Que seja doce...

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sábado, 31 de julho de 2010


Intimidade é quando a vida da gente relaxa diante de outra vida e respira macio. Não há porque se defender de coisa alguma nem porque se esforçar para o que quer que seja. O coração pode espalhar os seus brinquedos. Cantar a música que cada instante compõe. Bordar cada encontro com as linhas do seu próprio novelo. Contar as paisagens que vê enquanto cria o caminho. Andar descalço, sem medo de ferir os pés.
Então ela perguntou, assustada:
- Você pode segurar o meu medo um instante?

E ele respondeu:
- Um instante é muito no lugar de onde você vem?
- Porque eu pretendo passar a noite, a vida inteira, aqui, com você.

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ver além dos olhos, de ouvir além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio, tão clara, no próprio coração. Essa sensação, às vezes, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói ser ferido. Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, de fazer a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe. Essa possibilidade de experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a idéia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.
Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

"E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."
C.F.A

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
C.F.A

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"Mas eu gostava dela, dia mais dia, mais gostava. Digo ao senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ela estar perto de mim, e nada me faltava. Era ela fechar a cara e estar tristonha, e eu perdia meu sossego."
"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca,
para sempre.
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando
passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira"

terça-feira, 27 de julho de 2010

- Eu nunca consegui entender como você consegue ser assim!
- Porque quem tem a melhor intenção, o melhor no coração, cedo, tarde, amanhã, algum dia, recebe tudo em troca, em dobro.
Quando algo começar a te enlouquecer, enfernizar ou surtar, use a técnica dos grandes admiradores de arte: recue diante da tela, mude de ângulo em relação a ela, observe as cores, os traços e os detalhes que, na correria, sempre passam despercebidos. Então notará que ela é muito mais do que aquele ponto preto que ficava, insistente, diante dos seus olhos. Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É questão de perspectiva.
Desejo que o seu melhor sorriso, esse aí tão lindo, aconteça incontáveis vezes pelo caminho.
Que cada um deles crie mais espaço em você. Que cada um deles cure um pouco mais o que ainda lhe dói. Que cada um deles cante uma luz que, mesmo que ninguém perceba, amacie um bocadinho as durezas do mundo.
É preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida. A música. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os reis magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza.

segunda-feira, 26 de julho de 2010


Eu nunca quis tanto ser o futuro de alguém. Eu nunca quis tanto valer a pena. Eu nunca quis tanto fazer o certo. Eu nunca quis tanto ser perfeita. Eu nunca quis tanto alguém tão perto. Eu nunca quis tanto esperar. Eu nunca quis tanto entender. Eu nunca quis tanto fazer por onde. Eu nunca quis tanto me dar. Eu nunca quis tanto receber. Talvez porque eu nunca tive alguém por quem valesse tanto a pena.

"Minhas páginas podem ser repetitivas e vezenquando monótonas, só quero que você não largue o livro na metade. Insista, resista, persista. Mesmo que o sono chegue ou o tédio se instale siga em frente com o livro em mãos. E se faltar luz, por favor, pegue uma lanterna e vá até o fim. Mas vá! Preste atenção em cada linha, no que foi dito e no que ficou por dizer..."

domingo, 18 de julho de 2010

Mudei porque amadureci, mudei porque passei por tantas e tão diversas experiências, que consegui aprender com meus próprios erros. Mudei porque me decepcionei com alguns que se diziam amigos, mudei porque me decepcionei com amores. Mudei porque conheci pessoas tão especiais que fui capaz de me inspirar por elas e me espelhar nelas para me tornar uma pessoa diferente, melhor. O tempo passou, eu mudei e nem tudo, nem todos, me acompanharam.

sábado, 17 de julho de 2010

Ela é a dona das cores e palavras doces. De cores e palavras doces, eu gosto. Ela é a dona do sorriso e olhar mais lindos desse mundo. Não, acho que ela não sabe que é dona do sorriso e do olhar mais ternos desse mundo, que tem um abraço que dá vontade de morar dentro e que eu não queria que ela fosse embora nunca mais. Mas sinto que ela percebe. E quando eu olhei pra ela, deitada na minha cama, fazendo parte de mim, senti um daqueles instantes de felicidade que enchem o peito de um não sei quê de ternura e desanuvia a confusão dos dias. Aí pensei que podia passar horas ali sem nenhum movimentos mais, mesmo com a vida correndo lá fora. Porque a pressa que mora aqui dentro, desacelerou. Eu começava e terminava naquele exato momento, sabe como é? Asiim: sem antes, nem depois. Ela é o sorriso dos meus dias mais azuis e amarelos e rodas e verdinhos. A palavra mais doce de sentir, o tão doce de olhar. Então quando aconteceu de não saber o que sentia por ela, fechei os olhos e sorri bobo, me sentindo tão boba e não me importando porque acho que bobo é quem não se deixa levar assim. Eu me entrego.

domingo, 11 de julho de 2010

Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tenho, é seu.
Domingo é o meu inferno astral. Duvido que haja algo mais entediante. É dia de descansar, de almoço em familia, de ir ao parque: o domingo é benevolente demais. Não tem a malicia do sabado nem a determinação da segunda. É um dia em cima do muro, não é dia de festa e nem de trabalho. Nem lá, nem cá. Nem mais, nem menos. Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estavamos mas ainda não chegamos onde queremos. Viajar de avião, por exemplo. Tem coisa que nos deixe mais sem chão, literalmente? Estrada tem ao menos a paisagem pra distrair, e quem quiser sair do carro, sai. Mas você não pode sair de um avião. Nem de um domingo.

sábado, 10 de julho de 2010

Eu escrevo teu nome nessas pedras, que vou jogando por onde passo. No fundo, espero que você me siga, mas não tenho coragem de pedir. Aí, tem gente que vem, sem nem ser chamado, sem nem se importar com o fato do nome escrito ali, ser outro. As pessoas não ligam pra essas coisas, não ligam para essas 'pequenezas', sabe? Eu ligo. Ligo pra tudo. Sou mais detalhes, que do todo. Sempre fui. O fato é que fico olhando pra trás pra ver se você tá vindo e já tropecei umas quantas vezes. Esses dias mais. Isso porque não sinto teu cheiro no ar, não ouço teu riso passeando pelas horas. E sinto falta. E sinto um quase-medo. Embora, não tenha a menor ideia de quê. Sabe quando você pressente o monstro no escuro, mesmo sem poder vê-lo? É assim. Não sei se você entende, não sei se alguém entende e, realmente, não me importo. Não me importo mais com um monte de coisas. Dos benefícios do tempo. Hoje, parei e sentei bem aqui na beira desse rio que me atravessa. Só pra te sentir bem forte e te fazer sentir amor do lado de lá. Sim, porque você ainda não atravessou a ponte, bem sei. Tenho andado demais, jogado pedras demais, esperando demais que você me alcance. Não te peço pressa. Porque sabe, né? É a inimiga da perfeição.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde.Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados na sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Você agüentaria conhecer minha verdade? Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser louca, estranha, linda, chata! Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Tenho uma tpm horrivel. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir. Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir... Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome. (Meu coração é minha razão. Essa é a lógica que inventei pra mim).

terça-feira, 6 de julho de 2010


A felicidade entrou com o pé na porta e sentou ao meu lado. O dia meio cinzento, vai-não-vai e de repente ela surge amarela e esquenta a vida. Ela mora numa gaveta cheia de bobeirinhas lá em casa. Ela toma banho comigo quando a água leva embora coisa ruim e renova a alma e dorme ao meu lado quando eu descanso.

segunda-feira, 5 de julho de 2010




Desde que você chegou, me tornei um relicário dos seus beijos soprados. Meu coração só registra carinhos.
Meu amor é conjugado no infinito. Minhas orações já não se subordinam. E há noites em que o único sentido que encontro, é o de te observar. Me torno sua plateia. Vejo várias de você, e me perco naquela que você é.
Você é mais que um sorriso timido, daqueles de canto de boca. Você é mais do que os movimentos delicados. Você é a mais do que a inteligencia aflorada. Você é a sensibilidade de alguém que não entende o que veio fazer nessa vida, mas mesmo assim, vive.

Você existe em mim do jeito mais lindo que alguém poderia existir.
Não me importa o quanto vai durar. É infinito agora.

sábado, 3 de julho de 2010

Quando a minha face tiver dobrinhas, quero alguém que ainda assim me ache bonita, quando eu sequer enxergar nitidamente, quero alguém que diga que a culpa não é minha, quando eu me sentir fraca e andar vagarosamente quero alguém que me diga que ''a pressa é inimiga da perfeição'', quando eu não puder subir uma escada quero alguém que me diga que ja vivi muito, já subi muito... Quando eu perceber os meus olhos fundos, o meu corpo ondulatório, minha pele com rugas, não quero entristecer. Quando a juventude me faltar, quero ter ao meu lado alguém como eu, que este me ache bela e que a imagem que os seus olhos verão seja a verdadeira. Quero alguém que diga que o meu espelho é que começou a falhar.