Que seja doce...

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Nunca escrevi um texto para você

Nunca escrevi um texto para você. Você foi a unica mulher que me amou e eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado. Você sempre foi a única amiga que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E a única que sempre entendeu também, depois, eu dormir meio chorando porque é impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo.

Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro presente de dia dos namorados. Ou quando me deu aquele rodo de pia porque eu vivia reclamando que minha pia vivia molhada. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar apavorada e afobada com questões de banco você me levou até lá e me mostrou que resolver meus problemas não era difícil. Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu no meu aniversário com um pedaço de bolo e uma vela- "Olha, não podia passar em branco!"

E eu podia ter escrito um texto para você quando me pediu um tempo. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso.

Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu canto pagode no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer mulher que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você. Até hoje. Até essa semana. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso.  

Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida cheia de coisas. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você deixou eu te olhar, mesmo você não gostando de mim. E foi por isso, porque você deixou de ser a menina que me amava e passou a ser só mais uma que me usa, que você, assim como todas as outras, mereceu um texto meu.

domingo, 17 de novembro de 2013

Ficar triste é sempre pela primeira vez. Já fiquei triste tantas vezes, mas nunca assim. Porque o “assim” de ficar triste é sempre pela primeira vez. Já fiquei mais triste do que estou agora, mas nunca tão triste. Porque o “tão” de ficar triste, quando é tristeza mesmo, é sempre arrebatador e assustador e é pela primeira vez. É sempre com o peito virgem e assustado e infantil que ficamos tristes. É sempre com cinco anos, com fome, nus, gelados, segundos antes de morrer de falta de sentido por ter nascido.
A tristeza é uma criança de rua com uma faca apontada pra falta de amor que o mundo ofereceu pra ela. Uma meleca no nariz que nenhuma mãe limpou se transformando nos olhos de um adulto assassino. A tristeza é um pedaço de vidro numa mãozinha pequena. A tristeza é um anjo que não arrumava ninguém pra poder agir como um anjo e foi ficando bem diabólico. A tristeza é ter que comer um risoto caro, com amigos felizes, quando só se quer vomitar no banheiro de casa, sozinha. E triste.
Eu quero vomitar tudo. A água, a saliva, a língua, o seco da garganta, a amígdala, o apartamento de milhões de metros quadrados vazios que virou o meu peito. Quero vomitar minha pele, meus olhos, meu fígado, meus horários, minhas listas de vontades. Eu quero tudo fora, tudo fora. Eu quero eu fora. Eu quero ir pra fora de onde está tão devastado e de onde eu tinha pintado tudo de azul pra te ver sentado bem no centro. No centro do meu peito, você, com a luz azul da minha esperança.
A tristeza me fez um milhão de vidas essa semana. Um milhão de almoços e jantares e projetos. Eu sorrindo, implorando às distrações que me levem, que façam remendos em meu peito perfurado pela violência do ar que não assovia mais os seus sons.
A tristeza me fez repartir o calmante no meio. Tomar um. E tomar o outro. Porque nem calmante eu to suportando ver pela metade. Que pelo menos no limbo da minha mente triste alguma coisa possa viver inteiramente.
A tristeza é uma parede, uma geladeira, um computador, um telefone, uma televisão, uma cama, um elevador, um carro. A tristeza são as ruas, os jornaleiros, as pessoas gordas atravessando, as pessoas magras atravessando. A tristeza é o cinza, o vermelho, o azul, o transparente. A tristeza é a próxima música, a próxima seta pra direita, a próxima seta pra esquerda. A tristeza é o ar que sai e o ar que entra. A tristeza é o segundo de ar que se perde e fica mais um tempo. A tristeza é dizer que são cinco dias, são seis dias, são sete dias. A tristeza é a nossa última vez juntos fazendo quinze dias, dezesseis dias, dezessete dias. A tristeza é o amor ter acabado sem ter acabado. É não saber o que é amor e não saber o que é acabar e não saber o que é não acabar. A tristeza só sabe que é triste e todo o resto ela só tenta saber, mas fica louca e desiste. A tristeza é de uma simplicidade que a torna ainda mais triste.
A tristeza é qualquer posição sentada ou em pé ou deitada. A tristeza é deitar e levantar. Tentar ou desistir carregam a mesma tristeza das coisas que não existem. Minha pele toca no pano, na água, na tela, uma mão toca na outra. Todos os toques são tristes. Todas as posições são tristes. Amanhã será triste, ontem foi triste. Hoje é o dia mais triste do mundo.
Hoje elegi o mais triste de tudo. É o banquinho que guardava a sua bolsa de carteiro e que não guarda mais nada. Ele agora é só o que era mesmo pra ser: um banquinho. Limpo, solitário, imponente, em sua nobre função de banquinho.

sábado, 16 de novembro de 2013

Me disseram que não escolhemos de onde viemos mas podemos escolher para onde iremos. Sei que não responde tudo, mas foi o suficiente para juntar todas as peças.
Não sei se terei tempo para escrever mais cartas, porque estarei muito ocupada tentando 'participar'. Então, se essa for minha ultima carta, saiba que estive numa situação ruim e que você me ajudou a superar, mesmo sem saber o que era.Você fez eu não me sentir sozinha.
Eu sei que existem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem, que há pessoas que se esquecem do que é ter 16 quando fazem 17 anos, sei que tudo isso não vai passar de histórias um dia e nossas imagens se tornarão fotografias antigas, todos nós nos tornaremos pais e mães...
Mas, nesse momento, estes momentos não são histórias, está acontecendo.
Eu estou aqui e estou olhando para ela, e ela é tão linda. Consigo enxergar. Esse momento que você sabe que não é uma história triste, você está vivo. Você se levanta e vê as luzes dos prédios e tudo que faz você se questionar. E está ouvindo musica naquele passeio com as pessoas que mais ama nesse mundo.

E nesse momento, eu juro, nós somos infinito.






- As vantagens de ser invisível.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Eu poderia descrever você de várias formas... lidando apenas com o seu abraço do tamanho do mundo, o seu cheiro, seus olhos observando aquilo que se enxerga somente a olho nu. Eu taparia toda a minha privacidade se soubesse que com esses mesmos olhos voce me diria tantas coisas. Eu me deixei ser traduzida, suas mãos que bem levemente iam lendo por entrelinhas as alegrias e desesperos da minha vida, tatuadas na pele, com a mesma firmeza que prendo o ar pra não deixar escapar nada. Ah se eu soubesse que me levaria tão bem nas palmas das mãos, mesmo assim ainda não teria sido mais firme, nem grudaria os pés no chão, as mãos na parede, e deixaria que você me arrastasse assim pro seu lado. Eu nunca apagaria as luzes, nunca tamparia seus olhos só pra continuar me perdendo dentro deles, e caindo nesse poço sem fim que suga minhas incertezas e levam pra sabe-se lá onde. Eu poderia descrever você como uma simples garota que conheci, mais uma mulher na minha vida, mais um corpo que me sustentasse as mágoas, mais um sorriso que me abrisse as portas, mais um abraço que me escondesse, mas não, você consegue se fazer única em tudo. Estou acostumada com a sua mão segurando a minha, um encaixe, que se tivesse sido combinado teria dado errado. Eu jamais conseguiria fingir que não ligo a mínima quando liga pra mim e que me deixa louca só de imaginar você sorrindo, nunca conseguiria te dizer pra calar essa boca, pra que eu não escutasse a sua voz bem pertinho de mim e sentisse esse arrepio que começa e não acaba nunca.Você é tudo o que me inspira. Mesmo que eu te respire 30 horas por dia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Não há pôr-do-sol que valha desviar seu olhar do dela. Eu te amo. Eu também te amo. Eu te amo mais. Impossível. Eu te amo o mundo. Eu te amo o universo. Te amo tudo aquilo que não conhecemos. E eu te amo antes que tudo o que nós não conhecemos existisse. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo mais do que a mim. ‘Já conheço os passos dessa estrada’... E, mesmo assim, estarei sempre pronto para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.


Fernanda Young.
... Só volte pra folha em branco e caminhe com mais calma.

sábado, 11 de junho de 2011

Em algum momento, em vários deles ou definitivamente, as pessoas sempre vão embora. Talvez essa seja a pior coisa do mundo. Ela vai embora, sempre, quando eu preciso de quinze minutos de silencio complementar à minha entrega. Odeio essa ansiedade pelo depois. Que se dane o depois, eu sou agora, ou pelo menos era. Ela vai embora, sempre, quando o paragrafo passa de tres linhas, o pensamento dela ultrapassa meus olhos,o som se perde da minha boca para qualquer outro canto do mundo que não seja meus ouvidos e ela olha fixamente pra qualquer outra coisa que não seja minha existencia.Sempre a mesmacara de tedio e de busca pelo resto que não se repete, ou não se prolonga. Ela sempre vai embora quando eu queria ela se perdesse um pouco, rasgasse a agenda, lançasse o celular no rio, desligasse todos os toques, louzes e sinais de que há todo o resto. Esquecesse do sono, do livro, da planta, das lembranças. Ela sempre vai embora do meu mundo quando eu só queria que ela descansasse um pouco de ser ela o tempo todo,mas ela tem muito medo de não ser ela, talvez porque ela não saiba o que ela é. Ela sempre vai embora pra descobrir quem ela é, ou pra lembrar que ela é a mesma de sempre que não sabe quem é, ela sempre vai embora antes da gente ser alguma coisa juntas. Vivo com essa sensação de abandono, e falta,de pouco, da metade. Mas nada disso é novidade. Antes dela, teve a outra, a outra que continua indo embora pra sempre porque nunca foi embora pra sempre. Eu não sei deixar ninguém partir, eu não sei escolher, excluir, deletar. São as pessoas que resolvem me deixar, melhor assim, adoro não ser responsavel por absolutamente nada, odeio o peso que uma despedida eterna causa em mim. Nada é eterno, não quero brincar de deus.
A outra foi embora a primeira vez porque estava bebada demais, foi embora a segunda vez porque ficou tarde, foi embora a terceira porque teve medo de ficar pra sempre, foi embora durante alguns longos anos porque todo o resto do mundo precisava dela e eu era apenas uma das demandas. Ela me chamou de demanda dois anos ou duas encarnações. A gente sempre se despede lembrando da musica do chico que diz: 'O amor não tem pressa, ele sabe esperar em silencio.'. Antes dela ainda teve outra que sempre ia embora na espera de que existisse algo melhor do que eu, mas não ia definitivamente porque não é todo dia que aparece alguem melhor do que eu. Um dia apareceu, ela até que é bonita e tal, não parece tão confusa e intensa e talvez mediocridade seja tudo de que uma pessoa precisa para ser feliz. Mas a ultima vez que ela foi embora, antes me deu um abraço de quem nunca saiu do mesmo lugar. O abraço e o seu olhar de quem nunca sabe direito porque vai embora ficaram pra sempre comigo. Hoje minha nova amiga foi embora, não pra sempre, mas umsegundo pode ser pra sempre se pensarmos grandiosamente,e ela me dá vontade de pensar grandiosamente. Fazia tempo que alguém não ficava tão calada enquanto eu apenas existo, fazia tempo que alguem não ficava tão perdida só porque me encontrou, fazia tempo que eu não me olhava no espelho e sorria.
Sou interessante! Da onde eu tinha tirado o contrario nos ultimos meses? Todo mundo chega na sua vida. Em algum momento, em varios deles ou definitivamente as pessoas chegam. Talvez essa seja a melhor coisa do mundo. Como naquele texto que não lembro, daquela pessoa que não lembro, e sobre o qual voce me contou de um jeito que eu nunca mais vou esquecer, no final a gente acaba mesmo numa esquina qualquer, lembrando de alguém que umdia chegou e depois foi embora.