Me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente. Me lembrei de vários lugares. Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”. E se não tiver mês que vem? Finalmente chorei todos os meus amores que acabaram, todas as portas que eu deixei entreabertas (porque sou péssima em fechá-las) e que se fecharam pela vida: a maioria sumiu, nem sei por onde anda. Alguém quis fazer desses amores perdidos moradias e eu mais uma vez fiquei sem minha placa de “aluga-se”. Enfim chorei o fim de tudo, assim é a vida, uma morte a cada dia. Depois, como sempre, limpei o rosto e continuei.
Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo.
Que seja doce...
...
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Eu tenho vontade de matar as pessoas que colocam TUDO no orkut, exemplos: ‘Aiii poque você me deixou! Estou triste’; ‘Feliz porque ele me ama’; ‘Eu não quero mais você’; ‘Minha mãe brigou comigo’; ‘Meu peixe morreu’… etc. Eu tenho vontade de esfregar a cara delas no chão. Tem que sofrer muito, minha filha, tem que ser largada por um milhão de mulheres e vê se aprende que amor não se implora. Vê se aprende que se ela gosta, uma frase no orkut não significa nada. Vê se aprende que se ela não gosta, você pode escrever até o RG dela no seu orkut, ela nem vai ter a capacidade de ler. Aprende. Aprende. Aprende que dói menos.
Eu sei como é se segurar e deixar para chorar só quando ligar o chuveiro, assim ninguém percebe. Eu sei como é refletir sobre a vida antes de dormir e se certificar de que ninguém está ouvindo para começar a soluçar. Eu sei como é sofrer tão dolorosamente que as vezes você precisa fingir que vai ao banheiro, ou beber água, apenas para lavar o rosto e se recompor. Eu sei como é ter os olhos úmidos. Eu sei como é sentir aquele nó enorme na garganta, que se sufoca, até que você cede e chora. Eu sei como é sentar na cama, pegar o travesseiro e chorar tanto, mas tanto, que se surpreende com o rio que voce tem que esconder da sua família. Acredite, eu sei como é tudo isso.
- Porque nos apaixonamos por uma pessoa mesmo sabendo que ela é errada?
- Essa eu sei a resposta. Porque você espera estar enganada, e sempre que ela faz uma coisa que mostra que ela não é boa, você ignora, e sempre que ela age bem e te surpreende, ela te reconquista. E aí você esquece a idéia de que ela não serve pra você.
domingo, 26 de setembro de 2010
“Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Daqui há pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo. Antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer sim, por favor, chegue mais perto“
. Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar a minha fragilidade escondida no meu mau-humor.
Eu chorei porque vez ou outra ela ainda bate na minha porta e eu a deixo entrar, e eu sei que isso é medo do tanto que você habita todos os lugares.
Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar, o meu medo de me mostrar pra você tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito.
E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei depois cinco anos escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga.
Eu chorei porque vez ou outra ela ainda bate na minha porta e eu a deixo entrar, e eu sei que isso é medo do tanto que você habita todos os lugares.
Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar, o meu medo de me mostrar pra você tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito.
E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei depois cinco anos escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato.
domingo, 19 de setembro de 2010

Chegarei em casa cansada e, como fazem os imprudentes, por esquecimento, deixarei a porta aberta. Não tenho medo de ladrão. Tenho medo de que você não entre no segundo seguinte. Tenho medo que não tenha sido você a me seguir agora há pouco, no caminho, como medo tenho de que, com a porta aberta, sem você entrar, o telefone não toque depois da próxima respiração.
sábado, 11 de setembro de 2010
Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo. Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelada de bungee jump. Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito.Mas amor não se pede, imagine só:
-Ei, sua tonta, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença?
Não, não dá pra dizer isso.
Ei, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença?
Não, você não pode dizer isso.
Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença?
Definitivamente, não, melhor não. Amor não se pede, é uma pena.
É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira. É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinha sonhos. Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pra dita cuja e dizer:
-Ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei.
Raiva dela ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dela fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta. Raiva dela ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar. Ela roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia. Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pra menina, porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem.
É triste gostar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar.
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ela sabe.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eu tenho essa urgência de viver, essa pressa de qualquer coisa que ultrapasse a inércia. É isso que me faz jogar dados ao acaso e me atirar de carros em movimento, é por isso que ando longe de viadutos. Meu suicídio diário não é uma forma de morrer. É uma tentativa desesperada de encontrar essa vida, testar minha capacidade de quase ir e voltar, descobrir se eu mereço estar aqui e se existe mesmo um deus. Afinal, ele concorda ou não com a minha maneira de encarar as coisas? Por que não me castiga por ser tão estupidamente desapegada? É minha necessidade de viver que me mata.
Tenho a impressão de ter atingido o auge da minha maturidade, mas não tenho espaço físico ou moral pra existir nessa condição. Estou pronta pra largar tudo pra trás todos os dias, mas algo finca meus pés no chão sem eviso prévio. É preciso ser coerente pra ser aceito, mas como não me contradizer tentando achar um equilíbrio? Como não ser um pouco louca nesse mundo tão absurdo?
Não adianta me oferecer o discurso de faculdade-emprego-família como verdade absoluta. A gente não aprende a viver sentado numa carteira de colégio. Não é a fórmula de Pitágoras ou a definição de pronome oblíquo que vai fazer com que eu seja mais ou menos inteligente. Saber organizar informações burocráticas em série e ser programado roboticamente não faz de ninguém um ser humano repleto. Isso tudo só rende uma possível colocação relevante numa prova de vestibular, um êxtase momentâneo. A vida se aprende nas perdas. É perdendo a liberdade que a gente descobre que não se encaixa, é perdendo alguém que a gente descobre que não vale a pena lutar por futilidades, é perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso. Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecida. Hoje eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto. Eu me libertei da culpa e dei de cara com algo novo: não me encaixo, e aceito. Não é justo perder as asas no momento em que se descobre tê-las. É preciso poder voar, é preciso ter uma visão estratégica das janelas. Ver o sol e não poder tê-lo é absurdo.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo, perder a paciência e me exaurir em tentativas aparentemente inúteis pra encontrar um quase endereço, uma provável ponte: a entrada do encontro. Acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Quando você estiver preparado para fazer uma coisa nova, de uma maneira nova, você fará, com pessoas novas. Há gente à espera da pessoa em que você está se transformando. Se você espera um amor, um emprego, um alguém distante, uma saudade, a eternidade. Ele ou ela, chega, acredite. Mas, você precisa ser forte até lá e estar preparado, pra perceber e para receber isto. Não adianta lamentar, lamentar não é progredir, não é fazer a lição de casa. E ela não se faz sozinha, acredite em mim. Uma vez eu li, em algum lugar, algo assim: "Quando o aluno está pronto, o mestre aparece". Na época, eu não entendia muito bem, hoje faz todo sentido. A pessoa certa, o emprego certo, a chance certa só está esperando você ficar pronto, para aparecer na sua vida. O que você precisa, mais do que o que você quer, vai chegar. Mas, você precisa aceitar isso: Não será do jeito que você quer. Será na medida que você agir, do jeito que você merecer. O amor chega, ele chega. Enquanto isso, não descanse de crescer, aprenda a ser sozinho, é o que acelera a sua vinda. Hoje eu sei. O amor chega pra aqueles que estão cansados, cheios de si mesmos e precisam, não por necessidade, mas por prazer, dar-se a alguém. Você NÃO PRECISA de ninguém, nem ninguém precisa de você. Mas, vocês vão se encontrar, justamente por não se precisarem. E vai ser gostoso estar junto, sem o peso da necessidade. Será leve, e bonito.
domingo, 5 de setembro de 2010
Pensamento vem de fora e pensa que vem de dentro, pensamento que expectora e que no meu peito penso. Pensamento a mil por hora, tormento a todo momento. Por que é que eu penso agora sem o meu consentimento? Se tudo que comemora tem o seu impedimento e tudo aquilo que chora, cresce com o seu fermento; pensamento, dê o fora, saia do meu pensamento. Pensamento, vá embora, desapareça no vento. E não jogarei sementes em cima do seu cimento.- Arnaldo Antunes.
O importante não é quantas pessoas telefonam pra você, nem com quem você saiu ou está saindo. Também não importa se você nunca namorou ou com quem namorou. O importante não é quem você conhece. O importante não são seus sapatos, nem seus cabelos, nem a cor da sua pele, nem onde você mora, que academia você freqüenta ou o colégio que freqüentou. Na verdade, o importante nunca foram suas notas, seu dinheiro, suas roupas ou se passou na faculdade. O que importa é que você goste do que faz e se valorize por isso. Ninguém paga suas contas além de você mesmo. Na vida, o importante não é ser aceito ou não pelos outros. O importante na vida é quem você ama e quem você fere. É como você se sente em relação a você mesmo. É poder confiar em alguém. É ter do lado amigos de verdade e substituir o ódio por amor. Se tiver inimigos, que isso seja uma escolha deles. O importante na vida é evitar a inveja, não querer o mal dos outros, superar sua própria ignorância e construir uma história bonita. Importante é o que você diz e o significado de suas palavras. É gostar das pessoas pelo que elas são e não pelo que têm. Isso é importante. Poucos ainda sorriem sinceramente e olham nos olhos. Sorria e seja verdadeiro assim mesmo, com você.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Prometeu a si mesma:
Não me caberá mais nenhum drama. Só terei esperanças e perspectivas.
Quando algo ensaiar doer, sentirei sono porque acordo cedo no dia seguinte.
Quando um amor ameaçar acabar, lavarei a louça enquanto espero a champagne gelar.
Sempre haverá essa espera por finais:
De semana, de campeonatos, de novelas.
Tudo será esperança de um final eterno desse drama.
(E seguiu comendo os louros que deveria apenas colher...)
Não me caberá mais nenhum drama. Só terei esperanças e perspectivas.
Quando algo ensaiar doer, sentirei sono porque acordo cedo no dia seguinte.
Quando um amor ameaçar acabar, lavarei a louça enquanto espero a champagne gelar.
Sempre haverá essa espera por finais:
De semana, de campeonatos, de novelas.
Tudo será esperança de um final eterno desse drama.
(E seguiu comendo os louros que deveria apenas colher...)
Marla de Queiroz
quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Tá vendo aquela lua que brilha lá no céu?
Se você me pedir eu vou buscar só pra te dar.
Se bem que o brilho dela nem se compara ao seu.
Deixa eu te dar um beijo, vou mostrar o tempo que perdeu.
Que coisa louca, eu já sabia, enquanto eu me arrumava algo me dizia:
- Você vai encontrar alguém que vai mudar a sua vida inteira da noite pro dia."
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