O mundo vê um passinho pra trás. Mas em algum lugar do cosmos, ouve-se um freio. Um barulho imenso, desengonçado, batem atrás, cercas arrancadas, quase cai no fim do mundo.
O tempo todo me dizendo menos. Menos. Pra aguentar. Pra ter alguma coisa, qualquer coisa. Duas semanas. Um mês. Menos. Menos dor, menos amor, menos ódio, menos vontade de fazer cortar. De sangrar pra fora pra poder ser menos.
Sorria como se nada que acontecesse tivesse força contra o seu bem estar, coloque um montinho de cabelo atrás da orelha, alongue um pouco o pescoço. Seu olhar está perdido porque pra poder estar naquela mesa ela foi matando pouco a pouco sua ferocidade. Mas ela toma a bebida e sorri. E você? Você mais uma vez vai voltar cheia de razão e sozinha. Cheia de tudo que não esquenta o pé. Cheia das facas enfincadas em volta do coração. Mas pensando “ainda falta o centro, ainda posso dar mais uma chance”.
O tempo todo maquiando, para que não pareça qualquer coisa tão desengonçada e apressada quanto, mas mais cabível. Que possa estar em movimento mesmo que todo mundo esteja parado, o eterno trânsito de chegar nesse lugar que a gente acha que é o único porque é o único emocionalmente estável.
E no meu ouvido, o tempo todo zumbindo. É isso, não muda o que se sente. Se sente e pronto. Lotado demais, terrível demais. Mas pro outro lado, está faltando alguém. Tem espaço pra você. Não aguento mais, não aguento mais querer me refilar, não aguento mais querer mudar a química do meu cérebro, não aguento mais pedir perdão.
E mais uma vez tudo acontece e eu deito com a cabeça pesada no travesseiro, como eu tinha me prometido que nunca mais faria, que nunca mais deitaria a cabeça sem sentir um sono de uma pré-coma, nunca deitar e pensar, e sim, deitar e apagar. Eu não sinto tudo isso à tanto tempo, esse lapso demorou tanto à acontecer, eu não sei lidar. Dê meia volta, por favor, sem atropelar, sem matar, sem cair, sem levar ninguém. Na tristeza dura de quem tem tanto tamanho mas não tem força pra suportar. De quem tem tanto tamanho e não consegue por medo em ninguém. De quem precisa tanto de abraço mas é grande demais pra sentir os braços em volta. De quem poderia estraçalhar todos os corações possíveis mas só sente o peso insuportável de ser minúsculo perto deles.
E eu sei, e eu tentei mais do que nunca, e eu quis mais do que nunca.
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