Que seja doce...

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Tudo parou.


Ela olha, a outra devolve o olhar. Ambas sabem a improbabilidade dessa troca de olhares levá-las a algum lugar.
Ela está pensando no significado daquele sorriso tímido, disfarçado entre mechas de cabelo castanho que insistem em esconder o rosto que prendeu sua atenção entre tantos outros.
Ela está pensando em como é boba, e em quantas cantadas já depositou sonhos de amor eterno. Se ao menos fosse real...
As duas temem a desislusão.
Ela fraqueja em sua confiança e deseja, pela primeira vez, uma só pessoa no mundo. Mas por que ela sequer falaria com ela?
Se ao menos fosse real...
Sem nomes, sem histórias anteriores. Personagens comuns e paixões à primeira vista. O que realmente tem um final feliz fora do papel? A palavra final já tem uma conotação de tristeza nas histórias de amor.
Ela levanta um pouco constrangida, envergonhada da própria existência e caminha em direção ao banheiro. É uma fuga tingida de tédio. Torcendo tanto para a garota da outra mesa segui-la, torcendo tanto para ser invisível, querendo tanto querer algo possível.
Ela participa de um último comentário com os amigos que zombam uns dos outros e segue a garota com os olhos. Deve levantar ou não? Será que vai parecer idiota? (todos parecem idiotas em situações românticas). Levanta.

- Oi (não me deixe aqui sozinha, não me faça fingir que achei que era uma conhecida, não me faça fugir de você)

- Olá (ai meu deus, o que eu faço? Não quero parecer atirada, mas e se você acabar achando que eu sou difícil demais pra insistir?)

- Eu vi você lá e... (queria saber seu nome, seus medos, sua vida. Queria te proteger do frio e do mundo, esquecer de tudo com você...)

- É, eu... (queria saber seu signo e suas dores, saber o que há além dessa garota comum com um sorriso bobo e olhos magnéticos, queria largar tudo...)

- Você acharia muito estranho se eu dissesse que tudo parou?

- Acharia.

- Mas tudo parou.

- Eu sei.

- Então?

Então aqueles olhos, que já se liam durante toda uma noite, finalmente se entenderam. As palavras pareciam tão fracas e inexpressivas diante da comunicação mais profunda que existe, os enlaces faziam tanto sentido...E tudo parou.

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