Que seja doce...

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sábado, 11 de junho de 2011

Em algum momento, em vários deles ou definitivamente, as pessoas sempre vão embora. Talvez essa seja a pior coisa do mundo. Ela vai embora, sempre, quando eu preciso de quinze minutos de silencio complementar à minha entrega. Odeio essa ansiedade pelo depois. Que se dane o depois, eu sou agora, ou pelo menos era. Ela vai embora, sempre, quando o paragrafo passa de tres linhas, o pensamento dela ultrapassa meus olhos,o som se perde da minha boca para qualquer outro canto do mundo que não seja meus ouvidos e ela olha fixamente pra qualquer outra coisa que não seja minha existencia.Sempre a mesmacara de tedio e de busca pelo resto que não se repete, ou não se prolonga. Ela sempre vai embora quando eu queria ela se perdesse um pouco, rasgasse a agenda, lançasse o celular no rio, desligasse todos os toques, louzes e sinais de que há todo o resto. Esquecesse do sono, do livro, da planta, das lembranças. Ela sempre vai embora do meu mundo quando eu só queria que ela descansasse um pouco de ser ela o tempo todo,mas ela tem muito medo de não ser ela, talvez porque ela não saiba o que ela é. Ela sempre vai embora pra descobrir quem ela é, ou pra lembrar que ela é a mesma de sempre que não sabe quem é, ela sempre vai embora antes da gente ser alguma coisa juntas. Vivo com essa sensação de abandono, e falta,de pouco, da metade. Mas nada disso é novidade. Antes dela, teve a outra, a outra que continua indo embora pra sempre porque nunca foi embora pra sempre. Eu não sei deixar ninguém partir, eu não sei escolher, excluir, deletar. São as pessoas que resolvem me deixar, melhor assim, adoro não ser responsavel por absolutamente nada, odeio o peso que uma despedida eterna causa em mim. Nada é eterno, não quero brincar de deus.
A outra foi embora a primeira vez porque estava bebada demais, foi embora a segunda vez porque ficou tarde, foi embora a terceira porque teve medo de ficar pra sempre, foi embora durante alguns longos anos porque todo o resto do mundo precisava dela e eu era apenas uma das demandas. Ela me chamou de demanda dois anos ou duas encarnações. A gente sempre se despede lembrando da musica do chico que diz: 'O amor não tem pressa, ele sabe esperar em silencio.'. Antes dela ainda teve outra que sempre ia embora na espera de que existisse algo melhor do que eu, mas não ia definitivamente porque não é todo dia que aparece alguem melhor do que eu. Um dia apareceu, ela até que é bonita e tal, não parece tão confusa e intensa e talvez mediocridade seja tudo de que uma pessoa precisa para ser feliz. Mas a ultima vez que ela foi embora, antes me deu um abraço de quem nunca saiu do mesmo lugar. O abraço e o seu olhar de quem nunca sabe direito porque vai embora ficaram pra sempre comigo. Hoje minha nova amiga foi embora, não pra sempre, mas umsegundo pode ser pra sempre se pensarmos grandiosamente,e ela me dá vontade de pensar grandiosamente. Fazia tempo que alguém não ficava tão calada enquanto eu apenas existo, fazia tempo que alguem não ficava tão perdida só porque me encontrou, fazia tempo que eu não me olhava no espelho e sorria.
Sou interessante! Da onde eu tinha tirado o contrario nos ultimos meses? Todo mundo chega na sua vida. Em algum momento, em varios deles ou definitivamente as pessoas chegam. Talvez essa seja a melhor coisa do mundo. Como naquele texto que não lembro, daquela pessoa que não lembro, e sobre o qual voce me contou de um jeito que eu nunca mais vou esquecer, no final a gente acaba mesmo numa esquina qualquer, lembrando de alguém que umdia chegou e depois foi embora.

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