these butterflies?
They're filling his gut

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Endeusar

Lá estou eu em mais uma mesa com taças de vinho pela metade, risos pela metade, fumaças desenhando algo que quase formou uma imagem, restos de couvert e bolinhas inacabadas e nervosas de guardanapo.
Olho pro lado e sinto uma saudade imensa, doída, desesperançada e até cínica. Saudade de alguma coisa ou de alguém, não sei. Talvez de mim, de alguma esposa fabulosa que eu tive em alguma encarnação, do útero da minha mãe, do meu anjo da guarda que está de férias em Acapulco, do meu avô que embrulhava sempre meu aparelho de dentes em um guardanapo e depois esquecia e jogava no lixo achando que era resto de algum lanchinho, de algum amor verdadeiro que durou um segundo, de uma cena perfeita que meu inconsciente formou na infância e que eu me encarreguei de acreditar como sendo meu futuro.
Sinto um nojo enorme e desesperador de todos os afetos em pílulas que posso ganhar. Fulana me acha a melhor companhia do mundo mas, pensando bem, ela pode desfilar com modelos por aí. Fulana pensa em mim todos os dias mas, pensando bem, ela tem que curtir a vida com seu carro novo. Fulano se diverte horrores comigo mas, pensando bem, ela também curte aquela tia tatuada que eu nem sei quem é e no fundo to pouco me lixando. Fulana passeou de mãos dadas comigo naquele fim de tarde que mereceu nossos aplausos, mas, quer saber? Viram ela dois dias depois de dormir na minha casa com outra numa festa. Fulana me apresentou para todas as amigas, quer saber, putz, qualquer garotinha do bar dos pseudo-intelectuais malas também pode ser interessante ou, caso não seja, ao menos tem um buraco. Odeio todas as minhas pílulas, odeio todos os amores baratos, curtos e não amores que eu inventei só para pular uma semana sem dor. A cada semana sem dor que eu pulo, pareço acumular uma vida de dor. Preciso parar, preciso esperar. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar e mais ainda a dor que vem depois dos dias entorpecidos.
Eu invento amor, sim. E dói admitir isso. Mas é que não aguento mais não dar um rosto para a minha saudade. E não aguento mais os copos, as fumaças, os amigos, as intenções e as bolinhas de guardanapo pela metade. É tudo pela metade. Ao menos a minha fantasia é por inteiro. Enquanto dura.
No final bruto, seco e silencioso da melhor festa do mundo que nem começou, é sempre isso mesmo. Eu aqui tomando meu chá mate limão meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. Aí eu limpo o rosto com creme anti-sinais e percebo que não faz o menor sentido ser uma criança chorona preocupada com rugas. Aí eu me acho louca porque só tem duas coisas que eu realmente queria nesse mundo: um filho ou voltar a ser filha. E aí eu deito pra dormir e penso em sacanegem, mas também penso em coisas bonitinhas. E eu rezo pedindo a Deus que não espere mais eu ser legal para ser legal comigo, porque eu to esperando ele ser legal comigo para ser legal. Aí eu penso que ele já é legal comigo e que, talvez, eu já seja legal com ele. E que tá tudo bem. Mas se eu penso que tá tudo bem nesse segundo, isso só significa que vou pensar o oposto no segundo seguinte. E que eu escrevi “ele” sem maiúscula mesmo, porque amigo íntimo a gente não fica com essa coisa de endeusar. E eu queria que Ele fosse meu amigo íntimo, ou ao menos existisse. E quando vou ver, já dormi. Sozinha.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Raspe dos teus dedos minhas digitais.

"Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso, mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido e te liguei. Me encontro tão ferida, mas te vejo ai também em carne viva. Será que não tem jeito? esse amor ainda nem nasceu direito, pra morrer assim. Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais, se você tivesse tido calma pra esperar, se você quisesse poderia reverter, se você crescesse e então se desculpasse, mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo. É que eu não posso mais, não vou voltar atrás. Raspe dos teus dedos minhas digitais, eu não vou voltar atrás. Apague da cabeça o meu nome, telefone e endereço."

Adeus você.


"Adeus você. Hoje eu vou pro lado de lá. Eu estou levando tudo de mim que é pra não ter razão pra chorar. Vê se te alimenta e não pensa que eu fui por não te amar. Cuida do teu pra que ninguém te jogue no chão. Procure-se dividir em alguém, procure-me em qualquer confusão. Levanta e te sustenta e não pensa que eu fui por não te amar. Quero ver você maior, meu bem. Para que a minha vida siga adiante. Adeus você. Não venha mais me negacear. Seu choro não me faz desistir, teu riso não me faz declinar. Aguenta essa tormenta e te aguenta que eu vou pro meu lugar. É bom às vezes, se perder sem ter porquê, sem ter razão. É um dom saber envaidecer, por si, saber mudar de tom. Quero não saber de cór também... Para que a minha vida siga adiante."

domingo, 11 de outubro de 2009

Eu nunca entendi.


Eu te amava com uma mistura de todos os meus personagens e, por isso, tão intensamente. Eu era uma menina deslumbrada que amava ver suas invenções por aí, era uma menina carente que amava seu jeito de irmã mais velha, uma mulher em formação que se formou com você, uma depressiva neurótica que precisava das suas palavras que deixavam tudo leve, até sua ausência e impossibilidade eu amava com toda a minha vontade de grudar em você pra sempre. Até que cheguei ao ponto de te amar sei lá por que, o que deve ser o verdadeiro amor. Eu nunca dormi de verdade ao seu lado para não perder nenhum dos segundos rápidos e preciosos que você me dava. Eu queria suas malas perdidas e suas lacunas falsamente calmas num canto descascado de uma sala morta, esperando a minha vida e a minha cor. Agora elas estão lá, e eu nem sinto vontade de saber onde. Por que raios você foi ultrapassar a linha da minha espera como alguém que testa sem intensidade o meu amor? Um dia seu cheiro começou a me dar um azedo na alma. Seu jeito, uma preguiça de me encantar. Suas palavras, um zumbido chato que me animava a prestar atenção em outra coisa. Era o instinto me dizendo que não dava mais pra sofrer. Amor também morre de saudade, sabia? E eu tinha saudade de te amar pura. Depois de levantar duzentas vezes e ir para o canto do ringue, cuspir sangue e ouvir a torcida dentro do meu coração gritar pedindo mais, eu fui a nocaute. Você sabia melhor do que ninguém que a felicidade me esmagava e eu ficava ainda mais carente quando ganhava carinho. Por isso você era em doses homeopáticas a pessoa mais carinhosa do mundo e também o ser mais frio do planeta. Muito em pouco, o máximo no mínimo, quase nunca pra sempre, nunca mais todos os dias. Por que as pessoas são assim tão esquecíveis, banais e passageiras? Por que planejar uma agenda de motivos para não ser de alguém com medo de se perder?
Eu nunca entendi. Creio que nunca vou entender.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

12 anos.


Férias antes dos doze anos era coisa de criança, poderia ser incrível ou um fiasco, a depender da programação dos pais, do tempo, das brincadeiras propostas, dos velhos amigos do prédio ou dos novos da praia, fazenda ou o que fosse.
Férias aos doze não dependia mais de pai e mãe e muito menos do tempo lá fora. Eu já tinha um projeto de seio (dois, no caso) e minha saliva tinha engrossado justamente porque eu não comia mais só o que era molhado e mastigado pelos cuidados de quem cuida. O mundo seco me martelava e incendiava o tempo todo e haja liquido próprio pra continuar viva.
Foi assim que na última aula do último dia útil do mês de junho, minutos antes do sinal que separava uma classe de setenta e dois alunos das primeiras férias adultas de suas vidas, chegou pra mim um bilhetinho que dizia “quando tocar o sinal é pra berrar e ficar de pé”.
Eu olhei para trás e uma infinidade de garotos topetudos e garotas com brincos gigantes rasgando suas orelhas confirmaram o combinado com bochechas rosadas e olhos safados. Eu finalmente era um deles e combinei comigo que gritaria o mais alto que pudesse, pularia o mais alto que pudesse e ainda esmurraria o topo do céu o mais forte possível, como fazem os que vencem alguma coisa depois de muitos anos de sofrimento, semi desistências e vômitos de madrugada.
Faltavam quatro minutos e eu olhava pra trás, agradecida até não poder mais por ter sido chamada a pertencer. Eu, aos doze anos, prestes a devorar a vida como se doze anos fosse ser muito velha e muito terminal e muito tanto que não pudesse ser mais nada, não estava tão sozinha assim no mundo, eu tinha enfim amigos que berrariam comigo, de pé, a chegada de alguma coisa que eu não sabia bem o que era mas que tinha a ver com meus peitos pequenos e meu coração batendo com arritmia de valsa bem no meio das minhas pernas.
“Crescer não precisava doer tanto”, eu lembro que pensei ao sentir, pela primeira vez, que cada canto do mundo podia trazer o perfume da minha mãe. Ainda que o cheiro desse perfume de mãe não fosse o da minha. Crescer pode ser gritar quando não se aguenta e pode ser pular quando não se aguenta e pode ser com amigos já que, enfim, é de não se aguentar mesmo.
Eu só perderia a virgindade 4 anos depois daquele dia, eu só beijaria na boca 1 ano anos depois daquele dia, eu só amaria pela primeira vez três anos depois daquele dia. Mas aquele dia, lembro bem, eu coloquei meu cabelo atrás da orelha e senti, com o tom da voz mental menos infantil, que a vida podia vir que eu tava pronta e a mataria no peito. Eu não teria dor de barriga. Que venham as férias.
E foi então que o sinal soou e eu berrei, de pé, com os braços muito esticados para o alto. Completamente sozinha. Seguida por caretas, dedos apontados e pelos sons de risos descontrolados, palmas e uivos de todo mundo.
Essa é minha última lembrança antes de me sentir envelhecendo. Como uma criança que comemora sozinha. Como uma louca que não aguenta isso tudo que é tão bom e terrível e não disfarça mandando bilhete anônimo e nem se escondendo em grupos de risos e chacotas.
E assim se seguiram todos os meus dias, até aqui. É sempre pra essa cena que volto, quando tenho a impressão muito convincente de que sinto os sinais que tocam com muito mais dor e grito e alegria que as pessoas que ficam na espreita dos que ansiosamente não suportam muito não ser puros.
Na hora eu quis morrer de vergonha, ódio e medo, mas hoje eu vejo que desde o começo eu sabia da maldade mas preferi, como troca justa com o que minha história ainda tinha pra me contar, dar uma chance, até o fim, para que o mundo pudesse me amar do tamanho que a gente ama o mundo aos doze anos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Insensatez.

Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o meu amor
Um amor tão delicado

Ah, por que você foi fraco assim
Assim, tão desalmado?
Ah, meu coração
Quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade

Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado

http://www.youtube.com/watch?v=tnRTDI-1BXM

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

É quando...


Amor é quando você acha que a pessoa com quem você se relacionava era egoísta, possessiva e infantilóide e isso não reduz em nada a sua saudade, não impede que a coisa que você mais gostaria neste instante é de estar tocando os cabelos daquela egoísta, possessiva e infantilóide.
Amor é quando você sabe tintim por tintim as razões que impedem o seu relacionamento de dar certo, é quando você tem certeza de que seriam muito infelizes juntos, é quando você não tem a menor esperança de um milagre acontecer, e essa sensatez toda não impede de fazê-lo chorar escondido quando ouve uma música careta que lembra os seus 14 anos, quando você acreditava em milagres