Que seja doce...

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sessão.


- É essa a história. Foi isso que aconteceu. Te contei com os mínimos detalhes a minha versão.
Vai, não diz que meu caso não tem solução, não diz que sou um caso perdido em meio a esses tantos casos que você ouve diariamente. Diz que eu ainda tenho jeito, que ainda tenho solução. Eu preciso demais acreditar nisso.

- Pois então, menininha intensa. Eu entendi o seu caso. E não, você não é um caso sem solução.
Pra te falar a verdade, todos os casos tem solução, mas vocês, pacientes, chegam aqui tão cegos que o meu trabalho, na verdade, é curar a catarata emocional na qual vocês se encontram.

- Qual a solução?

- Você precisa se perdoar. É, dar perdão à você mesma. A questão aqui não é entre você e ela, é entre você e você. Um problema completamente seu. Ela só foi a atriz coadjuvante.
Você não vê? Você cometeu vários delitos, que você mal consegue enumerar, se perde entre eles, eu sinto que são bem mais do que você me contou nessa sessão. Você deseja tanto a perfeição, você quer ser a perfeição personificada e não dá. Tentar ser perfeito é um dos piores defeitos. Você já começa a pecar por aí. Você fez tanta coisa que não se perdoou, tanta coisa que você fez, que não são estragos tão grandes assim, que você vê eles como abismos, e sem o perdão por esses atos você não consegue seguir em frente. Você fica parada, presa.
Mas o perdão que você precisa não vem dela. O perdão tem que vir de você.
Ela pelo visto, já te perdoou. E você, é capaz de se perdoar?

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