Que seja doce...

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ver estrelas.


Acabo de chegar em casa e ver tudo diferente. Ainda estou fechando os olhos e tentando encontrar a parte mais quente das suas costas. Ainda estou com este riso bobo na cara, matando a saudade de ter quinze anos.
Pode ser mesmo que isso passe, pode ser que amanhã eu acorde e você tenha ido embora. Ainda assim, ainda que amanhã chegue para estragar tudo, poder chegar em casa e ver tudo diferente já são milhões de quilômetros rodados. Zilhões.
Você não sabe, nem sonha, mas você acaba de zerar minha vida. Você acaba de zerar tudo. Com a parte mais quente das suas costas, com o seu carinho na minha nuca, você acaba de me salvar.Este texto é pra te falar uma coisa boba. É pra te pedir que não tenha medo de mim. Sabe esses textos que eu publico aqui? Sabe esses textos falando que eu sei disso e sei daquilo? Eu não sei de nada. Eu só queria ser salva das pedras, eu só queria aprender a pegar carona nas ondas. Eu só queria poder chegar em casa e ver tudo diferente. Ver tudo bonito. Ver tudo como de fato é. E você salvou minha vida. O mundo está lindo. Não tenha medo de mim.
Eu só queria que esta minha vontade de perdoar o mundo durasse. Hoje eu não odiei o bradesco, a vivo, os meus 3 andares, o motoqueiro que não parou pra eu passar, o sinal que não fechou, o cara que me acorda com o jornal as 5 da manhã e que também te assustou. Hoje eu não odiei nada e nem ninguém. Eu apenas fiquei lembrando, a cada segundo, tudo. Você salvou meu ano.
Não tenha medo desde texto. Não tenha medo da quantidade absurda de carinho que eu quero te fazer. Nem de eu ser assim de falar tudo na lata. Nem de eu não fazer charme quando simplismente não tem como fazer. Nem de eu tentar te beijar como se quisesse descobrir o beijo. Nem de eu ter ido dormir com dor na alma por ter te deixado ir embora e por não saber o quando posso te tocar. Não tenha medo de eu ser assim tão agora. Nem desse meu agora ser do tamanho do mundo.
Eu estou tão cansada de assustar as pessoas. E de ser o máximo por tão pouco. E de entregar tanta alma de bandeja pra tanta gente que não quer ou não sabe querer. Mas hoje eu não odeio nenhuma dessas pessoas. E hoje eu não me odeio. Hoje eu só fecho os olhos e lembro de você. Tudo o que eu mais queria, por trás de todos os meus textos modernos, sarcásticos e malandros, era de alguém que fizesse carinho na minha nuca, e que eu pudesse viver desse carinho, até o meu ultimo suspiro.
Talvez você pense que não merece esse texto. Há quanto tempo mesmo você me conhece? Quase 3 anos? Você merece sim. Hoje, depois de muito tempo, eu acordei e não me olhei no espelho. Não precisei confirmar se eu era bonita. Eu acordei tendo certeza.
Não tenha medo. Eu só sou uma menina boba com medo da vida. Mas hoje eu não tenho medo de nada, eu apenas fecho os olhos e lembro de você reclamando do barulho que o mar fazia.
Eu posso sentir isso de novo. Que bom. Achei que eu ia ser esperta pra sempre, mas pra minha grande alegria estou me sentindo uma idiota. Sabe o que eu fiz hoje? As pazes com Wilson Sideral, com Keith Urban e até com a bala halls de melancia. Fiz as pazes com os casais que se balançam abraçados enquanto não esperam nada, as pazes com as pessoas que não sabem ver o que eu vejo. Eu só vejo a sua tatuagem de estrela. Eu só vejo você enchendo a minha vida de estrelas. Se você puder, não tenha medo. Eu sou só uma menina que voltou a ver estrelas. E que de repete, sem medo e sem fim, a palavra estrela no mesmo parágrafo. Estrela, estrela, estrela. Zilhões de vezes.
[20/09/2009]

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