
Outro dia eu fui numa praça, na beirada de uma praia, onde um vez eu fiquei deitada no seu colo. Me deitei no mesmo banco e fiquei alí por algumas horas com uma amiga, olhando pro céu. Era fim de tarde de um domingo, a brisa fria da praia, o sol desaparecendo, e o céu cheio de nuvens espaçadas. Olhei pra uma e ví um coelho, nossa, há tanto tempo eu não me dava tempo de olhar pro céu e reparar em nuvens. Lembro que quando eu era pequena, toda hora era hora de olhar nuvens, eu não saia da beirada da janela, poderia ficar alí por horas e ver milhares de formas numa única nuvem. Minha amiga disse que conforme a gente vai crescendo a gente passa a perceber menos os desenhos nas nuvens e isso ficou na minha cabeça.
Se crescer é não mais conseguir ver desenhos em nuvens, que graça há em ser grande?
Pagar contas? compromiços? casamento? trabalho?
A gente passa a maior parte da infância querendo crescer logo, pra isso?
Se eu soubesse, juro, passaria mais tempo naquela janela, olhando o céu.
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